Como Robinhood transformou o ato de investir

A Robinhood é uma aplicação americana criada em 2013, que permite investir no mercado de ações de maneira simples, rápida e barata e tem sido para muitos jovens o primeiro contato com investimentos e um meio de efetivamente democratizar o acesso ao mercado.

Ao permitir a investidores singulares comprarem frações de ações sem rodeios e sem compromissos a longo prazo, ela retira do caminho intermediários como bancos e corretoras e aumenta grupo de pessoas que atua no mercado e que o fazem com mais liberdade por não terem investimentos significativos a perder quando comparado a grandes investidores. Os investidores podem começar com até um dólar, um facto que permite com que pessoas de todas as classes participem no mercado, promoções dão pequenos prémios a quem trouxer outros utilizadores. Esta facilidade no mundo das redes sociais criam comunidades inteiras de utilizadores que trocam dicas sobre investir e originou uma subcultura que tem cada vez mais ganhado poder, e que o demonstrou de maneira memorável no início do ano. 

Quando, ao notar que hedge funds estavam numa posição short pesada em acções da GameStop e AMC Entertainment – traduzindo, investidores assumem uma posição estratégica short quando especulam que o preço de uma ação vai cair e pedem emprestado estas ações, vendem-nas ao preço atual com a suposição de até à altura de terem de as devolver, o preço estará em queda livre e pagaram um preço menor – um grupo no reddit decidiu instigar uma subida nos preços, que além de salvar as respetivas empresas de uma falência certa, causou prejuízos significativos para firmas estabelecidas como a Melvin Capital.

Foi uma situação inédita por várias razões: nunca antes a ação de pequenos investidores teve tanto impacto no mercado e nunca antes grandes empresas estiveram tão incapazes de resposta, apesar da magnitude dos seus recursos.

Investir em ações é um jogo e as firmas são, no geral, os únicos jogadores, que criam as suas próprias regras. Aplicações como a Robinhood têm permitido mostrar, mesmo que apenas durante algumas semanas, e em situações muito especificas, um mundo em que isto não é verdade. O mercado de ações funciona graças a um grupo de regras que é em muito ditada por um grupo muito restrito e que detesta volatilidade. Estratégias como short selling funcionam porque apesar de haver risco, geralmente, as firmas que as utilizam são tão massivas que não têm oposição capaz de agir no sentido contrário de maneira tão agressiva quanto. 

E aqui entram aplicações como a Robinhood, que permitem que milhares de pequenos investidores, do conforto da sua casa montem um movimento contrário grande o suficiente para fazer o que parecia impossível.

Não que a aplicação e a companhia por detrás dela, a Robinhood Markets Inc, sejam perfeitas ou sequer menos moralmente questionáveis que as firmas que estão indiretamente a dificultar a sua vida: a Financial Industry Regulatory Authority entidade responsável de fiscalizar a atividade aqui em causa, penalizou-a ao tom de 70 milhões de dólares americanos por má prática com os seus clientes.

A verdade é que a Robinhood é massiva, com 18 milhões de utilizadores ativos – e à beira da sua IPO (Initial Public Offering) – vai tornar-se ainda maior. E com uma amostra tão memorável do poder de pequenos investidores e de histórias de sucesso estonteantes (por causa do pé de guerra com as ações da GameStop, alguns usuários tornaram-se milionários literalmente do dia para a noite) é esperado que o número de utilizadores aumente exponencialmente. 

Wall Street que preste atenção e se adapte como puder. Se não o fizer… como HG Wells disse, é “adaptar-se ou morrer”.

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Joyce Pinto
Joyce Pinto
Graduada em Administração, mestranda em Gestão. Analista de mercados, empreendedora e escritora. Amante de livros, internet culture e política.

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