Glad Max traz XEG para o “Heavy Metal”

Glad Max

Glad Max lançou o videoclipe do single “Heavy Metal” que descreve como a força das ruas de vários talentos, várias artes uma autêntica fusão de energias, extraído da sua última MixFake Desparkeado.

O single tem a produção musical de METALVDNESS e o clipe ficou a cargo da produtora de vídeo 25 Horas, com direção do também rapper Malabá da Gun.

Na música, Glad Max contou com a participação de XEG, um dos nomes mais respeitados no movimento do Hip Hop em Portugal.

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Desparkeado tem oito faixas musicais e marca o regresso do rapper ao panorama do movimento hip hop, depois de um logo período de ausência.

Teve a produção de METALVDNESS, Madkutz, Bambino, Brvno Cruxxx e Brunuxo. A nível de participações, a lista compõe-se com os nomes de Lancelot, Don Jagga, Thanya Lopez, DJ Nucleo e XEG.

O álbum está disponível nas plataformas digitais e também em formato físico.

Glad Max é um rapper oriundo da Margem Sul, nascido em Angola, que ganhou gosto pelo rap com as músicas de SSP, Boss AC e MV Bill. Muito cedo, começou a exercitar as suas habilidades e já tem editados dois álbuns, Fora de Controle e Reflexos.

Relembramos-te que a BANTUMEN disponibiliza todo o tipo de conteúdos multimédia, através de várias plataformas online. Podes ouvir os nossos podcasts através do Soundcloud, Itunes ou Spotify e as entrevistas vídeo estão disponíveis através do nosso canal de YouTube.

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Os artigos mais clicados da semana | 31 jul a 6 ago

Começamos o top dos artigos mais clicados da semana com a carta aberta do movimento negro português; seguindo-se o artigo sobre a impunidade da injúria racial em Portugal; a entrevista a OG Vuino sobre a Super Liga criada pelo próprio; o lançamento do novo single de Cíntia e o anúncio de um concerto extra de Emicida.

CARTA ABERTA: AS ARMADILHAS COLONIAIS DO CASO “FILHA DA TUGA”

O movimento negro português, através de uma carta aberta assinada por mais de 70 pessoas e coletivos, incluindo a BANTUMEN, desafia os meios de produção cultural, sejam artísticos, jornalísticos ou outros, à descolonização das suas práticas e imaginários. Porque “recusamos cair na armadilha da distração que, em vez de discutir o essencial, ou seja, a relação intrínseca entre apropriação cultural e racismo estrutural, se foca em polémicas adjacentes que em nada contribuem para uma política cultural pública antirracista, capaz de desconstruir o lusotropicalismo, reforçar a visibilidade e a representatividade das pessoas negras através das artes ou da produção cultural”.

INJÚRIA RACIAL, UM ‘CRIME’ LEGAL NO CÓDIGO PENAL PORTUGUÊS

Em Portugal, de acordo com o Código Penal, apenas os crimes de homicídio e ofensa à integridade física preveem um agravamento da pena por motivação de “ódio racial” ou “gerado pela cor, origem étnica ou nacional.

Em 2021, o debate público sobre a falta de legislação destas questões foi levantado pela ex-deputada (não-inscrita) Joacine Katar Moreira, com a entrega na Assembleia da República de um projeto de resolução e um de lei para a aplicação de uma agravante por injúria racial para todos os crimes semipúblicos, assim como a inclusão do crime de injúria racial no ordenamento jurídico português, respetivamente.

SUPER LIGA, QUANDO UM OG LANÇA A CORDA A NOVOS TALENTOS

OG Vuino é a versão maturada de Vui Vui, com mais de 20 anos de carreira nas costas e um percurso inscrito no Hall of Fame imaginário da música em português, primeiro com os Kalibrados e, agora, a solo. Nessa estrada acidentada que é a indústria da música, tem deixando um rasto para facilitar a jornada profissional das novas gerações.

Lawilca, Callas, Zona 5, Killa Hill, Nice Zulu e BC, Young Double, CEF ou Délcio Dólar são nomes amplamente conhecidos pelo público angolano e que tiveram os seus primeiros passos empurrados por Vuino.

CINTIA AQUECE AINDA MAIS O VERÃO COM “NO STRESS NO MONEY”

Cintia acaba de lançar um novo afroswing, “No Stress No Money”, produzido por Mikel Potter.

