Cozzy.
Foto: Miguel Roque / BANTUMEN

“De volta à Linha de Sintra e agora numa versão mais madura”, Cozzy

Cozzy é jovem o suficiente para não gostar de mencionar o número exacto de aniversários que já celebrou. Contudo, afiançamos, é maior de idade.

Quem tem hoje mais de 22 anos e vive ou frequenta a linha de Sintra há mais de dez, lembra-se ainda dos tempos dos SWCK Boyz, ou melhor dizendo o pessoal do Jerk, cujos membros são hoje homens entre os 24 e os 28 anos. Uns quantos continuam a fazer da dança uma motivação nas suas vidas ou acabaram por ingressar na música, como é o caso de Monsta e Deezy.

Branco Castro “Cozzy” também pertenceu ao movimento Jerk e também “imigrou” para o hip-hop.

Cozzy
Foto: Miguel Roque / BANTUMEN

O jovem rapper que nasceu em Luanda viveu desde os seu quatro anos até à adolescência na Linha de Sintra e, como tantos outros emigrantes, viveu todos os dramas de quem sai de um país dito de terceiro mundo para procurar melhores condições vida no velho continente.

Durante a sua adolescência, quando se começava a adaptar e a fazer amigos de verdade, Portugal atravessava uma das maiores crises financeiras dos últimos 20 anos e Angola estava a subir nos gráficos dos países com maiores perspectivas de crescimento em África. A sua mãe pegou nas malas e regressaram para a capital angolana.

Contudo, a chegada a Angola de um jovem completamente habituado ao ambiente europeu e vestido às cores, como era comum no início de 2010 na Linha de Sintra, foi o passaporte de entrada para o mundo do bullying, como vítima. O termo para os angolanos é mais conhecido como “estiga”, uma forma subtil de bullying à africana.

Cozzy
Foto: Miguel Roque / BANTUMEN

A adaptação à terra mãe acabou por acontecer e o bichinho da música não morreu, pelo contrário, ficou mais forte e junto veio com a queda para a moda, tão intrínseca ao mundo do hip hop.

Na música, em Angola, Cozzy fez parte da Latino Records durante um ano, passou também pelos estúdios de Obey, dos Zona 5, e reconhece os Mobbers como os primeiros a apoiarem-no no movimento em Angola.

Fez parte do projeto “Angola Fashion School”, que capacita novos talentos da moda através da iniciativa conjunta entre o “Angola Fashion Week” e o Instituto de Desenvolvimento Internacional e Educacional de Angola, onde dividiu o atelier com os estilistas Evanilson Viegas, dono da marca Vieg Yuro e Florielmo, da Elgvncie.

Cozzy está de regresso a Portugal e na entrevista em vídeo acima explica na primeira pessoa os últimos anos da sua vida e o estado da sua carreira música.

Pequena curiosidade: se o número de rappers de origem angolana residentes em Lisboa, mais em concreto na Linha de Sintra, é grande, assim com Toy Toy T-Rex, Monsta ou Deezy, a grande maioria são amigos próximos de Cozzy.

O artista está agora em estúdio a preparar o seu primeiro EP, do qual já conhecemos o single promocional “Kit”.

Eddie Pipocas
Eddie Pipocas
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