Adquirir conhecimento não é suficiente, agir é preciso e é isso que Bruce Reynolds tem feito em prol da comunidade

Fala-se cada vez mais de enaltecer a cultura africana e abraçar a herança deixada pelos antepassados e há agora um projeto internacional que quer ajudar a criar uma união global entre a comunidade afrodescendente para celebrar essa herança cultural e história. 

Já falámos aqui do International Black Heritage + History Month (IBHHM), que é uma plataforma criada pelo britânico Bruce Reynolds, que divulga filmes, documentários, podcasts, música, conteúdo factual e artigos, com a missão de mostrar as raízes da cultura da diáspora africana.

Além de divulgar a arte no seu todo, o projeto é uma ponte cultural, “porque muita gente não sabe o quão vasto e grande é a diáspora africana à volta do mundo. Não há só afro-americanos ou afro-europeus, temos também os afro-cubanos, afro-colombianos, afro-mexicanos, sem esquecer todas a ilhas do Caribe e a própria diáspora à volta do continente africano, europeu e americano. Estamos em todo o sítio. E o IBHHM quer ser e criar essa ponte cultural, dar uma plataforma e uma voz a todos nós”, explicou-nos Bruce. 

Em Portugal, a história do país está profundamente ancorada no seu passado esclavagista e colonial e num presente onde a sociedade, entorpecida pelo seu ego imperialista, teima em não reconhecer as consequências dramáticas desse período no seio da comunidade negra estabelecida no país. Ainda há muito por falar, discutir e ensinar quanto à verdadeira história de África e à colonização portuguesa.

E é nesse campo que Bruce e a sua plataforma querem ser um lugar de fala. “A nossa plataforma pode até ser usada como uma plataforma de educação para que se possa perceber o que aconteceu e como aconteceu ou até mesmo de alguma forma ajudar a sarar as feridas e unir a comunidade PALOP. Porque o contributo de África na Europa é muito grande”. 

Nelson Mandela uma vez disse que: “Nenhum poder na Terra é capaz de deter um povo oprimido, determinado a conquistar a sua liberdade”. E para Bruce e IBHHM: o caminho para a liberdade é reconhecer que algo está errado e fazer para mudar essa realidade. E uma forma de obtermos essa liberdade ou um dos caminhos para, é celebrar essa herança, que pode começar por celebrar o mês da história africana.

E quando se fala de liberdade é também da financeira, começando por diversificar mais os negócios de empreendedores negros. Felizmente muitos são os negócios da comunidade que têm nascido e surgido, “é necessário e é importante que se tenha noção do que se está a fazer até para prestar um bom serviço ao seu cliente, porque isso vai fazer com que os clientes voltem a consumir: bom atendimento e qualidade. Mas também é importante perceber que há mais negócios sem ser estética, roupa, cabeleireiro ou comida, embora sejam importantes. Mas há mais por onde procurar e investir. As tecnologias são por exemplo um bom meio, hoje em dia a tecnologia é o futuro, a programação, entre outros. E precisamos de ter ou ver mais negros em cargos no tribunal, na advocacia e etc”.

Para além disso Bruce Reynolds sabe que celebrar o mês da história africana mas reconhece que as narrativas são diferentes de país para país. “A nossa herança é o que nos une. E olhando para nós agora, estamos a seguir em frente, lembrando do nosso passado para criar o nosso futuro. E assim vamos criando novas histórias todos os dias. Por isso é importante que tenhamos algo pelo que celebrar agora, até para conseguirmos criar algo positivo.”

Sobre o que resta fazer para ter uma perspetiva de futuro próspero, Bruce realça: “Requer que cada um faça a sua parte, porque o que pode ser mudança para mim, para ti pode ser outra coisa diferente. O que diferencia são os sapatos que cada um calça e as diferentes experiências da vida. Eu acho que o mais  importante é que todos os dias, após acordar, consigamos pensar que mudanças podemos fazer de forma a ter um bom impacto na vida do outro.”

Bruce confessa que, para si, educação e ação andam de mãos juntas, porque não basta ler livros no sofá e acumular conhecimento. É preciso pegar na informação recebida e agir.

Para perceberes um pouco mais sobre o projeto Black Heritage + History Month clica aqui e faz play no vídeo abaixo.

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Wilds Gomes
Wilds Gomes
Sou um tipo fora do vulgar, tal e qual o meu nome. Vivo num caos organizado entre o Ethos, Pathos e Logos - coisas que aprendi no curso de Comunicação e Jornalismo. Do Calulu de São Tomé a Cachupa de Cabo-Verde, tenho as raízes lusófonas bem vincadas. Sou tudo e um pouco, e de tudo escrevo, afinal tudo é possível quando se escreve.

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