O clipe da música também foi disponibilizado e pode ser visionado no canal de YouTube da artista. O tratamento visual esteve à responsabilidade de Johel Almeida da AfroDigital.

EMICIDA ANUNCIA CONCERTO EXTRA EM LISBOA

Emicida acaba de anunciar que vai dar um concerto extra no Teatro Tivoli, depois do evento marcado para 27 de setembro, às 22 horas, já ter os bilhetes esgotados. O show inesperado vai acontecer no mesmo dia, mas às 19 horas.

O evento faz parte da primeira digressão europeia de AmarElo, o álbum que acabou por resultar num filme documentário, transmitido pela Netflix.

Tânia Tomé nomeada membro do Conselho de Coachs da Forbes

Tânia Tomé | DR

A empresária do sector da Economia, autora e palestrante moçambicana Tânia Tomé acaba de integrar o Conselho de Coachs da Forbes, como membro oficial, líder e influenciadora.

O Forbes Coachs Council (em inglês), sediado em Nova Iorque, é uma comunidade de reconhecidos líderes e coachs mundiais convidados pelo coletivo que leva o nome da conceituada revista norte-americana.

Tânia Tomé foi convidada, avaliada e selecionada por um comité de revisão com base na profundidade e diversidade da sua experiência. Os critérios para o convite incluem um histórico de impacto bem-sucedido do seu trabalho a nível internacional, concretizações inovadoras, prémios e reconhecimento profissional.

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“Estamos honrados em receber Tânia Tomé na comunidade”, disse Gerber, fundador da Forbes Councils. “A nossa missão com os Conselhos da Forbes é reunir líderes comprovados de todos os setores, criando uma rede com curadoria e orientada por capital social que ajuda cada membro a crescer profissionalmente e causar um impacto ainda maior no mundo dos negócios e da sociedade.”

Como membro oficial do Conselho, Tomé partilhará a sua expertise e experiência nas mais diversas áreas em que atua, terá acesso a uma variedade de oportunidades exclusivas e vai poder conectar-se e colaborar com outros líderes globais respeitados em um fórum privado. Tânia Tomé também será convidada a trabalhar com uma equipa editorial profissional para partilhar as suas ideias e conhecimentos em artigos de negócios originais na Forbes e contribuir para painéis de perguntas e respostas publicados ao lado de outros especialistas.

Tomé acumula mais de uma década de experiência como empreendedora, palestrante, consultora empresarial, mentoria e mais 10 anos como bancária e analista. É ainda especialista em empreendedorismo, liderança, desempenho, desenvolvimento pessoal, branding e comunicação.

“Estou profundamente honrada por ser convidada a fazer parte da Forbes Coachs Council, que é uma plataforma incrível para coachs líderes globalmente respeitados em todo o mundo. Sinto-me honrada por fazer parte de uma comunidade dos líderes influentes e de 1% mais bem classificados do mundo. Estou ansiosa para aproveitar esta oportunidade para construir coligações, contribuir com conhecimento de ponta para a comunidade e aprofundar minha experiência para liderar em todo o mundo”, disse.

Tomé tem atuado nos últimos anos como coach executiva, mentora, embaixadora e palestrante em vários países de África e nos países de língua portuguesa, incluindo países como Uganda, Ruanda, Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Serra Leoa, EUA, entre outros. Foi também consagrada top 100 Afrodescendentes Mais Influentes do Mundo proclamada pelo Mipad-New York.  A Economista é também  vencedora do Prémio Académico Português pelo antigo Presidente Português Mario Soares (Fundação Portugal-África), 100 Mulheres Africanas Líderes Mais Inspiradoras pela World Economic Magazine (EUA 2022) entre muitos outros.

O seu estilo de mentoria e coaching combinado para empoderar jovens e mulheres, apoiar empresas, profissionais, empreendedores e líderes de impacto a alcançar um crescimento exponencial em seus principais parâmetros de sucesso. Sua metodologia Succenergy de liderança e motivacional têm como missão empoderar pessoas, empreendedores, profissionais e lideres para que acedam ao seu melhor potencial.

Tania Tome é CEO e Coach Executiva da Ecokaya, empresa de consultoria e treinamento corporativo. Ela também é presidente da Fundação Womenice, atualmente em missão para empoderar mulheres e jovens e temm como marca o evento internacional híbrido com mais de 40 oradores internacionais de mais de 10 países que já vai na segunda edição.

