Mulheres negras processam Johnson & Johnson no caso do pó de talco cancerígeno

Nos Estados Unidos, uma organização de mulheres negras acaba de entrar na justiça com um processo contra a gigante Johnson&Johnson, devido às campanhas de marketing do pó de talco, potencialmente cancerígeno, que durante décadas foram, alegadamente, direcionadas à comunidade negra – com ofertas de amostras grátis em salões de beleza, campanhas de rádio, entre outras iniciativas.

O Conselho Nacional de Mulheres Negras (NCNW), entrou com uma ação na terça-feira, 27, no Tribunal Superior de Nova Jersey. A organização afirma no processo que vários dos seus membros que usaram há anos talco para bebé da Johnson&Johnson agora sofrem de cancro do ovário.

“Documentos internos demonstram que a J&J direcionou esses anúncios para mulheres negras, sabendo que as mulheres negras eram mais propensas a usar os produtos em pó e usá-los regularmente”, afirma a denúncia. “Esses produtos em pó de talco não eram seguros”, declara o NCNW.

O processo do NCNW acontece três anos depois que um tribunal do Missouri ordenou que a Johnson & Johnson pagasse 4,7 bilhões de dóalres em danos a mulheres num caso semelhante. O valor da indemnização foi posteriormente reduzido para 2,1 bilhões.

O advogado de direitos civis Ben Crump, baseado na Flórida, é o representante da NCNW no caso. A organização processa a Johnson & Johnson por negligência, falha em avisar os clientes sobre um possível defeito num produto e fraude ao consumidor. O processo não especifica o valor monetário exato que a organização reivindica como indenização.

“Este processo é sobre a vida das nossas avós, mães, esposas, irmãs e filhas – todas as quais foram cinicamente visadas pela Johnson e Johnson”, disse Crump numa conferência de imprensa realizada na terça-feira em Washington, DC . “O tempo todo, os executivos da empresa sabiam do risco de cancro do ovário por causa do talco”, afirmou o advogado.

De acordo com a CBSNews, a empresa já reagiu e negou que os produtos possam causar cancro. “As acusações feitas contra a nossa empresa são falsas, e a ideia de que a nossa empresa visaria propositadamente e sistematicamente uma comunidade com más intenções é irracional e absurda”, afirmou a empresa.

Este caso traz à tona a falta de transparência de empresas que produzem e comercializam produtos de cosmética, higiene, saúde, limpeza e até alimentares. Recorde-se o caso Monsanto, uma das empresas mais lucrativas dos EUA – e que pertence à Bayer -, acusada de massificação de produtos químicos potencialmente perigosos para a saúde – com uma forte incidência cancerígena -, sobretudo na indústria agrícola.

No combate a estes produtos nocivos (tanto alimentares, como cosméticos), há já vários aplicativos disponíveis que ajudam a decifrar os componentes potencialmente perigosos, enumerando os riscos que estes representam para a saúde humana – cuja maioria incide em cancros, perturbadores endócrinos, alergias e irritações. Um dos aplicativos mais conhecidos é o francês Yuka que, ao scanear códigos de barras de alimentos e produtos de higiene/beleza, decifra as informações nutricionais e emite em segundos uma avaliação sobre seu impacto na saúde.

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