Mc Soffia, 12 anos, negra, rapper e empoderada, na abertura dos Jogos Olímpicos

Menina pretinha / exótica não é linda / você não é bonitinha / você é uma rainha / sou criança / sou negra / também sou resistência / se não gostou paciência.

Estas são algumas linhas da música “Menina Pretinha” de Mc Soffia, uma miúda de 12 anos, negra e rapper, que foi convidada a cantar na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que aconteceu ontem.

Aos quatro anos, o gozo sobre a sua cor e cabelo era constante. Soffia não percebia porque era vista como diferente e pediu à mãe para ser branca. Kamilah Pimental, 30 anos, agente cultural e mãe solteira, decidiu que estava na hora de mudar a filha de colégio e começar a “lavagem cerebral” sobre a forma como a sua filha se via a si e aos outros. “Nunca imaginei esse momento. Fazemos as coisas de melitância mesmo, mas não imaginamos onde isso vai parar. Quando tem uma criança branca que vê uma criança negra linda com o seu cabelo diferente é muito gratificante”, disse Kamilah, ao O Globo.

Aos seis anos, Soffia descobria o rap e começou a projectar as suas letras recheadas de mensagens positivas para as meninas negras como ela.

Na estreia dos Jogos Olímpicos, Soffia vai dividir a apresentação com a rapper curitibana Karol Conka, que considera uma madrinha desde que as duas se conheceram num show de Karol, há mais ou menos seis anos. Mais de 45 mil pessoas vão estar no Maracanã, e mais de três mil milhões vão assistir em todo o mundo.

“Vou representar as crianças, as periferias, as mulheres negras. Vou passar uma mensagem para que elas se gostem, se aceitem. Para que não liguem para o que as pessoas estão falando, para elas usarem o cabelo como elas gostarem. Para que na lojas tenha mais bonecas negras, para que nas escolas comecem a falar dessas questões, explicou ao jornal enquanto esperava a hora de subir ao palco.

Equipa BANTUMEN
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A BANTUMEN é um magazine eletrónico em português, com conteúdos próprios, que procura refletir a atualidade da cultura urbana da Lusofonia, com enfoque nos PALOP e na sua diáspora.

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