Licenciada em Economia e pós-graduada em Auditoria e Controlo de Gestão pela Universidade Católica Portuguesa -UCP-Porto, Tomé foi recentemente nomeada Membro do Júri do Award Americano – American Business-  Award 2022 do Estados Unidos da America na categoria- Empreendedorismo e Liderança Robusta. Tomé escreve artigos e conta com mais de sete livros da sua autoria publicados em várias línguas e países, é co-autora de livros e participa em várias Antologias.

Vem aí a Kosmic Experience: African Edition para projetar DJs locais  

Na Europa – e provavelmente em qualquer parte do mundo – verão é sinónimo de calor, churrascos, piqueniques, festivais e festas, onde a música faz parte de todas as ocasiões.

Nessa demanda nasceu o Kosmic Experience: African Edition – uma nova experiência festiva de música urbana, que promete juntar alguns dos DJs de música afro-eletrónica mais populares a nível local.

Assim, no dia 14 de agosto, num local secreto especialmente escolhido para o efeito (na região de Lisboa), entre as 16h e a meia noite, vais ter a possibilidade de celebrar com outros amantes de boa vibe o melhor do que se anda a fazer nas cabines de som com Magic Beatz, DJ Stá, 40D, DJ Alanito, DJ Dagô e Kaombo. Das colunas vais ouvir a nata dos estilos mais populares da atualidade, como amapiano, afrobeats, afrohouse, kuduro e afrotech.

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Com o objetivo de ter várias edições em diferentes lugares, o Kosmic Experience pretende rodar por lugares distintos, ora com vista para o mar, ora para a cidade, jardim ou miradouro.

Antes que esgote, para adquirir os bilhetes para a Kosmic Experience: African Edition, basta aceder ao site de vendas aqui.

Miguel, 10 anos a fazer da Internet um paraíso do bom humor

Foto: BANTUMEN

Prestes a completar dez anos desde que lançou o primeiro vídeo no YouTube, com “C3 Paraíso – Bo Tem Nesquik” (2013), Miguel Paraíso é atualmente um dos criadores de conteúdo nas redes sociais de maior sucesso em Portugal. A BANTUMEN esteve à conversa com o autor da icónica paródia “Eu Queria Ser Campeão” para conhecer melhor a sua trajetória, fazer um balanço desse percurso – que inclui parcerias com marcas como McDonald’s e Intimissimi – e as mudanças que foram surgindo na sua vida com o aumento de popularidade.

Numa altura em que o YouTube começava a dar o ar da sua graça em Portugal, e ainda existiam poucos youtubers, Miguel lembrou-se de aproveitar os seus tempos livres com a plataforma. Registou-se, começou a fazer upload de vídeos simples e hoje acumula 305 mil subscritores e mais de 45 milhões de visualizações.

Lançou várias paródias, mas foi em 2016 que teve o seu maior reconhecimento perante o público português e internacional, com mais de seis milhões de visualizações com o tema ”Eu Queria Ser Campeão”, com a participação do cantor Ivandro, em honra ao Sporting e aos 14 anos do clube sem levantar um troféu nacional.

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”Só de pensar que para o ano, em 2023, vão fazer desde anos desde que lancei o meu primeiro vídeo para o YouTube, pá, esquece. Fico mesmo a pensar na primeira vez que lancei um vídeo, a sensação, o nervosismo, a cena de querer impressionar os outros. É uma grande sensação. Naquele tempo não havia kumbu – expressão em kimbundu (Angola) que significa dinheiro -, não havia nada do que há hoje, era só mesmo pelo gosto. Tenho saudades de 2013 e não mudava nada, comecei bem”, confessou-nos Miguel.

Apesar de não pensar muito no assunto, o criador de conteúdos tem noção que, se fosse branco e tendo em conta o conteúdo que cria, facilmente estaria num outro patamar da sua carreira e com mais trabalhos por fazer. Sabe que, como negro, tem de trabalhar mais para chegar onde quer chegar, tem de fazer mais que os outros para ter melhores e maiores resultados. Contudo, “tento não pensar muito nisso, tento apenas fazer o meu trabalho”.

Com esse foco profissional – e como consequência da veloz transformação indexada ao meio digital – Miguel teve de adaptar-se várias vezes e reformular a forma como criava e publicava os seus conteúdos. As tendências e o que é viral tem vindo a mudar de ano para ano e as pessoas deixaram de ter tempo para consumir vídeos mais longos. Foi aí que Miguel percebeu que conteúdos “rápidos” na rua, em que oferecesse coisas às pessoas, teriam um impacto maior, e assim tem sido desde então. No TikTok, consegue alcançar meio milhão de visualizações num único dia.

