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Bonga | ©Alex Tome

Avisem o Will Smith que o Bonga tem álbum novo

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O primeiro africano Disco de Ouro e Platina em Portugal, com 50 anos de carreira, ainda tem vitalidade e fôlego para lançar novos projetos. O Kota Bonga lançou recentemente o seu 33.º álbum, intitulado Kintal da Banda.

O projeto conta com uma única participação, Camélia Jordana, uma das mais populares novas vozes da música francesa urbana.

Com 11 faixas, entre as quais, “Ti Zuela”, que promoveu o álbum, este Kintal da Banda é exatamente isso, um local familiar seguro, onde a farra acontece de forma espontânea, respira-se Angola e, sobretudo, onde as dores, saudades e verdades respaldam a composição.

A nova obra Bonga Kwenda é feita das memórias e sons que contribuíram diretamente para sua formação, como homem angolano, e na construção da sua consciência social.

A maioria das músicas foram escritas em kimbundu, o que pode dificultar a compreensão da composição de Bonga – para quem não entende a língua nacional angolana -, mas isso não impede que se sinta a melancolia e o saudosismo da mesma, através do roçar da dikanza, do som do batuque e da harmónica. É uma viagem ao passado, à sua infância no Kipiri (Bengo, zona que dá nome a uma das músicas). Ainda em referência a esse período, há também “Mukua Ndange”. Na música, o “neto do Capitão Jacinto” relembra como eram as condições “teketantes” (teketa, termo do kimbundu que significa “tremer”) da Ponte do Panguila e de como as famílias ansiavam pela chegada do machimbombo [autocarro] à localidade.

Há ainda uma paragem para se ouvir falar de gastronomia. Bonga levou à mesa “Kudia Kueto” (termo em kimbundu que pode ser traduzido para português como Nossa Comida) que conta com a participação de Camélia Jordana. Ali, as vozes da estrela franco-argelina e do rei do semba enaltecem a importância da gastronomia tradicional angolana, destacando as tradições, bebidas e os quitutes da terra como a kitaba (ginguba pisada), bombó com ginguba e meia ndungu.

Para a nova geração, Bonga trouxe “Sembenu”, que é a música onde o artista incentiva os jovens a ouvirem e dançarem semba. Afinal, “o semba continua a ser a minha única bandeira musical”, lê-se numa publicação feita no perfil de Instagram da Lusafrica, a produtora de Djô da Silva (antigo empresário de Cesária Évora) sediada em Paris e que acompanha o artista angolano há vários anos.

Sobre o Kintal da Banda, Bonga disse ao jornal Nova Gazeta que não esconde que a obra tem “uma importância extraordinária” porque “muitos já se esqueceram o que é um quintal e outros nunca tiveram, viveram sempre em prédios de dez andares e sem elevador”.

Bonga é um dos maiores e mais respeitados embaixadores da música angolana no mundo, mas não só. Com quase 80 anos de vida e 50 de carreira musical, José Adelino Barceló de Carvalho foi também um proeminente atleta nos anos 1960, sagrando-se sete vezes campeão e recordista nacional dos 400 metros com 47.20 segundos, em Atenas, em 1969.

Como cantor, tem mais de 400 músicas lançadas e inúmeras menções honrosas e distinções, uma delas a de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras pelo governo de França, outorgado em 2014.

Há quase três anos, Bonga voltou a ver o seu nome na ordem da atualidade, por ter sido citado pelo ator norte-americano Will Smith, duas vezes consecutivas. A primeira aconteceu quando o ator foi entrevistado pelo programa brasileiro “Fantástico”, da Globo, onde disse que as músicas de Bonga não lhe saiam da cabeça; a segunda foi no programa francês “Quotidien”, onde Will Smith, ao apresentar a sua playlist musical, disse que “Mona Ki Ngi Xica” é a sua “música de acordar todas as manhãs”.

Em consequência, a música original e a versão de “Mona Ki Ngi Xica” entraram para o Top iTunes em França, ocupando a 10ª e 14ª posição no Top daquele país.

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