Chegamos à Web Summit e Agora?

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email

Este ano fomos convidados para participar na Web Summit, a maior feira tecnológica a acontecer na Europa. Desligada a chamada onde foi-nos anunciado o inesperado convite, foram 15 minutos de euforia até parar e perceber que vamos contribuir para o sucesso de um evento sem a garantia de alojamento, viagens – visto que a maioria da equipa está fora de Portugal -, nem porra nenhuma.

Ponderámos, sentámos-nos (virtualmente) em equipa e decidimos investir na nossa presença na Web Summit.

Saímos de Luanda, Namibe, Lisboa, Londres e Paris para mostrar-mos o nosso trabalho ao mundo e mostrar como é possível prosperar apostando naquilo que somos: uma sociedade diversa.

Só para frisar: dos que fizeram as malas rumo a Lisboa, somos africanos de Angola e São Tomé e Príncipe e Afro-Europeus com origens em Cabo-verde e Guiné-Bissau.

O destaque da BANTUMEN no evento está no último dia, 4 de novembro, onde vamos estar em três frentes: uma mesa redonda, para falar sobre Media Digital, juntamente com os CEOs da gigantes JOE Media e Porta dos Fundos; a apresentação do evento Startup University e uma mesa redonda liderada pela BANTUMEN, com o tema diversidade e inclusão (ou seja, pretos a fazerem coisas de brancos). Nesta última mesa, vamos ter “casa” cheia. Estávamos a contar com pelo menos uma mão cheia de convidados e afinal quase três dezenas de líderes de marcas conceituadas querem fazer parte da conversa. Uma delas é a Amazon.

Além disto, também estamos a receber vários convites de investidores para eventos externos, que acontecem à margem da Web Summit, mas que têm praticamente finalidades idênticas.

Pessoal, do team, eu sou o que menos fé tem e o mais pessimista. Numa primeira fase, pensei: “c#€%alho é desta que os meios tugas vão olhar para uma startup composta apenas por pessoas negras e que estão a fazer acontecer. Ah e tal… Vamos sair em todo o lado.”

Que nada. Tudo começa amanhã e nem um contacto. Nem do Correio da Manhã. Mas já demos uma entrevista para o blog da organização da Web Summit, o que já é bom.

It looks like Centre Stage is going to be a full house for Opening Night 🙌 We want to give away two reserved front-row tickets to one of our attendees 🥳

All you have to do to enter is snap a picture beside one of our Web Summit signs, and tag us using #WebSummit. Good luck!

Originally tweeted by Web Summit (@WebSummit) on 30 de October, 2021.

Adiante com o que interessa. Falando de valores investidos, vamos fazer umas contas de cabeça: Estão a vir duas pessoas de Angola, e uma delas não tem nacionalidade europeia, e, por favor, pensem em Kwanzas. O Paulo, o nosso homem do marketing, vem de Londres via Porto, e de Paris vem a Vanessa Sanches.

Vamos estar hospedados num apartamento de dois quartos e dois sofás-cama, lembrando que trabalhamos todos há muito tempo via home-office e a maioria nunca se viu pessoalmente. Vamos pensar na privacidade e em toda a expectativa que fazes quando pensas no teu colega que mede 1,80 e calça 40? É assustador. É alguém que, com certeza, perde o equilíbrio com muita facilidade.

Temos um canal no Slack com o título “linha da frente” e, só para terem ideia, é composto por funcionários da Mr. Porter, Louis Vuitton Moet & Chandon, EDP, Grupo Lusófona e Governo de Angola. Apenas eu e o Bruno Dinis trabalhamos a tempo inteiro na BANTU MEDIA, a empresa que detém a BANTUMEN, e que por sinal foi co-fundada por mim.

Um dos maiores objectivos de estarmos aqui, na Web Summit, é conseguirmos um big deal que me permita ter todas estas pessoas incríveis a trabalhar a tempo inteiro na BANTUMEN. Tecnicamente, não é apenas de dinheiro que preciso – porque isso o Prodígio tinha -, procuramos realmente um investidor com o mesmo espírito do resto da equipa e com experiência em tirar clubes da segunda divisão para a primeira.

Nunca estive na primeira divisão mas sei que quero lá chegar, só ainda não sei o caminho.

Tenho o espírito da resiliência e de hustler e, nestes seis anos de projecto, acumulei várias dívidas, umas financeiras, outras de gratidão para com amizades e relações que quebraram por incompatibilidade de prioridades.

Espero, sinceramente, poder vir aqui escrever que cada cêntimo investido neste evento valeu a pena.

Espero que cada um dos meus colegas, em especial o Bruno, que assegura as pontas em todas as ações que acontecem em Angola e que vai vir para Portugal pela primeira vez como um jovem adulto, vivam a melhor experiência possível neste evento e que esta história que aqui partilho seja apenas uma pequena parte da sucessão de vitórias que vamos ter para partilhar convosco.

Nga Sakidila, merci beaucoup, thank you àqueles que por aqui resistem e continuarão a resistir.

Subscreve a nossa newsletter e fica a par de tudo em primeira mão!

PUB
PUB