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Francia Márquez | DR
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Francia Márquez, advogada, ex-trabalhadora doméstica, e agora vice-presidente da Colômbia

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A eleição presidencial de domingo na Colômbia é duplamente histórica. Gustavo Petro foi eleito o primeiro presidente de esquerda do país e Francia Marquez tornou-se na primeira vice-presidente afrodescendente eleita.

Cabelo crespo, vestido africano e punho erguido, Francia Marquez fez campanha para “aqueles que não são nada, aqueles cuja humanidade não é reconhecida, aqueles cujos direitos não são reconhecidos neste país”.

Eleita no domingo, a ambientalista e feminista convicta exaltou a vitória e a “reconciliação” do país “na alegria e na paz”. “Entre as nossas diferenças, podemos construir uma nação que avança, uma nação próspera”, disse a mãe de 40 anos em entrevista à Rádio Caracol.

A eleição de Francia a vice-presidente segue-se à conservadora Marta Lucia Ramirez (2018-2022).

O adversário derrotado de Petro, Rodolfo Hernandez, também teve uma candidata afrodescendente, Marelen Castillo. Com tez mais mista e cabelos alisados, durante a campanha, a candidata evitou abordar o tema do racismo nos seus discursos.

No entanto, com a ascensão de Francia Marquez e o seu discurso assertivo, um racismo subjacente começou a emergir, numa Colômbia onde 9,3% da população de 50 milhões de pessoas se identificam como afrodescendentes. Poucos ocupam cargos de poder e menos ainda mulheres. Apenas um afrodescendente está no governo hoje e dois parlamentares negros estão entre os 300 deputados e senadores.

A ascensão de Márquez à vice-presidência é “em termos políticos, simbólicos e culturais, muito importante porque a Colômbia é um país onde o racismo é muito forte”, avalia à AFP a analista Cristina Echeverri. Francia Marquez “oxigena a política tradicional” e reúne “ambientais, étnicos, raciais, juvenis e feministas”, sublinha Echeverri.

Nascida em uma família pobre do departamento de Cauca, no sudoeste do país, tornou-se mãe solteira aos 16 anos, teve que fugir da sua região após ameaças de morte, fez trabalhos domésticos para ganhar a vida e pagar a formação em advocacia.

Defensora ambiental coroada com o Prémio Goldman, também conhecido como Prémio Nobel do Meio Ambiente, Francia Marquez sobreviveu a um ataque armado em 2019. A política e advogada opôs-se à extração de minerais no seu departamento natal, onde grupos armados lutam pelo tráfico de drogas e pela renda da extração ilegal de ouro.

Sou a primeira mulher afrodescendente vice-presidente da Colômbia

Francia Márquez

“Chegou o momento de construir a paz, uma paz que envolve justiça social”, disse a Sra. Marquez. “Esperamos construir juntos um país em paz, um país com dignidade, um país com oportunidades, com justiça”.

Nas celebrações da vitória nas eleições, em Bogotá, Francia Marquez, vestida com seus habituais tecidos com motivos africanos, prestou homenagem a “todos os que foram assassinados neste país, todos os que desapareceram, a todas as mulheres da Colômbia”.

O programa de esquerda levado a cabo pela dupla Petro e Márquez pretende levar a cabo transformações ambiciosas, nomeadamente a cessação da exploração petrolífera face à crise climática e o aumento dos impostos sobre os ricos para reforçar a ação do Estado.

“Vejo-me a governar este país dos lugares mais esquecidos (…) das periferias”, disse, indicando que o novo presidente a encarregou de liderar um novo “ministério da igualdade” que garantirá os direitos das mulheres, jovens, minorias étnicas e população LGBTIQ+.

“Demos um passo importante. Temos um governo do povo, um governo do povo que vai a pé, um governo para quem não é nada. (…) Juntos, vamos reconciliar esta nação, na alegria e na paz “, remtando com orgulho: “Sou a primeira mulher afrodescendente vice-presidente da Colômbia”.

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