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Com o reconhecimento, vieram as parcerias com grandes marcas como a de relógios G-Shock, Sport TV, Benfica, McDonald’s, Super Bock, entre outras. Recentemente, Miguel tornou-se também uma das caras da campanha de verão da Intimissimi Uomo, marca italiana de roupa interior masculina.

“[Esta campanha] significou muito para mim, desde já porque foi um registo que nunca tinha feito. Estou mais associado à parte da comédia e futebol. E quando soube que poderia fazer parte desta campanha não hesitei , fui para o ginásio e comecei a trabalhar o corpo e a minha mente para quando chegasse o dia do shooting. É muito importante para mim sair da zona de conforto e mesmo assim conseguir um bom resultado”, explicou.

Paraíso acrescenta ainda que ”as coisas acontecem quando as marcas vêem também que do outro lado há trabalho, há compromisso, e as marcas gostam disso, gostam de compromisso. É o mais importante”.

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O youtuber quer mais e está a trabalhar para isso. O objetivo é deixar os pais orgulhosos, chegar onde sabe que vai conseguir chegar e proporcionar momentos felizes aos seus.

Na checklist há ainda a vontade de ser “director de comunicação de uma liga, de um clube, ou empresário de futebol, é para onde as setas apontam, mas neste momento ainda tenho tempo para criar conteúdo, chegar a outros patamares e essas coisas vão chegar um dia destes, é só esperar” concluiu.

Candidaturas abertas para bolsas de Investigação Científica e um Prémio de pós-doutoramento

A quarta edição dos António Coutinho Science Awards vai voltar a atribuir duas bolsas de mestrado e um prémio de pós-doutoramento à comunidade científica afrodescendente. A iniciativa que já conta com oito premiados desde a sua primeira edição, em 2019, visa impulsionar as carreiras científicas e a diversidade nas ciências.

O programa é dirigido a estudantes, cientistas e professores das ciências exatas, da vida e da saúde, dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa ou portugueses afrodescendentes destes países.

Com foco na cooperação e no desenvolvimento de investigação científica, o programa tem revelado um elevado impacto na persecução da carreira dos premiados. Ao desenvolveram os seus estágios de investigação e projetos inovadores conseguiram fomentar as suas colaborações internacionais e destacar-se pela relevância estratégica dos trabalhos que desenvolveram.

No ano passado, os prémios foram atribuídos em 2019 a Adija Fernando Wilssone e António Pinto Almeida, em 2020 a Mónica Medina Lopes, Majaliwa Nashon e Lucas Miguel, e em 2021 a Érica Simão, Tamar Monteiro e Sosdito Mananze .

O programa é uma iniciativa promovida pelo Centro Colaborativo do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), no âmbito de uma parceria com a Merck e o Município de Oeiras, que permite a atribuição de duas Bolsas de Investigação Científica e um Prémio em cada edição anual.

A sublinhar que, o professor António Coutinho foi um antigo Diretor do IGC e impulsionador da ciência em Portugal.

Para mais informações ou submeter a candidatura, basta aceder a este link.

Super Liga, quando um OG lança a corda a novos talentos

OG Vuino é a versão maturada de Vui Vui, com mais de 20 anos de carreira nas costas e um percurso inscrito no Hall of Fame imaginário da música em português, primeiro com os Kalibrados e, agora, a solo. Nessa estrada acidentada que é a indústria da música, tem deixando um rasto para facilitar a jornada profissional das novas gerações.

Lawilca, Callas, Zona 5, Killa Hill, Nice Zulu e BC, Young Double, CEF ou Délcio Dólar são nomes amplamente conhecidos pelo público angolano e que tiveram os seus primeiros passos empurrados por Vuino.

Atualmente, entre as suas várias atividades, como rapper, produtor, autor e empresário, o artista continua a dar visibilidade ao sangue novo da música em Angola. Das constantes mensagens privadas que vai recebendo, com solicitações para opinar sobre uma nova faixa ou EP de um artista newcomer, surgiu a ideia da Super Liga. O primeiro passo foi pedir, através do Instagram, que novos artistas enviassem-lhe um freestyle.

