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José Bucassa: “Temos de trabalhar como um bloco PALOP”

José Bucassa, fundador do Angola Innovation Summit | DR
José Bucassa, fundador do Angola Innovation Summit | DR

Foi a vontade de “ajudar a construir uma mentalidade voltada para a inovação” que levou José Bucassa a criar, em 2020, e depois de algumas experiências piloto, o Angola Innovation Summit, um evento 100% digital, que reúne especialistas, líderes empresariais, policy makers [legisladores],firmas de capital de risco, empreendedores e académicos, dos quatro cantos do mundo, em especial, dos PALOP, com o pressuposto de que a inovação e a tecnologia são um fator-chave de desenvolvimento empresarial, económico e social.

“Observei que Angola estava muito mal posicionada, a nível dos índices de competitividade, mais concretamente no Global Competitivity Index, do World Economic Forum. E os pilares mais fracos eram precisamente os pilares relacionados com a inovação”, conta, à BANTUMEN, o diretor executivo e fundador do projeto, formado nas áreas de economia, finanças, estratégia, gestão e inovação.  

Um bootcamp, cinco masterclasses, três dias de conferências, em três palcos digitais, mais de uma dezena de expositores, 25 sessões de startups e muito network. No total, são esperados mais de sete mil participantes e 40 oradores, de 35 países. Nas vésperas da terceira edição Angola Innovation Summit, que decorre de 25 a 29 de julho, José Bucassa fala-nos das novidades e expetativas do encontro, mas também de como os PALOP se devem impulsionar como um todo, ou da importância da educação para a promoção do empreendedorismo em Angola. 

Qual é a ambição do Angola Innovation Summit?

Definimos o Angola Innovation Summit como um espaço para partilhar e inspirar sem fronteiras. Ou seja, para nós, é uma rede global de conhecimento. O que fazemos com essa rede global de conhecimento é promover a consciencialização acerca da inovação e da tecnologia, como fator chave para a competitividade, quer seja empresarial ou na estrutura de organizações não-lucrativas. Definimos [o Angola Innovation Summit] como um fator nesta lógica da competitividade e também como um fator chave para o desenvolvimento económico social. 

Quando falámos da inovação nesta dimensão, não estamos a falar unicamente de uma inovação tecnológica. Há inovação social, há outras dimensões que podem ser incorporadas em várias áreas da sociedade. Porque são promovidas por pessoas. As pessoas têm problemas. Os problemas precisam de soluções. Então, é preciso ter essa abordagem que até gosto de chamar solution maker [criador de soluções], mais do que problem solver [pessoa que resolve problemas]. Porque os problem solvers vivem sempre no passado, procuram encontrar uma situação que já aconteceu, para entregar uma solução. Mas, se for aquilo a que chamo um solution maker, é aquela pessoa que não espera o problema, antecipa. Ou seja, está sempre a andar para a frente, numa lógica de não esperar que aconteçam os problemas para pensar numa solução. 

Esta é uma narrativa que estou a utilizar, num tom de brincadeira, quando falo de solution maker, porque, no fundo, todos eles vão acabar por pensar numa necessidade que precisa ser resolvida. E essa necessidade pode ser lida com uma lógica de uma tendência que se está a criar. Não está efetivada ainda essa necessidade em concreto, esse problema, mas os acontecimentos do passado indicam que a curto ou a médio prazo poderemos ter um determinado caminho. Então, as empresas, as pessoas e os disruptores procuram encontrar soluções até ahead [à frente], a pensar já nessas questões. Basta pensar no que Elon Musk faz. Já há muitos anos se discutia sobre os carros elétricos. Muito antes de termos essa massiva produção, ele já falava e já começava a colocá-los no mercado.

