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A visita guiada às vozes de escritoras africanas e afrodescendentes na 91ª Feira do Livro

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A edição número 91 da Feira do Livro, em Lisboa, fica, entre outras coisas, marcada pela visita guiada “Vozes de escritoras africanas e afrodescendentes na Feira do Livro”, promovida pela Livraria das Insurgentes.

Não é de hoje que esta feira acontece mas é desde sempre que a presença e destaque de autores afrodescendentes na mesma é fraca ou quase insistente. Para esta visita, as organizadoras que, são também as fundadoras da livraria, Luana Loria, italiana, e Alexandra Symeonides, italo-grega, convidaram a académica Raja Litwinof, da editora Falas Afrikanas, para a conduzir.

E não foi por acaso essa escolha, uma vez que, Raja Litwinoff é mestre em Línguas e Literaturas Românicas e consultora de desenvolvimento comunitário em vários países africanos, além de ativista na promoção das literaturas africanas em Portugal.

A BANTUMEN marcou presença neste evento, que realizou-se no passado dia 9 de setembro, e pôde presenciar, de perto, a importância da presença destas autores e autores numa montra intelectual da dimensão da Feira do Livro.

Os nomes a que estamos habituados a encontrar neste tipo de iniciativas são os de autores como Mia Couto, Ondjaki ou ainda Chimamanda Ngozi Adichie, por serem os mais conhecidos das grandes editoras.

Através desta visita, pudemos alargar o nosso horizonte literário africano, graças a editoras como a Nimba, guineense e que tem como missão promover as obras de artistas plásticos, escultores e escritores nos mercados internacional e nacional da Guiné e apresentou, por exemplo, o livro de Teresa Swarz “Silêncico entre duas notas”; a Humus Edições, editora especializada em ensaios e livros relacionados com ciências sociais, sendo, uma loja online, que levou a obra de Joacine Katar Moreira Matchundadi – Género, Performance e Violência Política na Guiné-Bissau; A Editora Orfeu Negro, que se dedica à publicação de ensaios e outros trabalhos documentais no âmbito das artes contemporâneas, que nos agraciou com Secrets to tell, a exposição de Grada Kilomba e, ainda, a Editora Presença, uma editora independente fundada em 1960 e que atualmente é um grupo editorial, que deu a conhecer o poema inaugural de Amanda Gorman, dos EUA, A colina que subimos.

Não podemos também deixar de mencionar editoras como Motor Editora, a Leya, a Caminho, a 20/20 Editora ou a Lua de Papel, que contribuíram fortemente para a elevação de escritores negros na Feira do Livro.

Os livro destacados foram da eleição da guia da visita, Raja, e acabam por ser algumas das suas sugestões de leitura.

Nas palavras da fundadoras da Livraria das Insurgentes, abaixo podemos ler sobre a missão e o papel do projeto.

Porquê a escolha do nome “Livraria das insurgentes” e qual é a vossa missão?

Insurgente é quem se rebela a uma autoridade ou a um opressor e quem começa a manifestar-se para reverter um dado centralismo. Nesse caso será o centralismo de um mercado do livro de molde patriarcal, capitalista e eurocêntrico que, sistematicamente, invisibiliza a produção das mulheres e da comunidade LGBTQIA+, de pessoas racializadas ou de classes sociais inferiores. Contribuindo para que as publicações neste sentido, demasiadas vezes reproduzam e romantizem, estereótipos acerca destes grupos. A tentativa da nossa livraria é quebrar estes padrões, desconstruir um catálogo viciado e criar novas narrativas.

Que iniciativa mais vos orgulha até agora?

 A livraria das Insurgente é um projecto ativo desde Maio de 2021. Desde então, tentamos dinamizar a livraria atráves de diversas iniciativas. O sarau das insurgentes na associação Sirigaita foi um dos primeiros eventos organizado por nós. Neste evento, o microfone estava aberto para todas as mulheres que quisessem ler os seus próprios textos ou partilhar leituras não autorais. Outra iniciativa fundamental para o nosso projecto foi  a Visita Guiada na Feira do Livro de Lisboa, cujo tema é “Vozes de escritoras africanas e afrodescendentes na Feira do Livro”. A guia da visita Raja Litwinoff, editora da Falas Afrikanas, permitiu-nos encontrar textos pouco visibilizados de mulheres escritoras africanas e afro-descendentes, entre as bancas das editoras da Feira do Livro, permitindo compreender melhor a questão da invisibilização da mulher escritora africana e dos afrodescendentes. Confirmámos a necessidade e a urgência de romper, também, certos estereótipos tão radicados no imaginário social sobre África, produzidos através da linguagem literária.

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