Sinto que a história perdeu-se, porque já lancei muita gente

OG Vuino

“A ideia foi crescendo um dia de cada vez. Um dia postei um norte-americano e desafiei os miúdos da nova escola, porque o que mais recebo na minha DM (direct message) é pessoal a pedir-me para ouvir os trabalhos dos putos”, explicou o rapper. Só no primeiro dia, Vuino atesta ter recebido mais de 100 vídeos. Ao fim de uma semana, eram mais de mil. “Daí, selecionei nove, contactei-os para saber se foi uma cena ao calhas ou se estão mesmo a fundo na música. Depois, enviei beats com refrões e dei-lhes deadlines: ‘Tens de me mandar os versos em dois dias’. Agora, tenho um álbum com eles já”, detalhou.

Questionado sobre como arquitetou cada passo do projeto, OG Vuino garantiu que já não faz nada em freestyle: “Fico feliz pela execução e pelo feedback mas um gajo já não trabalha no improviso. Há sempre um plano, as coisas nem sempre acontecem como planeado, mas há um plano. A ideia foi crescendo um dia de cada vez.”

A comoção nas redes sociais com esta Super Liga, que deu a oportunidade a jovens da capital e do interior de mostrarem o seu talento em “antena” nacional, gerou milhares de partilhas, comentários e gostos. Contudo, Vuino relembra que esta não é primeira vez que utiliza a sua popularidade e “canais” para lançar novos nomes no mercado da música. “Ocorre-me uma expressão que tenho ouvido muito, embora para mim seja um pouco agridoce. Fala-se muito de legado, daquilo que estou a deixar para as novas gerações. Ao mesmo tempo, sinto que a história perdeu-se, porque já lancei muita gente: Lwilca, Callas, Zona 5, Killa Hill, Nice Zulu e BC, Young Double, CEF, já fiz este projeto em colégios onde saíram artistas como Délcio Dollar, Lípsia, Freddy Perry, Nilson… Ou seja, tipo que o people esqueceu-se ou essa geração não sabe e parece que só estou a fazer isto agora mas eu sempre fiz isto”, sublinhou.

Depois da seleção dos nove felizardos – Patrícia Soares, M Black Master, Liu Kid, Seliras Day, Wylker G, Muri Marques, Dedas Skill, Boy Lendário e Faradiza -, foi um fast forward até juntar todos estes novos rappers em Luanda e gravar pelo menos uma música com cada um. “Em 20 dias gravámos um álbum, filmámos um vídeo, tirei quatro putos do interior do país e fizemos uma sessão fotográfica”, disse.

Claro que nem tudo foram rosas, mas “tudo o que é obstáculo que vai surgindo tens de ter capacidade financeira para responder”, explicou. “Em termos de organização, paguei tudo. A melhor maneira de gerir é pagando. E depois de já teres colocado dinheiro na mesa, teres pago isto ou aquilo, tens de colocar as regras”, acrescentou.

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Agora, a ideia é valorizar a marca e o sucesso da iniciativa é ditado pelo número de convites que tem recebido. “O Anselmo ligou-me a perguntar se não estaria interessado em fazer da Super Liga um programa de televisão contínuo e já tenho um show para dia 6 de agosto.” A fase seguinte será lançar mais um ou dois vídeos e o álbum virá em seguida. Como disse o artista, “o bidon de gasolina [talento] já lá está, se acender o isqueiro vai dar explosão”.

Além da exposição nas redes sociais, os nove artistas da Super Liga puderam ainda aceder a um conjunto de novas experiências. “Dei-lhes acesso a outras pessoas, ficaram representantes da Salute [marca de roupa de OG Vuino], gravaram um videoclipe pela primeira vez, muitos não tinham experiência de estúdio… E tenho recebido gratidão desde o primeiro dia. Foi isso que me levou a querer fazer algo maior”.

A gratidão, tantos dos artistas como da parte dos seguidores, por estar a mudar o paradigma destes jovens e criar-lhes novas possibilidades é palpável. “Todos os dias recebo uma mensagem a agradecer. Tenho um que diz que nem no aniversário recebe tantas mensagens”.

Há ainda a salientar a visibilidade que esta iniciativa, que tem o apoio da Good Feeling [a nova label de música de Vuino], tem dado ao talento “escondido” nas províncias do interior de Angola e que não tem tantas opções para chegar aos canais de promoção a nível nacional. “Descobri que a Huila tem um mercado [de música] paralelo ao de Luanda. Vi mais de 20 rappers bons do Lubango. Têm os cyphers deles, têm as reações deles, têm os prémios deles, Prémio Tundavala… Têm cyphers de canto, de canto mesmo. Vi uns dez gajos de lá, do estilo poesia acústica, vi gajos com potencial para entrar no mercado amanhã, com a direção certa”, confessou.

