elon musk
BERLIN, GERMANY DECEMBER 01: SpaceX owner and Tesla CEO Elon Musk poses on the red carpet of the Axel Springer Award 2020 on December 01, 2020 in Berlin, Germany. (Photo by Britta Pedersen-Pool/Getty Images)

Tudo o que precisas saber sobre a relação de Elon Musk e as criptomoedas

Não é um exagero dizer que o twitter é, sem sombra de dúvidas, a rede social cuja influência alcança os patamares institucionais mais altos. Durante o seu tempo como presidente dos EUA, Donald Trump causou mais de uma vez incidentes internacionais, um tweet de cada vez. E Elon Musk causa verdadeiros terramotos no mundo financeiro com os seus tweets, principalmente no que diz respeito às criptomoedas. 

A primeira vez que o empresário sul-africano mencionou criptomoedas foi em 2014, dizendo que acreditava que era provavelmente “uma coisa boa”. No momento, muito pouca atenção foi dispensada (comparativamente), sendo que a Tesla ainda não tinha sido batizada como a maior empresa auto (em capitalização de mercado) – mesmo sendo a única desta dimensão com foco único em carros elétricos – e Elon tornou-se uma das figuras mais ditas “visionárias” ao nível tecnológico. 

O sucesso da Tesla, e subsequentemente da SpaceX, legitimou Musk e deu-lhe um poder tremendo no que diz respeito ao mundo de negócios: a capacidade de dispensar juízos de confiança institucional.

Confiança institucional é um factor chave do qual muito pouco se fala mas que é imprescindível para empresas, investidores e todos os outros agentes económicos. É um selo de aprovação, um voto de confiança na instituição, na sua longevidade e na sua capacidade de gerar valor. É o Ás que permite que a Europa e América, com as suas instituições centenárias e muito bem estabelecidas, sejam o centro de operações e investimentos principal do mundo todo. 

Empresas novas precisam de um meio rápido de estabelecer confiança para que investidores e bancos se sintam à vontade para investir, com toda a segurança e certeza de receber os seus dividendos, e de o fazer a longo prazo.

As criptomoedas, com a sua natureza descentralizada, anónima, e altamente volátil, têm sido vítimas da falta de credibilização institucional. 

Apesar de ser claro para quem acompanha as tendências que, produtos como o Bitcoin são o futuro das transações financeiras e comerciais, há uma relutância na sua adopção pela falta de um factor que dê legitimidade na forma como as instituições financeira estão habituadas.

Aí entra Elon Musk: um CEO visionário, com sucesso comprovado, que ao apoio verbal às criptomoedas, junta um investimento de 1,5 bilhões de dólares e o estabelecimento de Bitcoin como modo de pagamento. Foi o coroamento necessário e o mercado financeiro respondeu de acordo: o Bitcoin bateu um recorde de preços, chegando aos $58.000.

Então, é natural que a declaração recente de que a Tesla alienou 10% do seu portfólio Bitcoin e de que já não aceitaria esta como forma de pagamento, tivesse o efeito que teve: o preço caiu em queda livre, alcançando $30.000. A razão: o Bitcoin é mau para o ambiente (de maneira ultra simplificada, a criação do Bitcoin consome muita energia, que não vem, na sua maioria, de fontes renováveis).

É um argumento plausível, e já há muito tem sido usado como uma das razões para a não adoção das criptomoedas. E exatamente por não ser novo, é estranho que Elon mencione como razão, sendo que o mesmo era verdade quando fez os anúncios passados. Tem sido razão suficiente para alguns acusarem o CEO de manipulação do mercado, usando o seu poder para baixar os preços e adquirir mais ações que serão então valorizadas e permitirão mais ganhos em dividendos e (possível) alienação. 

Por outro lado, há muito que apontam que o preço da criptomoeda estava no caminho da autocorreção, e que os tweets de Elon foram mero catalisador.

Sendo que não há uma resposta conclusiva, é fácil ligar Elon como o Lorde e senhor de criptomoedas (ou pelo menos a sua percepção e credibilidade), com os bancos, hedge funds e investidores mais tradicionais a usarem os seus tweets como lei sobre o futuro do Bitcoin e os seus contemporâneos. 

Mas a verdade é que pode ser o mero caso de Elon ser um early adopter proeminente, cuja influência diminuirá com o tempo. 

Entretanto, é importante lembrar sempre que, as criptomoedas já fizeram milionários, independente da Tesla e do seu CEO e têm sido adotadas (a uma velocidade incrível) em países menos desenvolvidos (especialmente em África), onde criam imenso valor e têm um potencial de crescimento e volume de negócios astronómico. 

O mundo e o mercado têm colocado o Bitcoin e contemporâneos como o futuro das transações e isto será verdade, quer Elon Musk faça tweets do seu apoio ou não. Afinal de contas quem dita a utilidade e valor são os utilizadores, e não (só) os CEOs com capital social. 

A relação Elon e Cripto parece ser um casamento a caminho do divórcio. 

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Joyce Pinto
Joyce Pinto
Graduada em Administração, mestranda em Gestão. Analista de mercados, empreendedora e escritora. Amante de livros, internet culture e política.

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