Pepetela é doutor honoris pela Universidade do Rio de Janeiro

O escritor angolano Pepetela recebeu por unanimidade o título de doutor honoris pelo Conselho Universitário Federal do Rio de Janeiro, de acordo com um artigo publicado na página oficial da instituição,

Denise Pires de Carvalho, reitora da universidade, mostrou a sua felicidade pela aprovação unânime pelo conselho superior dizendo que foi um título “merecidíssimo” àquele que foi o primeiro escritor angolano a receber um Prémio Camões.

“Nós mesmos, como país, ainda vivemos tentativas dessa prática, e o Pepetela é um exemplo de anticolonialista, um crítico em termos socioculturais que valoriza a identidade nacional”, afirmou Denise.

O professor Fábio Lessa, conselheiro responsável pela relatório do processo, disse que Pepetela tem feito uma literatura que problematiza o social, delineando visões históricas e sociológicas de extrema importância para quem pretende ou está a estudar a cultura e a estrutura angolana, destacando também a carreira do escritor e o facto de mesmo sendo filiado ao partido político MPLA, contraditou ironicamente as práticas politicas dos militantes do movimento.

“Sua produção exemplar encontra-se nos 25 livros de literatura que redigiu e publicou entre 1973 e 2018, nos quais delineou o retrato de sua época a partir de um posicionamento político questionador. Sua literatura rediscute a estruturação da nação angolana e possibilita que o país se repense ao ser defrontado com os seus escritos. A carreira de Pepetela como intelectual é extremamente rica, tendo publicado, desde 1965, vários artigos em jornais e revistas, além de textos didáticos, políticos e/ou de sociologia urbana”, afirmou Lessa.

“Apesar da sua filiação ao Movimento pela Libertação de Angola (MPLA), sua literatura contraditou ironicamente as práticas políticas dos militantes desse movimento, desde o livro Mayombe, escrito entre 1970 e 1971 e publicado em 1980. Algumas de suas discussões abrangem temas como as críticas ao colonialismo português, a luta pela independência, a guerra civil, a corrupção, a apropriação do público pelo Estado e os desvios da utopia que emergira na luta de libertação”, concluiu o professor.

No Brasil, Pepetela é um dos escritores angolanos mais estudos em dissertações e teses sobre o seu legado. O escritor também participou de diversos na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Instituto de História e na Faculdade de Letras.

Pepetela tem 79 anos e é considerado como um dos intelectuais mais importantes dentro da língua portuguesa, tendo lançado mais de 25 livros que receberam a tradução para diversos idiomas e foram editados em vários países de expressão portuguesa.

Pepetela também produziu uma grande quantidade de artigos sobre a sociedade e política de Angola, assim como também teve a sua participação no processo de organizações culturais dentro do país.

Premiado em Angola e no exterior, o escritor é detentor de diversos prêmios literários angolanos como o Prêmio Nacional de Literatura em 1981 e o Prêmio Nacional de Cultura e Artes em 2002.

Em Portugal, recebeu o cobiçado Prémio Camões, no ano de 1997; o Brasil reconheceu o seu talento com duas condecorações como o Prêmio Especial dos Críticos Literários de São Paulo em 1993, a Ordem do Rio Branco o condecorou no grau de Oficial em 2003, o Prêmio Internacional da Associação de Escritores Galegos em 2007, entre outros.

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Bruno Dinis
Bruno Dinis
Carrego a cultura kimbundu nas minhas veias. Angolanidade está presente a cada palavra proferida por mim. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, por tanto, não seja recluso da ignorância.

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