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FIC.A

FIC.A: O festival que nos apresenta a ciência como área multidisciplinar

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FIC.A, o primeiro Festival Internacional de Ciência realizado e organizado em Portugal, acontece de 12 a 17 de Outubro de 2021 nos Jardins do Palácio Marquês de Pombal, em Oeiras. Ao longo dos seis dias, o local será o epicentro do mundo da comunidade científica internacional em Portugal, tornando-se um verdadeiro exemplo da celebração da ciência e do conhecimento. Com uma programação pioneira, o evento oferece ao público experiências únicas em diversas áreas científicas, artísticas e culturais. O evento apresenta uma programação com mais de 700 atividades e 100 oradores, representando mais de 20 países.

A BANTUMEN esteve à conversa com Rúben Oliveira, biólogo e diretor científico da Senciência, entidade organizadora do evento, que explicou-nos o que podemos esperar dos três dias, a ligação aos PALOP e a forma como o evento se propõe trazer uma visão de futuro aos mais jovens.

Desengane-se quem pensa que a ciência é uma área que existe e subsiste por si só. Ela é na verdade uma área agregadora, capaz de conciliar outras tantas que, embora pareçam distantes, se conseguem unir num propósito comum. Exemplo disso é o FIC.A e a forma como a ciência nos é apresentada como área multidisciplinar capaz de agregar na sua essência áreas como a arte e a cultura. Tudo isto é possível porque, segundo Rúben Oliveira, existe um factor comum: a curiosidade. “Trabalhar a cultura científica pode ser entendido como trabalhar a curiosidade. Os cientistas antes de serem cientistas, são curiosos”, afirma acrescentando que existe na criatividade e na curiosidade algo que liga a ciência, a cultura e arte, acabando esta última por “funcionar muito bem para expressar os termos científicos”, sendo que a própria ciência acaba por se tornar inspiração para a arte.

É nesta fusão que o evento, pioneiro em Portugal, está montado e preparado para nos dar uma nova imagem daquilo que são as tradicionais feiras de ciências. Haverá monstras, experiências e tudo aquilo a que público está habituado a ver em eventos deste género, mas também haverá cinema, teatro contemporâneo, exposições de fotografia, circo e até mesmo momentos reservados para a arte digital. Para a organização, “a ciência e a cultura andam de mãos dadas muito facilmente” e unem-se num propósito comum de enriquecer e fazer a sociedade avançar, partindo de uma “base de enriquecimento pessoal e desenvolvimento colectivo” que permite que esta junção acabe por acontecer naturalmente.

OS JOVENS

Na sua primeira edição, a organização estima receber 40 mil visitantes, dos quais metade serão alunos da educação pré-escolar ao ensino superior e este acaba por ser um ponto de partida para a mudança de mentalidades e para se começar a criar a consciência de que a “ciência está em todo o lado”. Com um “programa que o distingue dos outros festivais um pouco por toda a Europa e até por todo o mundo”, o FIC.A propõe-se trazer aos jovens oeirenses visitas programadas de quatro horas, sendo que todo o contexto e abordagens científicas foram repensados de forma a estarem adequados a todas as idades.

Não existem temas proibidos, mas existe uma “preocupação muito grande” para que as actividades permitam e consigam responder ao desafio que é explicar a ciência aos mais pequenos. Apesar do repto, Rúben Oliveira admite que “temos um festival acessível, abrangente, inclusivo e o facto de pensarmos nas actividades e estruturarmos [de acordo com as idades], faz com que o festival fale a todos, mas toque a cada um”.

OS PALOP E A CRIAÇÃO DE SINERGIAS

Se por um lado os Jardins do Palácio Marquês de Pombal serão na próxima semana uma celebração da ciência, por outro serão ao mesmo tempo a prova de que esta consegue chegar a todos e a todo o lado. O FIC.A parte de uma base comum para construir um modelo integrador particularmente atento aos valores da inclusão, da sustentabilidade e da capacitação pessoal, não se coibindo de criar pontes que permitam enriquecer o trabalho já feito. Prova disso é a relação com os PALOP e os projectos que vão estar presentes no evento.

