Festa do Avante de volta com maior lotação e mais artistas negros

A festa do AVANTE é um dos primeiros e maiores eventos do género realizados em Portugal – a primeira edição aconteceu em 1976 – e este ano o cartaz contou um leque significativo de artistas com origens nos PALOP. A maioria subiu ao palco neste sábado, 4.

Ao contrário do atípico ano anterior, em que a festa realizou-se com a mais baixa lotação de sempre, 23 mil pessoas, aliada a uma transmissão digital (devido às restrições sanitárias impostas pela DGS para combater a propagação da covid-19), a edição de 2021 teve uma lotação máxima de 40 mil visitantes.

Não é a primeira vez que o cartaz do evento contempla a participação de artistas lusófonos além Portugal, no entanto, este ano, surpreendeu pela quantidade. São eles HMB, Bateu Matou, Paulo Flores, Yuri da Cunha, Prodígio, Pretú Xullaji, Scuru Fitchado, Dino D´Santiago, Cachupa Psicadélica, Tristany, Aline Frazão, Toty Sa´Med e Karyna Gomes.

Tal como se pode ler na página do Avante, a festa prima pela capacidade em reunir o mais vasto e variado, o mais fraterno e o mais social e etariamente representativo público, ao mesmo tempo que, destaca o mais representativo da música que se faz em Portugal e no mundo.

Os artistas mencionados tiveram as suas atuações concentradas, sobretudo, na sexta e no sábado. Paulo Flores fez-se acompanhar por Yuri da Cunha e Prodígio, levando o melhor do semba à Atalaia – zona onde o evento se realiza há vários anos.

Pretú Xullaji também subiu ao palco principal do festival, que revelou-se pequeno para o talento e energia do artista multidisciplinar mas também dos seus convidados. Destacamos a riqueza vocal de Dino D’ Santiago, a exótica performance de Tristany ou ainda a incomparável presença de Lula’s, vocalista dos Cachupa Psicadélica. Este último, para rematar a atuação fez-se acompanhar por um dançarino, num registo artístico híbrido, erudito e ligado ao balé tradicional de Cabo Verde.

Por sua vez, Aline Frazão assinalou dez anos de música e convidou, entre outros, Toty Sa’Med e Karina Gomes para celebrar essa caminhada. O registo intimista e tradicional dos artistas fez as delícias do público. A destacar que a atuação do trio, com o nome Ndapandula, [obrigado em umbundu], aconteceu em tributo a Waldemar Bastos, ícone de música angolana falecido a 10 de agosto de 2020.

O festival do Avante é organizado pelo Partido Comunista Português, que este ano celebra o seu centenário. No espaço, foram erguidas 100 bandeiras comunistas, para assinalar a data. Além da maior número de artistas negros, o festival também acolheu artesanato e gastronomia dos PALOP.

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Maria Barbosa
Maria Barbosa
Irrequieta, consciente e com muita sede de aprender! Encontrei na liberdade criativa da BANTUMEN uma das minhas mais valiosas oportunidades de mudar o mundo.

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