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Boogarins | DR
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Boogarins: Estará a onda psicadélica de volta?

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Quase dez anos após “As Plantas Que Curam“, o conjunto de Goiânia traz uma compilação de raridades e B-Sides gravadas durante a sua tournée nos Estados Unidos

Quase dez anos após o clássico genre-defining “As Plantas Que Curam“, hoje, os Boogarins são facilmente uma das bandas rock mais aclamadas do panorama internacional, merecendo (por mérito próprio) aparições em alguns dos festivais mais conceituados do mundo e até na mítica KEXP, estação de rádio em Seattle conhecida por dar a conhecer ao mundo nomes como Mac DeMarco, Real Estate ou Pond.

Mais experimentais que nunca, “Machaca Vol.1” exibe os prodigiosos filhos de Goiânia [Brasil] ao nível de qualquer grupo prestes a editar um disco: em fase de arrumação de casa, trazendo algumas prateleiras antigas, várias novas e continuando a vaguear em território experimental deambulando entre a música kraut, prog e até ambient, como em “Far and Safe” (com a cantora norte americana Erika Wennerstrom, ex Heartless Bastards) ou “Correndo em Fúria”, onde os vocais dreamy de Dinho Almeida mantêm-se ecoando suavemente sobre mid-tempo riffs de guitarra frântica* (do inglês “Frantic”) e os batuques trovejantes de Ynaiã Benthroldo.

Fuzz continua a ser um must na composição sónica e nas escolhas de arranjo de Benke Ferraz…

Os fill-ins melódicos também permanecem sugary como sempre e as letras são agora mais contemplativas e de certa forma maduras também, chamando à filosofia, à liberdade de pensamento, à espiritualidade e à imaginação infinita do ser humano, rituais poéticos já constantes no corpo de trabalho da banda.

Essa liberdade sonora é bestialmente audível, ao ponto de simplesmente entrarem num armazém e fecharem-se dentro gravando o que for na hora! Mentalidade despreocupada que abre caminho para algumas das improvisações mais destemidas da história mais recente do psich rock, explorando alegorias jazz rock em “Medo de Falar”; Dance rock em “Rolê Torto”, com especial atenção para os mesmerizantes overdubbs de teclado e as linhas de apoio em tremolo e constantemente off-chain que o baixo de Raphael Vaz oferece; Ou soul funk em “Derramado”.

Técnicas de hipnotismo subliminar regressam em “Você Sabe Muito” ou “Supernova”, onde ouvimos mais progressões de acorde exuberantes e mais loops vocais em cima de outros loops vocais, fazendo lembrar Pink Floyd ou The Flaming Lips num típico e solarengo dia em Goiânia.

Os reais alicerces da psichadelia intactos, décadas após Yore! Mas mais música desta qualidade (obviamente para ser escutada sobre o efeito de ácidos), riffs de guitarra invejáveis e os hooks sugar pop / arena rock de Dinho fazem de Boogarins uma constante força da natureza, exibindo-se mais uma vez a um nível estelar e deixando a ideia de que é possível a segunda vinda do rock psicadélico estar a acontecer diante dos nossos olhos.

Para ser testemunhada esta sexta-feira, dia 11 de fevereiro de 2022, no Musicbox Lisboa, a partir das 22 horas.



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