Kandonga, o cocktail que quer valorizar “o que é nosso”

Kandonga, palavra que se tem muito ouvido e lido dentro da comunidade PALOP em Lisboa, nos últimos meses, é angolana. Remete às memórias da vida na banda, onde as ruas se misturam entre os kandogueiros (motoristas de táxis/minivans ) e zungueiras (vendedoras ambulantes), que são a referência do país.

A bebida é um cocktail frutificado com álcool e, apesar do nome ser de inspiração angolana, nela agrega todos os PALOP, num sentido de união das suas virtudes e elementos tradicionais para alavancar a prosperidade da comunidade.

Os fundadores da marca são jovens empreendedores, que querem marcar a diferença e a forma como as pessoas olham para o negócio feito por negros. O objetivo principal é mostrar que é possível criar sinergias dentro da comunidade, diversificando o mercado de negócios e, por consequência, fomentando a liberdade financeira da comunidade.

Para percebemos o que se passa por trás da Kandonga e da sua história, a BANTUMEN foi ao encontro de alguns membros da equipa numa das suas “sentadas” (convívios/festas), em Lisboa.

Team Kandonga / Foto: Olson Ferreira
Team Kandonga / Foto: Olson Ferreira

Com um vasto percurso no mundo da hotelaria, Jorge Pina, quis criar algo que pudesse chamar de seu. Nas vezes em que nas festas, em casa ou entre amigos, ficou incumbido de tratar da sede dos convivas, foi entre as suas experiências aromáticas, que caiam no goto de todos, que Pina decidiu que aquele seria o tipo de negócio em que arriscaria aventurar-se.

“O Jorge é o grande criador da receita da Kandonga. Primeiro começaram por fazer “sangrias, mojitos… e o Jorge sempre quis ter algo seu. E como fazíamos grandes festas, as pessoas perguntavam sempre [sobre as bebidas que misturavam] e ele acabou por criar a receita”, explicou-nos Gianni Fernandes, co-fundador da Kandonga.

Após a criação de várias receitas e de vários testes, Jorge reuniu o seu grupo de amigos, a quem apresentou as ideias e em conjunto decidirem o rumo que iam dar a partir dali. Com o produto finalizado, os amigos foram os primeiros a provar a bebida e foi a sua reação positiva que deu o pontapé de partida para a comercialização do produto.

Kandonga Original e Badjuda / Foto: Olson Ferreira
Kandonga Original e Badjuda / Foto: Olson Ferreira

Neste momento é uma marca registada que se quer posicionar no mercado, como uma marca inovadora “de jovens criativos” que fazem questão de trabalhar “com os nossos, de valorizar primeiros os nossos”. Para Gianni é importante essa representatividade e união entre a comunidade, para que cada vez seja mais fácil remarmos todos na mesma direção.

“Kandonga Original” foi a primeira receita a ser feita, composta por múcua/calabacera, com especiarias, citrinos e pode ou não conter alguns frutos secos. O feedback, até então, tem sido maior e melhor do que alguma vez pensaram e por isso decidiram criar outra receita, intitulada “Badjuda”. No crioulo da Guiné-Bissau, o nome significa mulher, e a bebida é inspirada na mulher africana, composta por frutos vermelhos e hibiscos.

A longo prazo “gostávamos muito de ver a Kandonga em supermercados, em bares, em discotecas, e gostávamos de importar em grande escala” confessa-nos Gianni, um dos desejos que tanto ele como o resto da equipa partilham. Para eles, o caminho está ser feito e o trabalho também, para que o crescimento da bebida seja uma vitória de todos para todos, dentro da comunidade e não só.

Abaixo podes ver a entrevista vídeo na íntegra, a um dos membros da Kandonga, Gianni Fernandes.

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Wilds Gomes
Wilds Gomes
Sou um tipo fora do vulgar, tal e qual o meu nome. Vivo num caos organizado entre o Ethos, Pathos e Logos - coisas que aprendi no curso de Comunicação e Jornalismo. Do Calulu de São Tomé a Cachupa de Cabo-Verde, tenho as raízes lusófonas bem vincadas. Sou tudo e um pouco, e de tudo escrevo, afinal tudo é possível quando se escreve.

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