Percebemos que é preciso falar de inovação, é preciso pensar em inovação

José Bucassa


Antes da nossa necessidade ser efetiva e urgente, ele já estava a falar sobre isso…

Exato. A inovação e as pessoas que trabalham no desenvolvimento de produtos acabam por fazer esse estudo. Nós temos vários estágios de necessidades, e essas necessidades nem sempre são verbalizadas. Há aquelas que são verbalizadas e satisfeitas. Não há muito a fazer, acabam por ser commodities [mercadorias]. Há outras que são necessidades que não estão satisfeitas, nem estão verbalizadas. São aquelas onde se procura encontrar um espaço de crescimento sustentável. Olhemos para o que a Apple criou na altura. Havia um conjunto de soluções, mas nenhuma delas conseguia despertar nos utilizadores aquilo que eles conseguiram fazer com o ecossistema que criaram. Daí terem aquele boom de crescimento isolado, acima dos valores do mercado ou do setor. E, por outro lado, temos as outras necessidades, que são as não satisfeitas e verbalizadas. Portanto, manifesto essa necessidade, mas não há produtos que consigam preenchê-la de uma forma global ou total. É um pouco do que estávamos a falar que o Elon Musk fez. No fundo, ele identificou necessidades que já existiam, mas não estavam verbalizadas. Então, estimulou essa necessidade com a apresentação de produtos. É um pouco disso que estamos a fazer. 

Percebemos que é preciso falar de inovação, é preciso pensar em inovação. Mais do que isso, é preciso fazer acontecer numa lógica de inovação: modernizar, transformar e impactar o mercado. Mas, antes de fazer, é preciso pensar, ter consciência sobre isso, e a nossa rede faz isso.

O Angola Innovation Summit é o maior evento digital de inovação de Angola e também dos PALOP. Entre outras coisas, pretende interligar os agentes dos diversos países, interligar agentes dos ecossistemas e contribuir para o desenvolvimento económico e social dos países. Como é que olha para a colaboração que existe entre estes países, no que toca ao desenvolvimento económico, ao empreendedorismo, à inovação e ao mercado de start-ups? Vai no bom caminho ou ainda há muito a fomentar e a trabalhar nestas relações?

Há aqui dois níveis. Há o macro e há o micro. A nível macro, são relações institucionais, governamentais. É preciso estabelecer relações de cooperação abrangentes, sobre várias coisas que, no essencial, estabelecem um clima de relação adequado entre os países. Porque, se existir esse clima, obviamente que os cidadãos que estão em cada um dos territórios têm também abertas as empresas para se relacionarem com as demais. Tanto quanto sei, isto existe. Essa ponte está criada. 


A nível micro, também vejo acontecer, porque até podemos dizer que nenhum desses países é um país de economia fechada. Portanto, transacionam com o mundo e entre si. E desse ponto de vista, é o que temos registado, e o Angola Innivation Summit, tem contribuído ativamente, porque temos tido presença de várias empresas, de várias startups e até de líderes, policy makers e outros, de todos esses países. Um exemplo que posso dar: este ano lançámos o Innovation Awards, que, no fundo, procura distinguir as organizações, as startups, os profissionais – que sejam dos PALOP – que usam a inovação e a tecnologia para transformar os mercados onde atuam e, ao mesmo tempo, ligar este mercado ao futuro. Ou seja, não os deixando para trás. 

Temos participantes que são de Cabo-Verde, de Moçambique e de Angola, numa perfeita convivência e harmonia. Em 2020, promovemos as iniciativas do Summit e uma das coisas que verificámos foram transações, parcerias, realizadas entre os vários representantes que estiveram no evento – quer fossem empresas, startups ou mesmo profissionais dos PALOP que estiveram presentes. Temos esses dados, temos essas estatísticas, em que houve network. Queremos precisamente isso. No fim de tudo, o que sobra é network. E esse network pode ser potencializado meramente para uma rede de contacto pessoal ou profissional, como pode escalar para uma rede de negócios. Posso encontrar um parceiro. Hoje pode não ser, mas amanhã pode vir a ser um parceiro ou um investidor, um fornecedor. Há sempre essa possibilidade. 


