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Trap, drill e afrobeat, o novo tempero da música de Eneida Marta

Eneida Marta prepara-se para subir ao palco do Capitólio, em Lisboa, no dia 28 de janeiro, para apresentar Family, o seu novo disco gravado entre Lisboa e Londres, com a produção do filho Rúben Azziz e do irmão Gerson Marta.

Tal como os restantes trabalhos da embaixadora da UNICEF para a Guiné Bissau, este novo álbum vai buscar os sons tradicionais da sua terra natal, numa vibração bastante atual e diferente do habitual.

Em entrevista para a BANTUMEN, a cantora falou sobre a produção de Family e de como foi fácil lidar com o filho em estúdio. “Basicamente temos a mesma linguagem, sabemos aquilo que queremos e, é claro, quando confio deixo a pessoa trabalhar à vontade. Até porque, se eu não confiasse, fazia eu. Neste caso, ele é fácil de aturar em estúdio”, explica Eneida. “Às vezes, ele esquece é que eu sou a mãe”, acrescenta a artista em tom de brincadeira.

Vou buscar o tradicional para não perder a essência daquilo que sou, daquilo que é o meu país

Eneida Marta

Azziz assumiu este Family como produtor e diretor artístico, incorporando nas sonoridades tradicionais guineenses, que estamos habituados a ouvir nos trabalhos da mãe, uma musicalidade mais contemporânea e urbana. “O Ibra [lançado em 2019] já tinha uns indícios de alguma mudança, em termos de sonoridades mais urbanas, digamos assim. Eu costumo dizer que aquilo que faço é o tradicional urbano. Vou buscar o tradicional para não perder a essência daquilo que sou, daquilo que é o meu país, e junto com a sonoridade urbana”, recorda. Contudo, a mudança não aconteceu sem reticências. “Tanta diferença é um risco. Digo que foi um risco muito feliz para mim, com um resultado bastante feliz”, afinal, nem toda a gente tem essa sorte de sair da sua zona de conforto e o resultado ser positivo. “O Family está um disco mais fresco, mais jovem, mais contemporâneo, com drill, trap e afrobeat”, o que marca o ponto de mudança em relação ao Ibra. “Fizemos essa magia de eu conseguir ser a Eneida Marta, que as pessoas conhecem de discos mais tradicionais, num disco fresco e jovem, em termos de estilo e de som.”

E que não se pense que apenas os produtores são responsáveis por estas novas integrações. A própria artista sentia que estava na altura de mudar alguma coisa nos seus trabalhos. “Senti que era necessário fazer essa essa mudança na minha carreira. Não é só isso. Há outras outras mudanças que quero fazer e outras viagens que quero fazer em termos de estilo. Não hesitei porque, o facto de ter a Eneida Marta, há Guiné-Bissau. Se fores a ouvir, por mais que o estilo seja diferente daquilo a que o meu público está habituado, sempre que tens a Eneida Marta, tens a Guiné-Bissau”.

É essa a “magia” deste novo álbum, o equilíbrio musical entre a essência tradicional de Eneida, a jovialidade de Azziz e a criatividade intemporal de Gerson. “É verdade que fizemos uma experiência com o “Kuma”, durante a quarentena. Fiz uma base meio tradicional com trap. Lancei o desafio à minha mãe de lançar a música e funcionou. Foi daí que veio a ideia de experimentarmos algo produzido por mim e fresco”, explanou Azziz, interrompido pela mãe que diz que a história aconteceu de forma ligeiramente diferente. “Quem desafiou fui eu. Disse: ‘Ruben faz-me uma base diferente daquilo a que estou habituada a fazer'”, replicou Eneida.

Depois de vários showcases para apresentar um “cheirinho” deste Family, o álbum vai estar em destaque no concerto do dia 28 de janeiro, no Capitólio, em Lisboa. Apesar de não quer revelar que segredos tem para o alinhamento do espetáculo, Eneida avança que há pelo “três convidados especialíssimos, dois homens e uma mulher de “Cabo Verde, com uma voz extraordinária.”

Entretanto, muito provavelmente, logo a seguir ao Capitólio, o Family vai viajar até à Guiné Bissau, com data e local ainda por anunciar.

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