Johnny-Bravo | DR
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BANTUMENPodcast: Johnny Bravo, o kuduro e a necessidade de manter a cultura viva

Neste 15.º episódio da 4ª temporada de BANTUMENPodcast, conversámos com Johnny Bravo sobre as vantagens e desvantagens da internacionalização da música angolana feita no mundo e as diferenças entre o kuduro e afro-house.

Durante este período de pandemia, Bravo aproveitou para repensar na sua carreira e na forma como interage com os seus fãs. “Para mim e para a minha equipa, acho que foi um intervalo para começarmos de uma melhor forma”, disse.

Na sua primeira entrevista com a BANTUMEN, o artista disse que nunca lhe foi negado um contrato por fazer kuduro e que o estilo angolano e o afro house são a mesma coisa, assunto que também serviu de isco para este podcast.

“O afro-house é um estilo originário da África do Sul. Nós angolanos, quando mostramos-lhes (aos sul-africanos) o nosso trabalho, dizendo que é afro house de Angola, eles dizem que é tudo menos afro-house. E têm toda a razão. Eles é que o inventaram. Eles sabem qual é a rítmica, sabem o que necessita. Então só tens de respeitar, da mesma forma que a gente fala ‘isso não é kizomba’ quando vê um desses países de fora a mostrar o que agora fazem”, acrescentou.

Sobre a necessidade de manter a cultura tradicional viva através das artes contemporâneas e urbanas, Bravo acredita que é um processo com implicações sociais e políticas, que têm por base a colonização. “Depois da colonização, os próprios angolanos não pegaram no que tinham antes dos portugueses chegarem”, o que, no caso das línguas nacionais, acabou por motivar um certo esquecimento geral, sobretudo por parte dos mais novos e nas cidades. E o artista reforça que, num “país em que muito cedo é incutida a cultura, a apresentação [da arte] é diferente”.

Sobre a chama do kuduro que continua viva, apesar de um avanço considerável do hip hop nos últimos anos, “todos estes estilo são a bandeira de Angola. Como Angola e os países africanos são extremamente calorosos, os jovens é que fazem o país acontecer, por serem a maioria, o people move-se mais pelo kuduro do que por outra coisa”, explicou.

Johnny Bravo, kudurista nato, de origens angolanas, é um dos nomes da cena do kuduro que tem crescido atualmente. Com os hits “O Pam” com o angolano Dj Pzee Boy, o kudurista Zoca Zoca e o rapper Uami Ndongadas, “Bloco” e o mais recente “Cuida da tua vida”, Bravo tem tocado nos quatro cantos do mundo, sendo estas músicas escolhidas por coreógrafos de países como Honduras, Estados Unidos, Colômbia, França, Portugal, Bélgica e outros.

Descobre mais sobre o artista neste novo episódio de BANTUMENPodcast.

Relembramos-te que a BANTUMEN disponibiliza todo o tipo de conteúdos multimédia, através de várias plataformas online. Podes ouvir os nossos podcasts através do Soundcloud, Itunes ou Spotify e as entrevistas vídeo estão disponíveis através do nosso canal de YouTube.

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Bruno Dinis
Bruno Dinis
Carrego a cultura kimbundu nas minhas veias. Angolanidade está presente a cada palavra proferida por mim. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, por tanto, não seja recluso da ignorância.

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