Coletivo internacional seleciona o melhor da arte africana e afrodiaspórica em Portugal em 2022

Portugal encontra-se numa encruzilhada excitante na qual se observa um renovado interesse internacional, que tem contribuído para enriquecer e diversificar a sua paisagem cultural. Este destaque acontece sobretudo através de artistas do continente Africano e da sua diáspora.

A lista intitulada Best of List Artes Visuais, Performance e Cruzamento Disciplinar, concebida por uma equipa internacional de quatro curadoras, artistas e consultoras de arte contemporânea baseadas em Lisboa, destaca o melhor da arte africana e afrodiaspórica apresentada em Portugal em 2022.

Incluímos na lista uma variedade de espaços e eventos, entre instituições públicas e privadas, um festival, uma bienal, galerias municipais e internacionais e espaços independentes.

Os nossos critérios de selecção incidiram sobre exposições e apresentações de artistas de relevância nacional e internacional com um forte enfoque no trabalho de artistas negras e do Sul Global e curadorias realizadas por mulheres.

Devido à oferta considerável na categoria Cinema, excluímos filmes e apresentações cinematográficas da lista, que no nosso entender, merecem ser incluídas numa lista autónoma.
A lista inclui também três menções honrosas como forma de reconhecimento do trabalho e percurso em ascensão de três artistas e performers.

2022 foi um ano emocionante para artistas negras e da diáspora africana a nível Internacional (como a Bienal com a atribuição da mais elevada premiação a Simone Leigh, Sonya Boyce e a distinção de Zineb Sedira) e a nível nacional, tal como evidenciado na presente lista pelo trabalho de Sarah Maldoror, Ana Silva, Mónica de Miranda e Vânia Doutel Vaz.

10 MELHORES EXIBIÇÕES, EVENTOS E PERFORMANCES

Installation view; Sarah Maldoror- Cinema Tricontinental; Torreão Nascente da Cordoaria Nacional; 2022. © Guillaume Vieira

LISBOA

Artes Visuais

Sarah Maldoror Cinema Tricontinental – curadoria de François Piron
Cordoria Nacional | Set-Nov 2022

António Ole “e.. O lixo vai?! – Curadoria de Inês Valle
Insofar Gallery | Nov-Dez 2022

Edson Chagas Factor of Disposable Feelings – curadoria de Ana Balona de Oliveira
Hangar | Set-Nov 2022

Flávio Cardoso, Kiluanji Kia Henda, Damara Ingles, Delio Jasse, Júlio Magalhães, Sofia Yala, A Mecânica do Efémero
Galeria Filomena Soares | 2021-2022

Performance
Vânia Doutel Vaz, O Elefante no Meio da Sala
Teatro do Bairro Alto | Nov 2022

Música (no contexto de um museu ou espaço dedicado à arte)
Europa Oxalá Jardim de Verão – curadoria de Dino Santiago & Lisboa Criola
Gulbenkian Foundation | Jun-Jul 2022

PORTO

Artes Visuais

Paulo Moreira Architectures & VERKRON Art Collective
Caminho das Escadinhas

Bairro Monte Xisto, Matosinhos | Out 2021 – Out 2022

Monica de Miranda – curadoria de Azu Nwagbogu Future Archives Beyond Representation
Rampa Out – Nov 2022

OUTRAS REGIÕES

Arte Visual
Ana Silva Vestir Memorias
Casa da Cerca Almada | Mai-Out 2022

Ibrahim Mahama A Tale of Time 2013-2022
Contextile Biennale Guimarães | Set-Out 2022

3 MENÇÕES HONROSAS DAS MELHORES EXPOSIÇÕES, EVENTOS E PERFORMANCES DE 2022

The exhibition titled INVISIBLES, NO LONGER by Alice Marcelino tells us about stories

Arte Visual
Alice Marcelino Invisibles, No Longer
2022

Performance Art
Group show #Precárias (festival de performance) – curadoria de Tita Maravilha
Rua das Gaivotas 6 Nov 2022

Ana Pi The Divine Cypher
Teatro do Bairro Alto November 2022

Seleção e texto de Ekua Yankah, Flávia Palladino, Melissa Rodrigues, Rebecca Fontaine-Wolf

Curadoria da Best of List

Ekua Yankah – Epidemiologista social, de origem ganesa, nascida e criada na Alemanha. A viver atualmente em Lisboa, Ekua é também uma empreendedora social. Tem mais de 20 anos de experiência a trabalhar nas Nações Unidas, no sistema académico e como organizadora de iniciativas artísticas. Em 2015, fundou o Project 189 Bangkok, um programa de residência artística que promove o intercâmbio cultural com artistas do continente africano. Atualmente é board chair do Savvy Friends, board member Hangar, do ANO Ghana e conselhieira do pavilhão do Gana na Bienal de Veneza 2022.

Flávia Palladino – Nasceu em São Paulo, Brasil. Formada em fotografia, trabalhou com teatro, performance, foi professora e arquivista em museus e centros culturais. É mestre em artes com investigação centrada na questão racial e hoje atua como pesquisadora no SOS Racismo.

Melissa Rodrigues – Melissa Rodrigues é performer, arte-educadora, curadora e ativista. Licenciada em Antropologia UNL/FCSH e pós-graduada em Performance pela FBAUP. Como investigadora nas áreas da Performance e Cultura Visual, tem desenvolvido pesquisa em Imagem e Representação do Corpo Negro em colaboração com artistas visuais, cientistas sociais e performers. Colaborou com vários serviços educativos, como o Serviço Educativo do Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Integrou as equipas curatoriais de Um Elefante no Palácio de Cristal – programa de pensamento e revisitação crítica da I Exposição Colonial Portuguesa – no âmbito do ping! (Programa de Incursão à Galeria) e Anuário 2020 ambos da Galeria Municipal do Porto. Colabora com o Batalha – Centro de Cinema na curadoria do Programa Escolas. Coordena o Projeto Educativo e de Participação do HANGAR – Centro de Investigação Artística. Melissa tem apresentado o seu trabalho em exposições coletivas e individuais, festivais, conferências, talks, encontros interdisciplinares, em espaços como Fundação Calouste Gulbenkian, Festival Iminente, HANGAR, Plataforma Revólver, RAMPA, ALKANTARA Lisboa, FBAUP, ZK/U Berlin, 13th Kaunas Biennial – Magic Carpets Landed, Festival Feminista do Porto e Festival Feminista de Lisboa, entre outros. Colaborou com Cleo Diára, Isabél Zuaa e Nádia Yracema no apoio à dramaturgia do espetáculo COSMOS. Integra a Associação Cultural Rampa, o InterStruct Collective e a UNA – União Negra das Artes. 

Rebecca Fontaine-Wolf – Artista e co-fundadora, diretora e produtora criativa do Infems: Intersectional Feminist Art Collective. Trabalha com pintura, fotografia, gravura e vídeo, de forma principalmente figurativa, com foco em auto-retrato e representações de mulheres do seu ciclo próximo. Fontaine-Wolf cria uma exploração íntima das experiências vividas da feminilidade, tanto em termos da sua realidade visceral imediata quanto das suas implicações sociais.

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