Avenida Almirante Reis, Lisboa | ©Sérgio Afonso
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Iniciativa ReMapping Memories Lisboa-Hamburg tem agora espaço online

ReMapping Memories Lisboa – Hamburg, uma iniciativa do Goethe-Institut Portugal, que, em Lisboa, conta com a coordenação da editora e investigadora Marta Lança, está agora disponível para o público em geral através de um sítio na Internet.

O projeto, que arrancou em maio com um ciclo de debates, apresenta ao público a página web que está no centro do seu trabalho de continuidade. O projeto digital apresenta mapas das cidades de Lisboa e Hamburgo que criam novas percepções e novos estudos sobre lugares de memória e a colonialidade. No site serão publicados artigos sobre lugares de memória (pós)coloniais, mais ou menos evidentes, com abordagens que os contextualizam, analisam e acrescentam contra-narrativas ao processo de memorialização do espaço urbano.

Arte de Francisco Vidal

A iniciativa propõe pensar a relação da cidade com a colonialidade: o modo como o colonialismo, a resistência anticolonial e a presença africana são transmitidos na memória coletiva, nos vestígios materiais e no espaço público das cidades portuárias de Lisboa e Hamburgo. Partindo destes dois antigos centros do colonialismo europeu, o projeto procura evidenciar como as relações de poder de matriz colonial perduram até hoje, em ambas as cidades, e encontrar modos de inscrever outras histórias no debate sobre as disputas de memória e estratégias de descolonialização das cidades europeias.

O website ReMapping Memories Lisboa – Hamburg é bilingue (português-alemão) e inclui artigos, ensaios e reportagens produzidos por uma diversidade de agentes culturais, investigadores, ativistas, escritores e jornalistas. Entre as primeiras publicações estão artigos do investigador Eduardo Ascensão, das escritoras Gisela Casimiro e Yara Monteiro, da jornalista e criadora do projecto Afrolink, Paula Cardoso, das investigadoras Filipa Lowndes Vicente, Helena Wakim Moreno e Sónia Vaz Borges, do escritor e conselheiro para a Cultura e Comunicação do Presidente da República de Cabo Verde Joaquim Arena e dos investigadores Afonso Dias Ramos e António Carmo Gouveia, entre outros.

Inclui também entrevistas a António Brito Guterres, Apolo de Carvalho, Ariana Furtado, Beatriz Gomes Dias, Cristina Roldão, Eduardo Ascensão, Elsa Peralta, Jean-Yves Loude, João Pedro George, José Eduardo Agualusa, Kiluanji Kia Henda, Luzia Gomes, Luzia Moniz, Mamadou Ba e Nuno Simão Gonçalves.

O projeto tem ainda uma forte componente visual com intervenções do artista Francisco Vidal e fotografias e vídeos de Rui Sérgio Afonso, complementados por imagens de arquivo.

A seleção dos lugares de memória tem lugar em diálogo com um conselho consultivo em Lisboa e um grupo de consultores em Hamburgo, mas também em estreita troca com os autores. As pessoas afetadas pelas continuidades coloniais são um pilar central deste projeto, participando como artistas, conselheiros, autores e entrevistados. Também aqueles que há muitos anos problematizam os legados do colonialismo e praticam a resistência anticolonial no espaço público, fazendo um trabalho pioneiro e de investigação que muitas vezes não tem o devido reconhecimento, encontram o seu trabalho refletido neste projeto.

Estes projetos e discussões mostram a crescente consciência de que as cidades, tal como os museus e os arquivos, estão em processo de discussão de descolonização das suas representações e figurações, um tema que começa a ganhar cada vez mais destaque nas cidades europeias. O projeto ReMapping Memories Lisboa – Hamburg pretende, assim, contribuir para este esforço através de um intercâmbio de ideias.

ReMapping Memories Lisboa – Hamburg conta com a consultoria de António Sousa Ribeiro, Inocência Mata, Isabel Castro Henriques e Judite Primo, em Lisboa. Em Hamburgo, conta com a consultoria de Anke Schwarzer, Hannimari Jokinen, Jonas Prinzleve e Noa K. Ha.

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Equipa BANTUMEN
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