Sha’Carri Richardson, uma campeã que corre para esquecer o abandono e as tendências suicidas

Sha’Carri Richardson tornou-se viral nas redes sociais depois de ter-se qualificado para as Olimpíadas de Tóquio, durante a seleção dos EUA para os 100m, no passado sábado, com a marca de 10’86s.

A velocista fascina a media norte-americana, que vê na atleta a possibilidade de voltar ao pódio olímpico, mesmo que Sha’Carri tenha ficado a uns longos 23 centésimos de segundo distante da rival jamaicana Shelly-Ann Fraser-Pryce. Contudo, o encanto da comunicação social é por muito mais do que uma simples velocista. Além de um passado marcado pelo abandono e um constante combate contra a deterioração da sua saúde mental, a “rapariga mais rápida do Texas”, tal como é apelidada, tem 1,55m de altura, uma cabeleira que vai alternando entre os tons de azul, ruivo, loiro e preto, tatuagens, piercings, longas pestanas e unhas telescópicas que se tornaram assunto de conversa na Internet.

Com 21 anos, Sha’Carri Richardson tem uma história de vida já calejada. Nasceu em 2000, em Dallas, Texas, foi abandonada pela sua mãe e criada por Betty, a avó.

Aos nove anos, ao tropeçar numa caixa com antigas medalhas conquistadas pela tia, Sha decidiu começar a correr. Corria para atenuar a raiva e para fugir às perguntas que a assombravam sobre o seu nascimento.

Treinou intensamente, desgastou a pista, foi de pódio em pódio, até que aos 19 anos conquistou o recorde universitário nos 100 metros. Em abril de 2020, a atleta alcançou o 6.º melhor tempo do mundo. Contudo, por trás disso está sempre a busca incessante de identidade, um sofrimento que a leva a ter pensamentos suicidas. Uma angústia da qual acabou por fazer uma causa: falar sobre a saúde mental dos atletas, lembrando-nos que, numa área onde apenas olhamos para o físico, o estado mental é parte integrante do desempenho.

No sábado, surpreendeu todos depois da sua vitória, revelando que a mãe havia acabado de morrer e que estava a viver os dias mais difíceis da sua vida.

O seu maior sonho é agora poder oferecer aos Estados Unidos a primeira medalha olímpica nos 100 metros desde há 25 anos. Gail Devers conquistou o pódio em Atlanta, em 1996, Sha’Carri Richardson nem era ainda nascida. O que pode ser mais um factor a causar pressão no seu desempenho, no entanto Sha segue firme no objetivo, porque é “na faixa” que a atleta se diz sentir em paz.

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