PJ Mussungo, o artista que quer defender a bandeira do Afrosoul

Pascoal Mussungo, que no mundo da música é conhecido como PJ Mussungo, é o nome do artista angolano que apresentamos-te hoje. Natural das Ingombotas, foi há cerca de 21 anos que Mussungo decidiu aventurar-se na música, mas só há 12 decidiu apostar numa carreira profissional.

Tudo começou, como grande parte dos músicos em Angola, através de um grupo coral, no caso, “A Voz dos Anjos”. Empurrado pelo feedback positivo dos amigos e familiares, no mesmo ano em que Mussungo decidiu revelar-se ao mundo como músico, subiu ao palco do aclamado Festival da Canção da rádio LAC. Não chegou ao pódio, mas ficou entre os dez artistas finalistas daquela edição. Entretanto, em 2013, em parceria com a Made to Fly Entertainment, uma agência Sul Africana, lançou o seu primeiro álbum pela Befu Music; em 2014, foi convidado a participar nas comemorações dos 20 anos de carreira do cantor congolês Lokua Kanza, em Kinshasa, durante a oitava edição do Festival de Jazz e, em 2015, estreou-se no Fiet (Festival Pan African de Kinshasa), na República Democrática do Congo.

É no Afrosoul que Mussungo se reencontra enquanto artista. A fusão rítmica assente em sonoridades africanas ancestrais e que caminha ao lado de ritmos contemporâneos como “soul jazz, blues, kilapanga, semba e as dissonantes que passaram a marcar a nossa música”, é a de maior impressão na sua música.

Pascoal disse que canta com amor as histórias de amor que lhe ocorrem na mente, de preferência, com uma mensagem de esperança e bem estar à mistura. É em nomes sonantes como Filipe Mukenga, André Mingas, Waldemar Bastos, Zé Kafala, Lokua Kanza e Richard Bona que se inspira.

O seu talento já o levou a ser nomeado nos Angola Music Awards de 2013 e Top Rádio Luanda de 2014, na categoria de Melhor AfroJazz.

Em 2017, o artista realizou o seu primeiro grande concerto, na Cidade do Cabo, na África do Sul.

A sua discografia conta já com vários trabalhos soltos, além do álbum PJ Mussungo 1977. Nos últimos tempos, está a preparar o seu próximo trabalho, o EP Befology 77, que estará disponível em julho deste ano.

Antecedido pelos temas promocionais, “New Generation”, “Nambuangongo” e “Gratidão”, o EP de PJ é uma viagem rítmica africana, que recorre a várias fusões “onde a simplicidade é a tónica dominante”.

“Tematicamente inspirado na filosofia Ubuntu, Befology 77 é uma espécie de contextualização da matriz dos povos africanos. “Befology” deriva do termo befo, que significa ‘nós’ em Ibinda, língua falada mais ao norte de Angola, precisamente na província de Cabinda, onde é originaria a minha parte materna”, explicou-nos PJ Mussungo.

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Bruno Dinis
Bruno Dinis
Carrego a cultura kimbundu nas minhas veias. Angolanidade está presente a cada palavra proferida por mim. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, por tanto, não seja recluso da ignorância.

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