#2675 Foto: BANTUMEN

#2675, Odivelas no mapa do hip hop tuga

Lancelot, Lennox, Cali, Faya, P The Producer e Shotby Constantino são membros do #2675, o grupo que está a bombear oxigénio ao hip hop de Odivelas, zona da Grande Lisboa que já brilhou na cena musical tuga através do sucesso dos Flow 212 e do próprio Lancelot. Até ao final deste primeiro trimestre de 2017, o grupo vai lançar o primeiro álbum de originais, homónimo, que nasceu de um trabalho de faculdade de P The Producer.

Inicialmente, o projecto estava pensado para apenas três músicas, mas P The Producer não conseguiu travar a inspiração e nos amigos, que com os anos se tornaram irmãos de microfone, o sangue ferve quando o beat entranha e as lyrics vão saindo automaticamente. E assim, quase sem querer, se fez este álbum #2675.

Juntos podemos dinamizar e concretizar sonhos dentro da música

“O projecto começou graças à ideia de um trabalho de final de curso do Pedro Roda aka P da Producer, que teve essa bela ideia de nos apresentar um beat e de nos juntar a todos”, explicou-nos Lancelot. “A ideia transformou-se numa bola de neve e fez-se esta avalanche”, diz apontando para os camaradas de estrada. No palco da casa de arte Malaposta, em Odivelas, falta Filipe Leite, que se encontra fora do país e os outros elementos que entretanto “desertaram”. Na conta final, ficou a nata do grupo.

“O objectivo é influenciar de dentro para fora, visto que, cada vez, há mais grupos, mais bandas, mais miúdos a fazerem música, bons mc’s e bons produtores”. A intenção é valorizar a união em detrimento dos beefs e da rivalidade desmedida. “Juntos podemos dinamizar e concretizar sonhos dentro da música e dentro das nossas vidas pessoais. O #2675 é um grupo de amigos acima de tudo. Um grupo de pessoas que gostam da mesma música, é um grupo de elementos dispostos a saírem das suas zonas de conforto, dispostos a desafiarem-se”, afirma Lance.

#2675 Foto: BANTUMEN

Recuando no tempo para explicar como se formou o grupo, P The Producer assume a palavra: “Sempre acompanhei o trabalho do Lance, Lennox e do Cali. Sempre fui amigo deles e também sempre me dei com o Faya e, inclusive, também comecei a produzir por influência do Lance e do Cali. O Cali quando lançou o álbum dos Flow 212 também fiquei preso na sonoridade e decidi tentar. Se os outros conseguem porque é que eu não haveria de conseguir? Comecei a estudar design de som e tive de criar um projecto no final da faculdade. O objectivo era dar a sonoridade de antigamente, da altura em que o Lancelot rebentou com o Pugilista Verbal e o Lennox  com o Mentes Criminosas, juntar-lhe o “novo” som dos Flow 212 e o projecto antigo do Faya e dar-lhe outro sabor, outro tempero. A partir daí organizei o EP com três faixas e, como o Lance disse, começou-se a criar uma bola de neve e começou-se ali a criar flows e cenas e decidimos alargar para as dez faixas e fazer algo bem feito”, ilucida o produtor.

Com três músicas lançados exactamente no dia desta entrevista, domingo 15, o grupo garante que a sorte não vai ser um factor que vai contribuir para o seu sucesso. Os beats estão pesados, num trap que, apesar de fazer torcer o nariz dos supostos fãs do “verdadeiro” hip hop, tomou de assalto a cena nacional e internacional do movimento. “A mistura de flows e influências é o exemplo perfeito de união, que mostra que “podemos trabalhar em equipa”, confirma Roda.

LANCELOT | Foto: BANTUMEN

Lennox, que é MC e produtor, acredita que o trabalho vai levá-los onde querem chegar. Todos têm um estilo e forma de estar muito próprias. Lancelot chama-lhe de “motivador de trincheira”. “Quando há um beat, ele é o primeiro logo a motivar as tropas, a dropar aquele verso e que todo o mundo segue. A tomar conta do microfone há ainda Faya, mais um dos elementos versáteis da team, que começou a dar os primeiros passos com a influência de Lennox. “Comecei a gravar em 2002, 2003, o Lennox obrigava-me a ir a casa dele às 8h30 da manhã e tinha até às 10h para gravar e nem podia cantar alto porque a kota dele estava a dormir.” Os concertos de Lance, de Cali e as palhaçadas em cima de instrumentais de Roda, juntamente com Lennox, foram o combustível certo para incendiar o bicho da música que sempre teve. Além de rapper, Faya também tem noções de produção de beats e de vídeo, o que acaba por facilitar o trabalho do produtor multimedia Shotby Constanino, que dá vida às vontades videográficas do grupo.

Cali avisa: Neste grupo, o estilo de produção tanto do Roda como do Lennox, tem muitas influências. O Roda tanto vai dar-te um boom bap como vai te misturar algo mais trap. Tal como o Lennox, que até te mistura algo mais kuduro, e é essa onda que me inspira. Eles conseguem fazer ago versátil”.

Fica a conhecer melhor o projecto através da entrevista vídeo que a BANTUMEN teve a oportunidade de gravar.

Vanessa Sanches
Vanessa Sanches
Escrevo aqui e ali. Gosto de estórias que marcam histórias. Sou de Portugal, com veia cabo-verdiana, dois pés em Angola e coração em França. Africanidade, estilos de vida e música são os temas que me prendem a atenção, mas gosto de me distrair com politiquices e bizarrices.

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