Naice Zulu & BC
Imagem divulgação

O “Estado da Nação” nas vozes de Naice Zulu & BC

A dupla de rappers angolanos Naice Zulu & BC lançaram recentemente a mixtape Estado da Nação e, neste texto, aproveitamos para sublinhar por que devemos ouvir a obra.

Antes de tudo, Estado da Nação, parou Angola. Figurativamente, claro, através das redes sociais. É uma obra que dá continuidade à linhagem interventiva, crítica, por vezes, até servera, mas sobretudo cómica, de ambos os artistas.

A mixtape surge depois de É Confidencial, de 2019, e é um balanço dos últims acontecimentos que, de alguma, forma criaram debate ou impactaram a sociedade angolana.

O objetivo é dar voz ao povo, soberano, que vive confinado ao estrato mais rasteiro da sociedade. “Bom Apetite”, por exemplo, é uma ironia aos “pesos-pesados” da política e da arte angolana.

Musicalidade

Desde “Como Está o País” até a “Arreiou Arreiou”, os instrumentais têm sempre um toque original e nacional, pois os rappers usaram vários samples de músicas angolanas. É o caso de “Azar da Belita”, que nos relembra a sonoridade de um hit da música popular angolana, “Belina”, de Artur Nunes. Por sua vez, em “Arreiou Arreiou” foi usado um sample de “Eu Vou Rifar Meu Coração”, do brasileiro Lindomar Castilho.

Com “as mãos” do produtor e deejay DH, as músicas ganharam um toque refinado de qualidade.

Participações

Escolhidas, e bem, a dedo. Já não se ouvia Smallz há um bom tempo e neste trabalho surpreendeu pela positiva.

Além de Aldareth Neto, Mujinga que para mim são novas e boas, a obra contou com mais oito vozes, como as de Reverendo, Eddy Flow, Máureo, Omar, Tigre Chieta, Konstantino, Smallz e JUSTM que já havia participado na última obra da dupla.

Naice & BC têm continuado a fazer trabalhos que realmente refletem os anos de estrada que carregam. A mensagem tem sido sempre consistente, com músicas que procuram criar a reflexão, mesmo que, por vezes, seja por meios menos convencionais e humorísticos.

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Bruno Dinis
Bruno Dinis
Carrego a cultura kimbundu nas minhas veias. Angolanidade está presente a cada palavra proferida por mim. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, por tanto, não seja recluso da ignorância.

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