O projeto Super Liga está assim numa fase de promoção, com o recente lançamento da música “Faixa Preta” e aparições em diferentes programas de televisão e digitais e talvez venha a ter continuidade anualmente, com passagem por diferentes estilos musicais, como “kuduro, zouk, semba”, entre outros.

“Tempu”, o monólogo de reflexão de Kady

Kady no cenário do videoclipe "Tempu" | DR

Kady está numa nova fase da sua carreira. Com um álbum prestes a ser apresentado, a artista lança o segundo single de promoção, “Tempu”, que marca um diálogo metafórico entre o tempo (cronológico) e o indivíduo, mas que na verdade é um monólogo onde a pessoa reflete sobre a passagem e intervenção do tempo, questionando o seu papel no processo de crescimento e aprendizagem do sujeito, e que pode contribuir para a sua evolução emocional e espiritual.

A música conta com a produção de Gerson Marta, Toty Sa’Med e Djodje. Já o visualizer é uma realização de WillSoldiers, com a direção artística de Urivaldo Lopes e produção de Jussara Spencer.

Esta é uma nova etapa na carreira de Kady e o assumir de uma nova sonoridade que surgiu de uma forma muito natural e num momento onde a artista sentiu uma reconexão com a música e com todo o seu processo de criação. Neste percurso de transição, de (re)encontro, autodescoberta e autoconhecimento, Kady renasce como artista e consequentemente como pessoa. 

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Tempu” e “Djuntu” – primeiro single de promoção do próximo álbum – ditam o compasso desta nova fase da artista e marcam o tom do que está para vir. Neste trabalho, uma fusão entre a pop e a música tradicional de Cabo Verde mas arrogado de uma nova contemporaneidade, cada letra e melodia são sentidas na pele e as canções surgem como uma homenagem às raízes da cantora e compositora e, simultaneamente, um manifesto e uma apologia ao empoderamento, emancipação, força, beleza e orgulho da mulher africana.

De recordar que, Kady vai estar no festival O Sol da Caparica, a 13 de agosto, onde vai subir ao palco com as suas Convidadas, numa representação física da mensagem da música “Djuntu”: união, empatia, saber dar e receber, consciencialização de que a força de cada um de nós como indivíduo torna-se muito maior quando nos unimos.

Emicida anuncia concerto extra em Lisboa

Emicida | ©Wendy Andrade

Emicida acaba de anunciar que vai dar um concerto extra no Teatro Tivoli, depois do evento marcado para 27 de setembro, às 22 horas, já ter os bilhetes esgotados. O show inesperado vai acontecer no mesmo dia, mas às 19 horas.

O evento faz parte da primeira digressão europeia de AmarElo, o álbum que acabou por resultar num filme documentário, transmitido pela Netflix.

Londres, Dublin, Paris, Berlim e Porto também têm datas confirmadas na turnê que o brasileiro traz à Europa. A realização e produção da tour é uma parceria entre a LAB Fantasma, produtora do artista, com a Jungle e a Bossa FM.

“O Laboratório Fantasma tem como um dos seus objetivos mostrar que a música é capaz de mudar o entorno e a vida das pessoas. Chamamos AmarElo de ‘experimento social’ por causa disso também. As pessoas se conectaram com esse trabalho de uma maneira muito especial. No ano passado, quando estive em Portugal, as pessoas compartilharam como foram impactadas por aquelas músicas. Agora, com os shows em Lisboa e no Porto, mais uma peça desse experimento chega aos portugueses e estou animado para essas apresentações. Tem sido incrível voltar aos palcos depois desse período pandêmico e perceber a importância que as obras do experimento social AmarElo tiveram na vida das pessoas. Vai ser especial poder fazer nossa primeira tour internacional desse projeto e ver a reação das pessoas em Portugal e nos países que vamos passar fora do Brasil”, afirmou Emicida.

AmarElo partiu da vontade de Emicida, em um momento de tensão global, com a inspiração de usar o amor como elo para construir pontes entre as pessoas. O elogiado trabalho de estúdio, que lista a faixa-título e músicas como “Ismália” e “Principia”, impactou o público e a crítica especializada, além de ter se tornado companheiro de muitos durante o período de distanciamento social. O concerto de lançamento que Emicida fez no Theatro Municipal de São Paulo resultou no documentário “AmarElo – É tudo pra Ontem (2020)” e “AmarElo – Ao vivo “ambos disponíveis globalmente na Netflix. O primeiro ainda foi indicado ao Emmy Internacional 2021.