Indo diretamente à questão, posso dizer que sim. Temos visto essa colaboração entre os ecossistemas. E acredito que, em primeiro lugar, a nível dos ecossistemas mais voltados para as startups – se quisermos ser mais específicos – precisamos de trabalhar como um bloco. Temos de trabalhar como um bloco PALOP. Por uma razão muito simples: o país mais bem posicionado no ranking global do ecossistema de startups – do qual somos ecosystem partners [parceiros do ecossistema] para Angola – é Cabo Verde. Mas ainda assim está na posição 87 no top 100. É uma posição, diria, não satisfatória. Estando Cabo Verde lá, está a representar os PALOP. Angola entrou este ano para a posição 97. Teve o ponto de partida, no ano passado, na posição 115. Portanto, já entrou para o top 100. Ainda assim, os PALOP estão, diria, muito abaixo de outros. Temos de conseguir evoluir, no mínimo, para o top 20. Não interessa se estará Angola, se estará Cabo Verde, se estará Moçambique, mas quem lá estiver que represente a África lusófona está a dizer que há dinamismo, que há movimento, que há um pensamento e há uma ação sobre tecnologia e inovação nesta região. É disso que estamos a falar e queremos ajudar a impulsionar.

Em Angola, especificamente, quais são os principais desafios que se colocam aos jovens empreendedores?

Além de sermos ecosystem partner do Relatório Global de Ecossistemas de Startups para Angola, e de termos aquela admissão que fazemos também na área de consultoria, fazemos estudos. Fizemos, no ano passado, o mapeamento do ecossistema empreendedor de Luanda, onde identificámos cerca de 191 iniciativas, em seis domínios – desde políticas que são implementadas para impulsionarem o empreendedorismo, startups e tudo mais. Ao mesmo tempo, ouvimos os players do ecossistema, e todos são unânimes em dizer que o que dificulta é a burocracia, a falta de estímulo, ou de políticas de incentivo, e também o financiamento. 

Temos essa questão da falta de apoio estrutural e a falta de financiamento. Essas duas, principalmente. Mas já começamos a ver soluções para isso. Estamos a ser um observatório do empreendedorismo, que devia ser tarefa do Estado. Claro que os privados podem atuar dessa forma, mas penso que o principal interessado em promover o empreendedorismo, porque ajuda a economia, a todos os níveis, é sempre a instituição, enquanto promotora da economia. Existe o Ministério da Economia, existe um instituto, que é o INEPM (Instituto Nacional de Apoio as Micro, Pequenas e Médias Empresas), que poderia ter esse papel ativo, constante, de monitorização, porque isso ajuda na definição das políticas de fomento ao emprego e de fomento ao empreendedorismo empresarial. É por isso que estamos a fazer esse papel de estudar todos os anos. Mas, claro, fazemo-lo também como um serviço. Temos os nossos clientes que nos compram esses estudos. Penso que podia haver uma sinergia nesse sentido, porque é interessante perceber o que está a acontecer hoje, para definir as melhores políticas, ações e incentivos, para poder resolver esses problemas. 

Dizia que as soluções já começam a aparecer, porque, por exemplo, este ano, é capaz de ser lançado um fundo de investimento do Banco de Fomento de Angola (BFA), em parceria com a UNITEL, de acordo com informação a que temos acesso, o que vai ajudar muito a esta questão. Sabemos também que foram rubricados dois acordos entre o IFC (International Finance Corporation) e a Acelera Angola, que é uma incubadora e aceleradora, e o Founder Institute de Luanda, que também tem a mesma função: ajudar a identificar e a financiar projetos promissores ao nível do empreendedorismo e das startups. Isto não existia. É uma ação nova no ecossistema e está a resolver um problema, que é o problema de acesso ao financiamento, ao mesmo tempo, que da parte, por exemplo, de instituições mais públicas, a Comissão do Mercado de Capitais lançou este ano, há dois meses ou no mês passado, o Programa Emergente, que é um programa que vai procurar potenciar as empresas, para que elas amanhã consigam entrar para a bolsa. Tem também uma dimensão de financiamento, se não me estiver a enganar, e envolve três atores importantes do ecossistema, que é a Academia do Empreendedores de Luanda, a Acelera Angola e o Founder Insititute. Penso que são soluções que resolvem esse problema que acabei de dizer que ainda é uma dificuldade. São soluções que não são suficientes, mas já são, diria, um passo significativo comparando com o que não existia há um ano.