É “algo que desde início queremos trabalhar”, afirma Rúben Oliveira a propósito desta relação, acrescentando que a troca de sinergias com os PALOP, também extensível à CPLP, é pautada por “uma interacção muito natural”. O objectivo principal é aproveitar a língua em comum e as pontes já existentes para “ter conteúdo dos PALOP e [em troca] enviar para os PALOP o máximo de conteúdo”.

Não obstante as dificuldades que os países enfrentam a nível de acesso e investimento, o que Rúben afirma ser extensível a todos os países, “o facto de haver muita ligação entre Portugal e esses países acaba por permitir o acesso a financiamento externo e a financiamento interno também a nível educativo”, admite acrescentando que o trabalho desenvolvido vai além do trabalho de campo. Trata-se de uma troca de partilha de conhecimento, investigação e conclusão, que faz cair por terra o argumento da “perspectiva utilitária”, pelo contrário, reforça-se a necessidade de a investigação ser partilhada e de haver um trabalho conjunto que se permita ser usufruído por todos.

No FIC.A, os visitantes terão oportunidade de fazer uma visita virtual ao Parque Natural da Gorongosa, conhecido pela produção de café, e uma visita virtual ao Jardim Botânico de Cabo Verde. Apesar de ser um avanço, a organização não esconde querer fazer mais, afirmando que “há projectos interessantíssimos a ser desenvolvidos [tanto em Portugal como nos PALOP]”. Prova disso são os estudos que estão a ser desenvolvidos no Instituto de Medicina Molecular para ser criada uma vacina para a malária. Toda esta conjuntura é facilitada pelo facto de haver cientistas, investigadores e profissionais da área “naturalmente ansiosos para saber onde podem ir mais longe”. “As desigualdades existem, mas fruto das colaborações acabam por se atenuar”, reitera Rúben Oliveira.

A CIÊNCIA, A EDUCAÇÃO E O FUTURO

Quando perguntado sobre o futuro, e sem entrar em grandes análises, o fundador da Senciência é peremptório ao afirmar que a “educação é a fonte de tudo” e que, apesar de já existirem muitas escolas a trabalhar a ciência ao longo do ano lectivo e fora do horário escolar, eventos como o FIC.A acabam por “ter impacto não só na educação, mas também na visão de futuro”, abrindo um leque de perspectivas profissionais que vão desde a Matemática às Engenharias, passando pela Biologia e Robótica.

O actual cenário pandémico fez com que a ciência passasse a estar mais presente no nosso quotidiano, mas será isso o suficiente para entendermos a sua importância nos demais quadrantes da nossa vida? Serão os cientistas hoje mais valorizados do que eram quando vivíamos “normalmente”? Rúben não nos dá uma resposta certa, mas assume-se admirador da capacidade de resiliência dos cientistas portugueses. “Têm capacidade de fazer muito com pouco”, admite acrescentando que “a nível de conhecimento, capacidade e produção científica, os portugueses são fantásticos. Exportamos imenso conhecimento”.

Para agora a esperança de que a “pandemia tenha despertado as pessoas para a ciência como um todo”. Daqui para a frente a certeza de que “tudo o que é construção de uma visão de futuro tem ciência”.

O FIC.A chega ao país na próxima semana, num evento com entrada gratuita, onde a organização afirma que as pessoas “vão sair mais ricas do que chegaram”. O projeto é pioneiro em Portugal, mas o objectivo não é monopolizar, pelo contrário, é criar uma janela para que surjam iniciativas idênticas. “É um projecto que nós queremos que fique e que se abra”, remata Rúben Oliveira ao mesmo tempo que afirma que “há muitas vantagens em aproximar a ciência da sociedade”.

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Rodrigo França

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