Ao escolher o Tivoli como locação do concerto de Lisboa, Emicida tem a possibilidade de reproduzir a essência da gravação do concerto no Theatro Municipal de São Paulo, um dos principais cenários do documentário da Netflix.

As relações de Emicida com Portugal, inclusive, estão cada vez maiores. Em 2017, o rapper lançou um álbum no projeto “Língua Franca”, com um quarteto formado por Emicida, Rael, Capicua e Valete. E, no ano passado, Emicida tornou-se mestre na Universidade de Coimbra ao comandar uma residência artística em uma das instituições com mais prestígio no mundo.

O cantor vem com sua banda, formada por Michelle Lemos (guitarra e backing vocal), Silvanny Sivuca (Bateria, bateria eletrônica e percussão) e DJ Nyack (toca-discos e backing vocal). No repertório, não faltarão sucessos de sua carreira e músicas que têm sido entoadas em coro pelas plateias ao redor do mundo, como “Amarelo”, “Quem tem um amigo (tem tudo)”, “Paisagem”, “Cananéia, Iguape e Ilha Comprida” e “Ismália”.

Carta Aberta: As armadilhas coloniais do caso “Filha da Tuga”

📷 : Mediamodifier / Unsplash

As recentes críticas à música “Filha da Tuga”, interpretada por Irma Ribeiro (escrita por Carolina Deslandes e produzida por Agir e Sons em Trânsito), bem como à performance de Rita Pereira, geraram um debate público – protagonizado essencialmente por pessoas negras – que a comunicação social e a branquitude se apressaram a despolitizar e a ridicularizar, mostrando como a experiência negra tende a ser desprezada e negada na sociedade portuguesa.  

O discurso de ódio inundou as redes sociais de pessoas como Mafalda Fernandes, ativista e autora da página de Instagram Quotidiano de uma Negra, que procuraram trazer à discussão questões como o lusotropicalismo e as suas reconfigurações contemporâneas, a falta de representatividade negra nas artes, lugar de fala, colorismo e apropriação cultural. Neste sentido, esta carta é, antes de mais, uma nota pública de solidariedade com Mafalda Fernandes e com todes aqueles que, de alguma forma, viram as suas vozes desvalorizadas e silenciadas ao longo deste processo.

Apresentando-se como um tributo à diversidade étnico-racial, “Filha da Tuga” está pejada de resquícios coloniais. Em 2022, depois de tudo o que se passou – dos casos de violência policial ao negacionismo sistemático das autoridades –, como pode uma música supostamente antirracista utilizar sem pejo a palavra “pretos”, camuflagens lusotropicalistas como a ideia de “mistura”, ou a palavra “descoberta”, quando esta está tão carregada de séculos de glorificação do colonialismo? Não deveria também um tema desta natureza ser produzido por uma equipa com maior representatividade negra – física e política?

Por outro lado, os problemas do lugar de fala e da pertença identitária das pessoas mestiças que “Filha da Tuga” aborda e suscita não são questões unicamente “pessoais” e decorrem dos processos de racialização. A figura da “mulata” do mito lusotropicalista e a posição do “assimilado” no Estatuto do Indigenato foram construídas pelo sistema colonial e serviram para manipular a categoria dos mestiços, introduzindo-lhe um status de pertença ambivalente e uma hierarquia de tom de pele – colorismo – que são fruto do racismo e operam em proveito da branquitude, mas também do patriarcado. Esta realidade é expressão de todo um sistema predatório das vidas das mulheres negras, reduzidas a fruta e bebida, objetos de satisfação de alguém. Isto é violência e há muito que este cartão-postal de uma Lisboa pretensamente mestiça é insuportável.

Mas o debate acabou por ser desvirtuado a partir do vídeo de Rita Pereira, que com tranças e sacudindo o “gingado”, dança e canta “Filha da Tuga”. Os media que noticiaram o caso preferiram inflamar a “polémica” em vez de informar de modo imparcial e com contraditório. Dessa forma, anularam a possibilidade de se discutir questões como os estereótipos exotizantes da mulher negra, a importância do lugar de fala, que a negritude não é adereço e, portanto, a apropriação cultural.