José Bucassa, fundador do Angola Innovation Summit | DR

O empreendedorismo é uma realidade um pouco transversal a todo o país ou é efetivamente mais notória e mais evidente, por exemplo, em Luanda, em Benguela, e por aí? Existem empreendedores a surgir um pouco por todo o país?

Existe sempre e está em todo o país. Fugindo um bocadinho à tua pergunta, tenho dito que a inovação e a tecnologia são desafios globais. Defendo que não podemos ficar presos a olhar apenas para o que acontece nos Estados Unidos e dizer “ok, aquele é o mundo inovador, nós somos o mundo consumidor” – quando digo “nós”, digo os PALOP para ser mais específico, e podia dizer até África em geral… Não devemos olhar assim porque, quanto mais parados ficamos, mais distantes ficamos. Temos de acompanhar esse movimento, promovendo internamente, ou seja, ter uma perspetiva global e agir localmente, de acordo com o contexto local.

E respondendo agora à pergunta diretamente, digo que sim, acontece em todo o país, não ao mesmo nível, como é natural, por razões sociodemográficas, sociológicas ou socioeconómicas, que caracterizam cada uma das províncias do país e que se distinguem em larga medida do que é Luanda. Mas é preciso, acima de tudo, estimular o aspeto cognitivo, estimular a criatividade, e isso pode-se fazer com acesso à educação. Porque as startups e as empresas são formadas por equipas, por pessoas. Acredito que o nível de conhecimento dessas pessoas vai influenciar o desempenho dessas organizações. A organização não é abstrata. Quando olhamos para organizações superprodutivas, estamos a falar de pessoas que estão ali. Essas pessoas é que são superprodutivas. Então, quando falamos de soluções disruptivas incríveis em Silicon Valley, é a massa cinzenta que está lá

Se começarmos a apostar fortemente nesse desenvolvimento de competências ativas, em todas as dimensões e em todo o território nacional, haverá um maior equilíbrio, mas, hoje, é muito mais notório que já há muito movimento de criatividade, de empreendedorismo ativo, tecnológico, particularmente em Luanda. Tenho a sensação, e, pelos dados, tenho quase certeza, de que este movimento vai continuar e sempre a escalar. 

Considera que a educação é o fator essencial para este movimento continuar a ser alavancado?

Completamente. Disso não tenho dúvida. A inovação é crucial. As startups começam com equipas ou com alguém que forma uma equipa, e que depois monta uma unidade comercial, dá corpo empresarial. Mas são sempre as pessoas. O centro é sempre as pessoas. Se tivermos duas crianças com a mesma idade e com o mesmo nível de escolaridade, se ensinarmos a uma como se faz o cálculo de um mais dois de uma forma e a outra de outra forma, ou não ensinarmos, obviamente que as duas, com a mesma idade, no mesmo contexto social, vão ter conhecimento e vão conseguir lidar com aquela realidade de forma distinta. Porque tiveram acesso diferente aos estímulos cognitivos, ou seja, ao conhecimento em si. Então, penso que é fundamental.

Hoje existe essa necessidade de apostar fortemente na educação. As universidades têm um papel muito forte nessa jornada e já começam a surgir incubadoras nas universidades. Acho que é uma coisa muito importante, uma rede de incubadoras, e vejo com bons olhos os próximos anos.

A situação da Rússia e da Ucrânia parece-nos alheia, mas não é

José Bucassa

O que se pode esperar desta terceira edição do Angola Innovation Summit, que arranca já no dia 25 de julho?

O Innovation Summit vai decorrer de 25 a 29. A cerimónia de premiação do Innovation Awards será no dia 29. Temos, acima de tudo, o interesse e a dedicação constante de continuar a proporcionar a cada participante o acesso ao conhecimento especializado, acesso a uma rede de network global, ao mesmo tempo, oportunidades de desenvolvimento de competências e uma experiência digital distintiva.

