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Almir André: quando os rascunhos da vida se transformam em arte

Música é a combinação de ritmo, harmonia e melodia. No sentido amplo, é a organização temporal de sons e silêncios (pausas). No sentido restrito, é a arte de coordenar e transmitir efeitos sonoros, harmoniosos e esteticamente válidos, podendo ser transmitida através da voz ou de instrumentos musicais.

A música é também uma manifestação artística e cultural de um povo, em determinada época ou região e um veículo usado para expressar sentimentos. Esta explicação acontece aqui para que possas entender as escolhas de Almir André, cantor e rapper angolano, que faz da música vida, em todos os sentidos. Além de cantar, estuda-a, tenta perceber como tudo nela funciona e coordena, de forma a conseguir ter o som exacto daquilo que previamente idealizou.

A música para Almir é algo íntimo, algo que sempre esteve dentro de si e só precisava de alguma coisa para acordar, de estímulos externos. Começou primeiro por acompanhar artistas angolanos pela televisão e foram eles que o incentivaram e o despertaram para olhar para o mundo música além do pouco que já sabia. É o caso dos célebres SSP, entre outros grupos e artistas da altura.

Tudo começou na base da curiosidade, por meio de um desafio que Almir fez a si próprio: fazer ou reproduzir o que via e ouvia, por saber que era capaz. “Meio que me desafiei, por gostar tanto do que via e ouvia. ‘Tenta, tu também consegues fazer algo assim. Algo bonito’. Daí surgiu a minha primeira composição”.

Essa primeira experiência foi com uma letra de kuduro, estilo predominante na altura em Angola. Não haviam casas em que na coluna não ecoassem os sons de Bruno M, Os Lambas, entre outros. Almir André tinha dez anos. Escreveu e quis fazer um “kuduro bonito e organizado”, como o próprio diz, muito influenciado pela estrutura musical que Bruno M tinha.

Já na segunda composição, o jovem percebeu que não era esse o género que queria seguir e sim o rap. “Sem querer desmerecer o kuduro, que é um estilo top, sinceramente, na altura não sentia que o kuduro expressava o tipo de mensagem que eu se calhar queria passar. Independentemente de ser uma mensagem, digamos, de intervenção social, política ou sobre assuntos emocionais. Eu sentia que o kuduro era mais focado no ritmo, por esse motivo é que vi-me a tentar fazer [na altura] um kuduro parecido ao que o Bruno M fazia, que era algo com mais conteúdo. Foi aí que notei que o rap era o que podia proporcionar-me esta possibilidade, de criar uma composição com mais corpo, mais essência. Daí, mergulhei no rap”.

Almir confessa que entrou no mundo do Rap de diferentes formas. Primeiro para tentar fazer o “Hip Hop puro e cru”, tal e qual como era na origem e ao que o artista estava a habituado a consumir. Depois, rapidamente viu que precisava de uma vertente mais melódica e acrescentou o RnB àquilo que já fazia. Ao longo do tempo, aperfeiçoou as suas habilidades vocais e aprendeu sobre teoria musical. Não estudou a música no seu todo mas aperfeiçoou-se mais.

Além de cantar, Almir também aventurou-se na produção musical. Foi vendo e estudando outros produtores, sem complexos nem vergonha de perguntar e de aprender com os outros. Essa humildade acabou por proporcionar-lhe empatia e conselhos para melhorar a sua arte.

Depois disso, em 2020, apostou na sua carreira a solo. Porquê tanto tempo para lançar o primeiro single? “Estava primeiro focado na faculdade, os dias de semana eram dedicados aos estudos e à vida académica. Só conseguia tempo para a música uma vez por semana, e não queria que a minha família soubesse do amor que tenho pela música, com medo dos julgamentos e do que pudessem pensar”, explicou-nos.

Foram momentos conturbados, tendo passado por várias situações complicadas e desagradáveis. Daí, nasceram músicas mais expressivas e “creio que foi o momento em que realmente descobri o meu eu artístico e decidi adotar o meu nome próprio como meu nome artístico, por achar que não devia existir distinção. Afinal, tudo o que coloco na minha arte é fruto das vivências do Almir André. Desde então, não tenho parado, tenho feito o meu caminho como quero, com mais trabalhos, muita dedicação e amor no que faço”, confessou.

Tudo o que passou serviu de aprendizado e de experiências que só vieram contribuir para a evolução da música que faz e quer fazer. Almir já tem duas mixtapes lançadas e quatro EPs, frutos de todos esses anos de autoconhecimento e amor pelas melodias, BPMs, bombo, tarola e escrita. E o seu mais recente trabalho, o EP Inside, é um retrato exato dessa pintura, mais madura e mais própria.

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