PUB
Mural que celebra a cultura de Cabo Verde, no Mindelo, São Vicente | @Alex Paganelli
Mural que celebra a cultura de Cabo Verde, no Mindelo, São Vicente | @Alex Paganelli

#CoronaTalksCaboVerde: “Por favor, tirem-me deste filme”, por Cristina Morais

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email

Sempre reagi com ceticismo em relação às teorias de conspiração e perante os filmes que anunciavam o fim do mundo tal como o conhecemos. Talvez por isso, à semelhança de milhares de outras pessoas espalhadas pelo globo, também comecei por questionar, em janeiro deste ano, as teorias de que o novo coronavírus iria espelhar-se pelo mundo atingindo tudo e todos.

Os factos fizeram-me mudar de opinião.

Se alguém me dissesse no início de janeiro que seria decretado, pela primeira vez na história, o Estado de Emergência em Cabo Verde, com certeza que diria algo como: “Deixa-te de brincadeiras. Andas a ver filmes a mais”. 

Saio à varanda de casa para apanhar um pouco de ar (estou em regime de teletrabalho desde o dia 23 de março) e no meu bairro na cidade da Praia, capital de Cabo Verde, não há vivalma lá fora. As pessoas simplesmente desapareceram. Estamos em isolamento social (expressão que agora marca o nosso dia-a-dia). Parece o cenário dos tais filmes que encaro com ceticismo. Mas não é.

Apesar de algumas exceções em bairros mais populosos, a situação repete-se um pouco por todo o arquipélago e é impossível ficar indiferente, principalmente ao silêncio que arrepia. Ruas vazias, restaurantes fechados, hotéis sem hóspedes. Um cenário entristecedor num país que vive do turismo como o nosso.

Por força da profissão acabo por passar o dia a acompanhar os media e as notícias. As manchetes assemelham-se aos tais filmes apocalíticos em que surgem diferentes locutores a narrar o mesmo cenário em diferentes paragens do globo: falam todos do mesmo inimigo público – o novo coronavírus -, não importa qual seja o canal ou o órgão de comunicação social.

Também não é para menos. A realidade é que a pandemia da COVID-19 já matou mais de 145 mil pessoas no mundo inteiro e já infetou mais de 2.165.500, segundo os últimos dados da Organização Mundial de Saúde. Parece completamente surreal.

Mas o que mais me causa mais ansiedade é a incerteza sobre o futuro, sobre como este filme, que é afinal um documentário das nossas vidas, vai acabar. Que mundo teremos pós-Covid-19? Quais os efeitos sociais e económicos desta pandemia, principalmente em países em desenvolvimento como o nosso? 

Perguntas que, para já, ninguém sabe responder com certeza absoluta.

Relembramos-te que a BANTUMEN disponibiliza todo o tipo de conteúdos multimédia, através de várias plataformas online. Podes ouvir os nossos podcasts através do Soundcloud, Itunes ou Spotify e as entrevistas vídeo estão disponíveis através do nosso canal de YouTube.

Subscreve a nossa newsletter e fica a par de tudo em primeira mão!

PUB