Katharyna Araújo, uma campeã entre os ringues e a Netflix

“Estava cansada da forma que as pessoas me tratavam por causa da forma como eu me tratava a mim mesma.” Poderia ser uma frase inspiracional de qualquer pensador contemporâneo propagandeada no prefácio de um bestseller de auto-ajuda, mas é uma frase pessoal e que resume o nascimento de uma campeã: Katharyna Araújo.

Angolana, a viver na África do Sul, em Joanesburgo, Khataryna é uma lutadora. No sentido literal e figurativo. Depois de anos a lutar contra o excesso de peso – que a levou a tentar o suicídio -, os ringues de boxe, muay thai e o tatâmi de jiu-jitsu, foram os seus aliados para agarrar-se à vida.

Natural da zona luandense de São Paulo, aos 13 anos começou a treinar taekwando, passou entretanto para o boxe, kickboxing e jiu-jitsu brasileiro. Este último despertou-lhe o interesse. “Não tinha de levar socos na cara para gostar do que estava a fazer”, disse entre risos na entrevista dada à BANTUMEN. Chegou a treinar tudo ao mesmo tempo, num ritmo frenético de seis horas por dia, até perceber que no jiu-jitsu conseguia aliar o treino físico ao mental. “Quando entrei no meio do jiu-jitsu entrei num meio de pessoas que só falavam coisas positivas, coisas boas, de progresso de inspiração”, explica.

Para si, o importante é conseguir realizar os seus sonhos e a sua força de vontade é palpável. Todos os meios são possíveis para chegar ao objetivo. Para competir no campeonato do mundo de Abu Dhabi em 2016, Katharyna chegou a pedir dinheiro nos semáforos em Luanda, conseguiu a quantia que precisava e conquistou o primeiro lugar – primeira africana a ganhar um título mundial na categoria absoluto.

Segundo lugar nos campeonatos do mundo de Jiu-Jitsu de 2017 e 2018, hoje com 25 anos, Khataryna continua a lutar mas quer também dar lugar a outros sonhos, como o da atuação. Atualmente, faz parte do elenco de duplos da série “Queen Sono”, da Netflix, registando-se como a primeira angolana a participar numa série original da gigante do streaming.

No vídeo da entrevista, vais ouvir Katharyna a explicar na primeira pessoa como conseguiu sair de uma espiral de pensamentos e ações negativas para se transformar numa guerreira com uma auto-estima inabalável e como saltou dos ringues para os écrans.

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Maria Lopes Yange
Maria Lopes Yange
Para a Lopes Yange: Sou M. De Mulher, de Moderna, de Malala (porque não?)...Sou M de Maria.

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