“E Tudo o Vento Levou” censurado pela HBO por ser “racista”

E Tudo o Vento Levou é um filme icónico de 1939, que permitiu à atriz Hattie McDaniel destacar-se como a primeira afro-americana a receber o Óscar de Melhor Atriz Secundária. Há muito criticada por perpetuar uma visão idílica da escravatura e estereótipos racistas, a HBO Max decidiu retirar a película do seu catálogo de filmes nos EUA.

A longa-metragem de 3 horas e 58 minutos é considerada por muitos estudiosos como o instrumento mais ambicioso e eficaz do revisionismo do sul norte-americano, por apresentar uma versão romântica dos estados confederados e uma visão romantizada e leviana da escravidão, com funcionários domésticos retratados como satisfeitos com as suas vidas e tratados como empregados comuns.

Essa reinterpretação de um período sombrio da história norte-americana é obra de movimentos altamente organizados nos antigos estados confederados, que se propuseram a apresentar o Sul antes da Guerra da Secessão sob uma perspetiva “apresentável”.

Fundamentalmente, a ideologia da Lost Cause (Causa Perdida) sustentava que os estados do sul teriam lutado pela sua independência política, ameaçada pelo norte, e não pela manutenção da escravatura, o que é uma mentira histórica.

A retirada de E Tudo o Vento Levou acontece depois de o Los Angeles Times publicar uma coluna de opinião, assinada pelo escritor e realizador John Ridley, que solicita a medida, alegando que a história “glorifica” a escravatura durante a Guerra da Secessão dos EUA. “Ignora os seus horrores e perpetua os estereótipos mais dolorosos para as pessoas negras”, escreveu.

A ação da HBO coincide com a decisão de outras empresas, como a Disney, que evitou incluir na sua nova plataforma A Canção do Sul, um filme polémico desde que estreou, em 1946, ou a cadeia de televisão Paramount, que cancelou o programa Cops, protagonizado por polícias dos Estados Unidos.

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