Editorial: O Natal é quando um Homem quiser

E pronto, é Natal. Aquela época em que todos somos pela amizade, pelo amor, pela solidariedade, pela reciprocidade, pela entre-ajuda e por todos esses substantivos fantásticos que nos classificam substantivamente de seres-humanos. Este editorial não tinha, inicialmente, um objectivo moralista, sobre como deveríamos projectar o espírito natalício para todos os outros dias do ano mas, vá, também pode ser. Afinal, 2016 não foi propriamente o epíteto de paz e amor.

Enquanto enfrentam a fila de meio quilómetro na caixa de uma qualquer loja para comprar aquele presente sensacional, ponderem a possibilidade de no embrulho juntarem uma dose de afecto, independentemente do tipo. Afecto tout court. Esse afecto não terá prazo de validade e não importa se o presente é para a mãe, o filho, o sogro, o colega de trabalho ou para o Bobby lá de casa.

Se mais doses de amor fossem trocadas entre esse espécime que é o Homem, provavelmente, não andaríamos aqui com medo do que Trump e associados vão fazer ao mundo nos próximos quatro anos. Isto, numa perspectiva optimista. Com um pouco de azar, cegueira pública, patetice, lobbies e dinheiros à mistura, serão oito. Se mais doses de amor – daquele verdadeiro que dizem dar calafrios – fossem trocadas debaixo dos lençóis de cada um, talvez não andássemos aqui todos (bom, talvez nem todos) transtornados, à frente dos nossos ecrãs, com o que se tem passado na Síria. [Exemplos escolhidos pelo atenção mediática que têm actualmente, mas poderia passar aqui dias a numerar situações que nos tocam a todos, directa ou indirectamente, e que acontecem diariamente à volta do globo.]

Mais humanismo. É o melhor e o mais urgente dos votos. Em caso de dúvida, o dicionário explica: atitude que valoriza as potencialidades do ser humano e que tem no bem-estar das pessoas o seu interesse prioritário.

O Natal é efectivamente quando um Homem quiser. Façam dele o estado de espírito permanente que deve ser e não apenas um período que vai e vem. Outra coisa, agradeçam mais. Agradeçam tudo o que têm e tudo aquilo que se prestam a conquistar. Agradecer é o primeiro acto de reconhecimento de que somos merecedores, seja lá do que for. E lembrem-se, o que temos hoje pode não ser o que teremos amanhã.

Sentimentalismos à parte, o fim de ano é tempo de retrospectivas. Nós, por cá, vamos bem, obrigada.

Um ano e alguns meses numa estrada que não tem fim à vista e que, no balanço das curvas e contra-curvas, proporcionou-nos uma equipa que não pára de crescer, seguidores que, aqui e ali, online ou offline, fazem questão de demonstrar que a BANTUMEN é um projecto que nasceu para vencer. O entretenimento lusófono estava a precisar de uma sacudidela básica. Mostrar que há mais caras além das déjà vu, que se repetem nas revistas, nos blogs, nos canais de televisão, nas rádios e afins.

Falando em caras, a nossa vai mudar. Somos ávidos de mais. Mais qualidade, mais informação, mais imparcialidade, mais talento, mais arte. Somos exigentes. E por isso, estamos a preparar surpresas para serem desembrulhadas em 2017. Garantimos que não vos deixaremos na incógnita por muito tempo. Já, já, saberão do que estou a falar.

Este 2016 prometeu-nos que o próximo ano vai continuar a ser próspero. A culpa é do afinco que estampamos no nosso trabalho e que não é defeito, é mesmo feitio.

Seja aqui, no YouTube, Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat, Google+, ou qualquer outra plataforma de comunicação onde marcamos presença, vamos continuar a relacionar Cabo Verde, Angola, Portugal, Brasil, Moçambique, São Tomé, Guiné-Bissau e qualquer outro canto deste mundo onde haja talento lusófono. Mas para isso, precisamos de interacção. Continuem a fazer-nos chegar o vosso feedback. É com ele que vamos trilhando os passos seguintes.

Posto isto, os votos desta equipa para os nossos leitores são que continuem atentos às nossas novidades diárias e que tenham um excelente fim de 2016 e que 2017 seja apenas o início de mais uma aventura que nos permita amar, sorrir, chorar, cair, levantar e continuar. Em suma, viver.

Vanessa Sanches
Vanessa Sanches
Escrevo aqui e ali. Gosto de estórias que marcam histórias. Sou de Portugal, com veia cabo-verdiana, dois pés em Angola e coração em França. Africanidade, estilos de vida e música são os temas que me prendem a atenção, mas gosto de me distrair com politiquices e bizarrices.

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