Fazemos isto como? Com o bootcamps. Teremos, de 25 a 28, um bootcamp de certificação internacional em future foresight, em parceria com a Global Innovation Management Institute, que tem sede em Nova Iorque. Diria que é a autoridade global sobre inovação. Os profissionais são ali certificados. Assim como um médico precisa de ser certificado na Associação de Médicos, é lá que todos os que querem ser profissionais de inovação devem estar. E nós vamos trazer esse bootcamp para os PALOP.

Vamos ter três master classes. Teremos, depois, a partir de 27, as conferências. São três dias de conferências, três palcos digitais, mais de 10 painéis, mais de 25 sessões e mais de 40 oradores, que são esperados nesta edição.

Temos como novidade, como já referi, o Innovation Awards, e temos a discussão de todos os que vão participar, uma ferramenta crucial para networking, que permite fazer aquilo que fazemos nos encontros presenciais. A única diferença é aquele calor presencial, em que temos que sentir a outra pessoa do outro lado, mas o objetivo central, que é conseguir aumentar a nossa rede de contactos, quando estamos no coffee break, podemos fazê-lo de forma digital. O mundo é digital, e damos essa oportunidade e essa ferramenta para que as pessoas até alcancem muito mais [do que presencialmente]. Enquanto numa sala de conferência, falo com duas, três, quatro, aqui consigo abrir um debate, uma conversa, com muito mais pessoas, e de várias partes do mundo, não só circunscrito num local.

Esbatendo completamente as fronteiras geográficas. Este é um evento que pensa, não só na questão, em específico da inovação, do empreendedorismo, mas também da economia, de um ponto de vista mais macro. Há oradores que também trazem essa perspetiva das grandes tendências económicas…

Exatamente. Desde o primeiro dia em que concebemos o piloto 1.0, pensámos no seguinte: é impossível a “microeconomia”, que são as empresas, o mercado mais ativo, ser mais desenvolvido do que a estrutura macro. Ou seja, a definição da estratégia empresarial de cada uma das pessoas que vai atuar na sua esfera – uma microempresa, uma grande empresa, o que for – parte do pressuposto de que há uma leitura macro das várias tendências – económica, social, cultural, política. É com base na leitura do macroambiente que os gestores definem a sua estratégia. 

Não é a tecnologia em si que vai fazer uma empresa rentável. Para essa tecnologia ter adesão ou ser apetecível para o mercado, tenho de perceber quais são as necessidades que o mercado apresenta e como essa tecnologia se enquadra em todas dimensões. Até pode ter uma barreira política. Pode haver, por exemplo, uma lei que não permita explorar aquele tipo de tecnologia. Então, tendo esse quadro no pensamento de um gestor, como é que ele decide? Como é que ele define uma estratégia, independentemente de qual o tipo de negócio? Achamos conveniente, desde o primeiro dia, incluir em todas as edições do Angola Innovation Summit um tema mais transversal. O evento é sobre tecnologia e é sobre inovação, disto não há dúvidas. Mas, na abertura, trazemos sempre um tema transversal. Por uma razão muito simples: porque os gestores precisam perceber o quadro que está à sua volta.

Podia dizer assim “sou uma empresa de tecnologia”, tudo bem. Mas preciso perceber onde é que estou, de que ambiente estou rodeado. Qual é a tendência económica? Como é que as coisas vão evoluir? Por isso, temos um painel, este ano, que será apresentado pelo Dr. Paulo Portas, que são as tendências dos mercados globais, que são provocadas pela geoestratégia no contexto pós-Covid. Isto porque, hoje, a situação da Rússia e da Ucrânia parece-nos alheia, mas não é. Vimos que, acontecendo naquela parte da Europa, está a afetar todo o mundo e, como os mercados são abertos, isto afeta vários países em vários setores. É importante trazermos esse racional para o evento. Se for uma empresa de tecnologia, o meu cliente não será necessariamente um cliente de tecnologia. Posso vender softwares de gestão, ou quem pode comprar o meu software de gestão pode até ser uma empresa no setor da saúde, mas o que vai afetar aquela empresa pode determinar a escala da minha produção. É preciso perceber o mercado. É mais ou menos nessa lógica que introduzimos sempre um tema sobre economia e mais transversal, para que todos os que aderem ao evento tenham conhecimento e possam tomar melhores decisões.

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