Falar de Edson da Luz é falar do povo

Azagaia | DR
Azagaia | DR

Falar de Edson da Luz, Azagaia, é falar da história da democracia em Moçambique, é falar da luta pela liberdade, a luta pela verdade, a luta pela defesa dos direitos dos povos sem distinção. A perda significa muito para o movimento associativo porque o tínhamos como alguém que revelava aquilo que guardávamos nos nossos corações, aquilo que procurávamos aromatizar. Ele nunca se permitiu não falar. Sempre falou de modo a despertar a consciência popular. A sua lírica enquadra-se no contexto africano. Mesmo fora dos PALOP, bastava ouvir a lírica dele para entender que aquilo era uma chamada de atenção, uma fala de despertar. Para todos nós.

Hoje, mais do que ir deixar o artista, estamos a despedir-nos de um herói. Um herói do povo, um herói pela liberdade, aquele que nunca teve reservas para dizer as coisas como elas são. É ver além da questão partidária. Edson da Luz via a coletividade, o sistema de opressão, mas não apenas aquela praticada pelo sistema governamental, como também aquela revestida nas pessoas que se camuflam de bons amigos mas que têm como único propósito a ganância.

É por isso que ele sempre dizia “ai de nós se desistirmos”, “ai de nós se não formos militantes”, “ai de nós se deixarmos calar” não só a voz dele, mas a razão do povo.

Resta-nos esse ensinamento. Temos o dever de dar-he continuidade, porque é parte da história de Moçambique, é parte da história dos povos africanos, é parte da história de resiliência e de liberdade, é parte do processo de construção da verdade e há de fazer parte da transparência governamental com os seus povos.

Por isso, vamos seguir em marcha como ele nos mostrou. É marchando. Marchar não é só se fazer à rua, a marcha é na prática do dia-a-dia, é no se despir do lambe-botismo, é no defender o povo em qualquer circunstância. Não apenas no coletivo mas também de forma individual. É por este líder que Moçambique está de luto. É por este líder que a comunidade dos PALOP está de luto.

Azagaia vive, herói do povo, reflexo prático de uma juventude sã, de uma juventude que pode se reconstituir, independentemente das circunstâncias. Povo no poder. Não podemos ter medo como ele disse, vamos cumprir com o que combinamos, colocar o povo no poder. 

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