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Querida Déborah, é uma coluna de cartas para criativos em crise.
Envia a tua pergunta para deborah@bantumen.com, menciona os teus pronomes, contexto e como queres ser chamado. Todas as perguntas são respondidas anonimamente.
Já há algum tempo que vendo cursos online sobre desenvolvimento pessoal e profissional. E este ano comecei a ensinar o meu público a criar e a vender os seus próprios produtos digitais, transitando para os nichos de marketing digital, empreendedorismo e produtividade.
Sou muito apaixonada pelo que faço, mas também estou sempre atenta às mudanças do mercado. Comecei a vender cursos porque queria ajudar as pessoas a transformarem as suas vidas através do autoconhecimento e agora, diversifiquei adicionando o empoderamento financeiro.
No início, a ideia pareceu-me boa; o meu público cresceu imenso e antigos clientes retornaram, mas hoje, sinto que estou constantemente a moldar o meu conteúdo consoante as expectativas e preferências do meu público. E com isso, o meu estilo único de ensinar e a minha autenticidade têm-se perdido cada vez mais.
Sinto-me pressionada em seguir as tendências, principalmente por estar agora a falar de marketing digital. E percebo também que o meu público tem necessidades e preferências com as quais não me identifico. Cada vez mais sinto que o meu conteúdo se tornou genérico e isso tem comprometido a forma como ensino nos cursos.
Querida F,
Muito obrigada pela tua carta. Sinto a tua dor e me revejo nela. Não é à toa que eliminei os meus perfis na maioria das redes sociais para perceber o que realmente gosto, quero e o que me faz feliz quando o quesito é publicitar o meu trabalho. E não, não quero dizer que também tens de o fazer.
Entendo que neste momento estás dividida entre te expressares da forma como gostas e responder às expectativas do teu público. Suponho também que o algoritmo, principalmente se usas o Instagram também te tem dado algum trabalho. E acredita, este é um desafio bem comum entre empreendedoras digitais, especialmente aquelas que sentem que a sua identidade está intimamente ligada ao seu trabalho. É uma situação delicada, pois não queres abdicar de quem tu és, da tua forma de te expressar e, usando as tuas palavras, da tua autenticidade; mas também não queres correr o risco de deixar de vender por não seres flexível com as demandas do público que te acompanha.
Eu acredito que existe mais do que uma forma de fazer algo e não é porque “todo o mundo” posta conteúdo raso e curto que tu também tens de o fazer. Obviamente que a plataforma e a sua funcionalidade influenciam em como o teu conteúdo é consumido, por melhor que ele seja, se não fizer parte do que a plataforma quer, não é priorizado. Ao mesmo tempo, eu defendo muito que o cliente se adapta ao negócio mais do que o negócio se adapta ao cliente.
Mas aí entra a grande questão, será que é o teu público que está a demandar mudanças? Pois, se já vendias antes e te sentias satisfeita com os resultados, provavelmente as pessoa que chegavam até ti compartilhavam da tua visão, logo, adaptavam-se mais facilmente às tuas regras. Hoje, ao atraíres novos seguidores que já estão habituados a um certo tipo de conteúdo isso pode sim criar choques e te pôr numa zona de desconforto, mas não deve retirar-te do caminho que ressoa com a tua visão e com a maneira como gostas de criar e partilhar o teu trabalho. Podes sim ser fiel a ti mesma, enquanto atendes às necessidades do teu público.
Outra questão, esse público que quer mudanças está a comprar de ti ou apenas a observar e a gostar do conteúdo?
Sugiro que faças uma pesquisa com quem compra de ti, pois no fim do dia, como disse uma mentora que tive “seguidores não pagam as contas”. Reconhece as preferências de quem compra de ti e ajusta a tua forma de comunicação de acordo com essas pessoas. Não precisas de renunciar à tua identidade e nem de fazer o que “todo o mundo faz”; os pequenos ajustes podem ser feitos nas palavras que usas (por exemplo, termos mais técnicos que sejam facilmente reconhecidos por conhecedores da área), na tua entrega (por exemplo, ser mais prática e objectiva ou até dar exercícios) ou mesmo no acompanhamento (por exemplo, ter um grupo onde essas pessoas possam interagir entre elas).
A chave aqui é alinhares as necessidades do teu público, das tuas alunas, à tua expressão pessoal:
1. Escreve num papel o que faz de ti autêntica, qual é o teu estilo e a tua abordagem única.
2. Escreve em baixo as preferências do teu público (quem compra e já comprou de ti).
3. Faz pequenas mudanças e analisa como elas beneficiam as tuas alunas.
4. Educa as tuas alunas sobre o teu método de ensino, explica “as tuas regras” antes de elas entrarem na tua casa.
E lembra-te que ter equilíbrio não é ceder, mas sim encontrar um ponto de encontro entre o que tu sentes confortável em fazer e a demanda que os outros exigem de ti.
Espero ter-te ajudo.
Com carinho,
Déborah
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Para sugerir correções ou assuntos que gostarias de ler, ver ou ouvir na BANTUMEN, envia-nos um email para redacao@bantumen.com.
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