Chef Octávio Neto
Foto: DiValdo Francisco para BANTUMEN

“A maior parte dos restaurantes são para fazer dinheiro e não para oferecer experiências diferenciadas”, Chef Octávio Neto

Recentemente, o Chef angolano Octávio Neto e o restaurante que representa, o Bessangana, em Luanda, venceram três categorias no evento anual Angola Restaurant Week, incluindo a de Melhor Restaurante – que venceram pela segunda vez consecutiva.

Projetado para garantir que – pelo menos durante aquela semana do ano – todos os bolsos podem ter acesso a uma experiência gastronómica premium e por um valor simbólico, o Restaurant Week tem como objetivo distinguir o estabelecimento que oferece a melhor experiência aos clientes e, por consequência, ajudar a dinamizar a indústria da restauração no país. Na edição de 2021, o Bessangana conseguiu fazer um hat trick: Melhor Restaurante, Melhor Prato Principal e Melhor Entrada [no circuito anual de restaurantes angolanos]. Isto, com a confeção de pratos gourmet inspirados na comida tradicional angolana, como o funge com ovo e chouriço; feijão Soroco e puré de maxanana, linguado com gratinado de batata doce e maga grelhada com queijo.

Em declarações à BANTUMEN, o Chef Octávio exprimiu o sentimento de gratidão e o que significa esta vitória. “Primeiro, é a responsabilidade que aumenta, depois é um misto de sensações. É sentir que o esforço e as várias horas de trabalho afinal valem a pena”, disse.

Neto considera especial este prémio pelo facto de, juntamente com a sua equipa, ter enfrentado um grande desafio que quase lhe custou a participação no evento, mas conseguiram dar a volta por cima e continuar a empreitada.

“Entrámos no evento com um atraso de dois ou três dias porque estava com excesso de trabalho e não foi fácil fechar o menu. Por isso, esse prémio é muito especial. Se não estou enganado, é a primeira vez que alguém consegue ganhar três prémios no mesmo ano. Estamos muito felizes”, explicou.

Numa fase em que a gastronomia angolana vive bons dias – cada vez mais profissionais nacionais têm destaque nas cozinhas dos melhores restaurantes do país e há cada vez mais eventos dedicados ao setor – Octávio Neto considera que os estabelecimentos ainda têm o no lucro a principal meta, descurando a atenção dada ao cliente. “A maior parte dos restaurantes são apenas para fazer dinheiro e não para oferecer experiências diferenciadas. E quando falo de experiências, não falo só da cozinha falo também do atendimento. Respeito porque cada um sabe do seu negócio, mas estamos num ciclo onde quase tudo é igual, poucos querem arriscar. A profissão de cozinheiro não é uma profissão de acertos. Erras quatro ou cincos vezes para acertar apenas uma, então não se pode ter medo de criar, mas a restauração está a crescer bastante só que nem sempre com muita qualidade”, explicou.

Contudo, Octávio acredita que o know how angolano possa vir a ser cobiçado nos mais altos patamares mundiais, mas que esse sucesso depende não só dos profissionais mas também dos incentivos proporcionados pelo ministério que rege o setor profissional.

“Temos uma grande riqueza a nível de ingredientes, mas ainda temos muito trabalho pela frente. Precisamos de um Ministério da Hotelaria a dar muito mais apoio, precisamos de jornalistas gastronómicos, precisamos de nivelar preços, precisamos de mais divulgação da nossa gastronomia a nível internacional e precisamos de ter cada vez mais referências na cozinha angolana. Eu acredito que seja esse o caminho”, concluiu.

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Bruno Dinis
Bruno Dinis
Carrego a cultura kimbundu nas minhas veias. Angolanidade está presente a cada palavra proferida por mim. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, por tanto, não seja recluso da ignorância.

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