Karen Pacheco | Foto: Photopapi
Karen Pacheco | Foto: Photopapi

“Tudo na vida são escolhas.”Karen Pacheco fala sobre 2ª edição de “O Meu Colar de Pérolas”

Karen Pacheco está de volta ao mercado literário angolano e, desta vez, traz consigo a segunda edição do seu livro Meu Colar de Pérolas. O livro vai ser lançado nesta quarta-feira (17) e terá a sessão de venda e autógrafos no Restaurante Luanda Beach Club, em Luanda.

A jovem escritora angolana traz consigo um livro que, em termos de conteúdo dramático, não foge muito do material apresentado na primeira edição, embora existam algumas alterações dos capítulos, mantendo bem viva a mensagem base: “o impacto do poder das nossas decisões”.

Quisemos saber mais sobre a obra e convidámos a jovem escritora para aprofundar mais sobre o seu conteúdo.

O que traz a segunda parte do livro Meu Colar de Pérolas?

Na verdade, esta não é a segunda parte (continuação) e sim a segunda edição, sendo que não diverge muito da primeira. Embora, tenha alterado alguns capítulos, feito algumas rectificações e a mudança de visual completa do livro. O conteúdo dramático permanece, a história continua envolvente, as personagens as mesmas e a mensagem que sempre quis transmitir: o impacto do poder das nossas decisões.

Quando começou a ser desenvolvida?

A segunda edição do livro começou a ser desenvolvida a partir do final do ano passado. Fiz uma pausa por causa das festas e no mês de janeiro foi 100% tudo no gás para que pudéssemos cumprir os prazos estipulamos pela Edições Mahatma e por mim, claro. Dessa vez, confesso que acompanhei de muito perto e “vivi” a elaboração do meu livro. As pessoas não têm noção do trabalho que um livro dá, seja a primeira como a décima quinta edição, cada livro comporta um processo cansativo e que deve ser analisado detalhadamente para que tudo esteja nos conformes e, graças a Deus, trabalho com pessoas perfeccionistas e super exigentes.

Quais foram os desafios que encontraste durante este processo?

Bem, mais acima falei sobre a mudança de visual nesta segunda edição e isso porque o título do meu livro, O meu colar de pérolas, é uma homenagem à minha avó materna, Noémia Miranda. Ela é poetisa e este título é também o título de um dos poemas dela. Como a arte bem permite, decidi que os meus projetos seriam sempre uma forma de ela partilhar os meus momentos enquanto escritora. Isto tudo para dizer que, além do título (que já vem da primeira edição), desta vez decidi que não só o título seria uma homenagem, mas também a capa. Pois, a capa é uma fotografia da minha avó na sua mocidade, altura em que escrever para ela era um refúgio. Parece não ser grande coisa, mas foi um grande desafio em termos sentimentais porque a minha avó é a minha vida, literalmente. Fora este desafio, foi o de acompanhar de perto o processo de feitura da segunda edição e de ganhar uma maior responsabilidade ao que deve ser feito pontualmente.

[Um dos desafios foi também] Conciliar o meu trabalho enquanto representante para área de Assessoria Literária para a Edições Mahatma ao mesmo tempo em que tinha de escrever e de entregar outras edições. Eu não só sou autora como também desempenho esta outra função que é extremamente exigente.

Que tipo de mensagem pretendes transmitir com a atual edição?

A maior mensagem que pretendo transmitir é fazer com que as pessoas tenham consciência das suas escolhas. Tenham atenção ao que fazem, ao que dizem e ao que deixam de dizer. É uma utopia pensar que certas escolhas nossas só têm efeito em nós, muito pelo contrário, existes escolhas que impactam a vida dos outros ao nosso redor e somos tão responsáveis por isso, tal como somos pelo impacto que têm na nossa vida. Eu tento ser e fazer o que muitos autores e livros fizeram por mim. Há livros que servem de epifania e nos chamam à razão. O meu livro é ficção sim, mas isso não quer dizer que dentro da imaginação não possamos aprender e nos reinventar sempre. Nascemos numa sociedade e vamos morrer numa, logo é relevante sabermos estabelecer relações saudáveis e tudo na vida são escolhas. Das mais simples às mais complexas e muitos problemas seriam resolvidos se antes de agir dominássemos a arte de decidir. Embora, o aprendizado venha com a experiência e a experiência é composta por tentativas e se são tentativas é porque existem erros, o que é normal, até certo ponto claro. Pessoas conscientes decidem melhor.

Como os leitores podem implementar as vivências das personagens do livro na vida real?

A vida é feita de escolhas. Tudo, tudo, tudo na vida são escolhas. Ir à esquerda ao invés da direita, ir para frente ao invés de ir para trás e por aí vai…

A melhor resposta que posso dar é a mesma que tento (porque nem sempre consigo, confesso) é ter consciência, discernimento, entendimento e sermos honestos nas decisões que tomamos para nós mesmos enquanto indivíduos e para nós como parte integrante de uma sociedade. Errar sempre iremos errar, mas a nossa forma de agir após tomarmos consciência define o nosso carácter. E, tudo isto, deriva das decisões que tomamos.

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Bruno Dinis
Bruno Dinis
Carrego a cultura kimbundu nas minhas veias. Angolanidade está presente a cada palavra proferida por mim. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, por tanto, não seja recluso da ignorância.

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