Convocamos à memória o caso das camisolas dos pescadores da Póvoa de Varzim, recriadas por uma ‘designer’ norte-americana em 2021, e como aí até se acionaram os meios judiciais para combater a “apropriação abusiva”. É preciso lembrar também como historicamente a produção cultural negra tem sido explorada por uma indústria dominada por uma burguesia branca, vendo até mesmo a sua origem branqueada (como aconteceu com o Rock e o Fado).

Por outro lado, quando elementos das culturas negras são usados por pessoas brancas como mera forma de entretenimento e estetização, há um potencial esvaziamento político do seu significado de resistência, tornando-os mercadoria. Portanto, valorizar pode passar, exatamente, conforme a nossa posição nas relações de poder, por não repetir o gesto secular de saque.

Neste sentido, há um desafio que se coloca aos meios de produção cultural, sejam artísticos, jornalísticos ou outros, que é a descolonização das suas práticas e imaginários. Nós, abaixo-assinados, recusamos cair na armadilha da distração que, em vez de discutir o essencial, ou seja, a relação intrínseca entre apropriação cultural e racismo estrutural, se foca em polémicas adjacentes que em nada contribuem para uma política cultural pública antirracista, capaz de desconstruir o lusotropicalismo, reforçar a visibilidade e a representatividade das pessoas negras através das artes ou da produção cultural. 

Subscrições coletivas

Afrolink

Associação ForçAfricana

Associação Kazumba – Educação e Equidade

Associação Mural Sonoro 

BANTUMEN

Carlos Pereira, comediante

Chá de Beleza Afro

Colectivo SaMaNe – Saúde das Mães Negras 

Coletivo Artístico Nêga Filmes & Produções 

Coletivo Mulheres Negras Escurecidas 

DJASS- Associação de Afrodescendentes

Grupo EducAR

GTO LX – Grupo Teatro do Oprimido de Lisboa

Iniciativa Cigana

INMUNE – Instituto da Mulher Negra

Movimento SOS Racismo Portugal

MUXIMA BIO BV 

Nalini Seik

Núcleo Antirracista de Coimbra

O Lado Negro da Força

Passa Sabi

UNA – União Negra das Artes

 

Subscrições individuais

Ana Alves, Psicóloga 

Ana Fernandes, Produtora, gestora e agente cultural.

Ana Luísa Brito 

Ana Rita Alves

Ana Sofia Palma

Ana Stela Cunha, Antropóloga e Investigadora CRIA

Anabela Simões Ferreira

Ângela Gouveia 

Anizabela Amaral, Jurista

Augusto Neves Júnior, Empresário de turismo. 

Cristina Roldão, Socióloga

Danilo Moreira, Presidente do Tás logado? – Sindicato dos Trabalhadores de Call Center

Diógenes Parzianello, Sociólogo

Edna Tavares

Evalina Dias, Dirigente Associação Djass

Flavia Palladino, Pesquisadora

Joana Cabral, Psicóloga, Professora Universitária, Dirigente SOS Racismo

Joana Mouta, Gestora de projeto

João Delgado, Professor 

João Rosário, Jornalista

Joel José Ginga

José Neves, Percussionista

José Rui do Rosário

José Semedo, Professor

Ladygbrown, Dj

Leonardo Botelho, Estudante

Luana Coelho, Investigadora

Lúcia Gomes, Advogada 

Lúcia Vicente, Escritora

Luís Camanho, Designer

Mamadou Ba, Militante antirracista e investigador

Margarida Rendeiro, Professora universitária e investigadora

Maria Gil, Actriz

Marisa Paulo, Artista, performer e pesquisadora

Myriam Taylor, Defensora de Direitos Humanos

Neusa Sousa, Jornalista 

Nirvana Reis Araújo, Advogada estagiária

Paula Cardoso, Fundadora da rede Afrolink

Pedro Schacht Pereira, Professor universitário

Piménio Ferreira, Militante antirracista

Raquel Lima, Investigadora de Estudos Pós-Coloniais

Rita Cássia Silva, Antropóloga, atriz-performer e ativista 

Rita Coxe

Rodrigo Ribeiro Saturnino, Sociólogo e artista.

Silvia Jorge, Agricultora

Silvia Maeso, Socióloga e investigadora

Sinho Baessa de Pina, Vice-Presidente Ass. Cavaleiros de S. Brás, dinamizador comunitário

Sofia Reino 

Soraia Simões de Andrade, Escritora e investigadora

Vanda Marques da Silva, Operadora de Tráfego Marítimo

Vanessa Sanches