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Loony
© Indi Nunez

Loony Johnson: “O ritmo nasceu connosco”

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Filho de pais Cabo-Verdianos, nasceu na capital Lisboeta. Com seis anos adorava desenhar e até pensou fazer disso carreira, mas a paixão pela música cantou mais alto.

Loony Johnson é um sonhador. Foi enquanto DJ que agitava as discotecas lisboetas nos finais dos anos 90 e que se afirmou no panorama musical lusófono. No entanto, cantar sempre esteve ao lado da sua alma de artista. Na adolescência, o hip hop foi-lhe introduzido por um grupo de rapazes com quem aprendeu a cantar rap e formou o grupo “Piratas do Ghetto”, animando as festas da escola e do bairro. 

Numa retrospetiva à sua carreira, tudo começou como DJ na passagem dos 16 para os 17 anos e começou a produzir em 2002/2003. Num vaivém entre a nostalgia dos anos 90 e os dias atuais, o artista relembra que, no tempo em que transitou para a produção musical, não tinha os tutoriais do YouTube que o ajudassem. Foi o autodidatismo e o aprender com quem sabe que o trouxeram até aqui. 

Poucos anos depois, em 2006, lançara o primeiro álbum, Loony Johnson.

Neste episódio da BANTUMEN Podcasts, Loony Johnson explica como tem sido a sua trajetória artística que já dura há mais de duas décadas e como é que, com um olhar retrospetivo e calmo, se tem mantido firme na tirania da rapidez que vivenciamos nesta era digital.

Já lá vão 25 anos de carreira no currículo e Loony Johnson está a poucas semanas de lançar o seu quarto álbum, um projeto repleto de temas que o identificam como pessoa, temas fortes, tradicionais, mas também estilos inéditos à sua maneira de fazer música e um pouco de afrobeat. O artista cabo-verdiano avança que o álbum traz consigo nomes como Djodje e Vado Más Ki Ás e beats produzidos por Elji Beatzkilla e por produtores antilhanos e norte-americanos.

O álbum carrega consigo um ineditismo que nenhum outro álbum teve: o irmão dá voz a uma música dedicada ao pai. É uma música “muito sentida, muito pessoal” e que acredita que tenha sido uma das “mais fortes e mais difíceis” de fazer. 

Para o também produtor, as músicas quando são feitas com sentimento, e não só com o intuito de agradar, são mais sentidas pela audiência e as pessoas identificam-se mais. No entanto, não descarta que há sempre uma pressão que acompanha a vida de um artista. 

Na sua opinião, antigamente, o público consumia música que se ouvia através de vinil e cassetes de forma mais lenta, mais na íntegra e com mais atenção. Hoje, a Internet acelerou o ritmo e a música é como “fast-food”. Vive-se numa era diferente, as pessoas fazem e consomem música de forma muito mais rápida. No entanto, salienta que a rapidez não é um fator que afirme que não se cantou bem ou que não se fez um bom trabalho. 

O talento negro, segundo o artista, vem da alma e que a musicalidade vem da história, dos antepassados. E acrescenta que, nas outras culturas não se vê tanta facilidade com o ritmo como se tem nos países PALOP.  “O ritmo nasceu connosco”, disse.

Enquanto artista português com sangue cabo-verdiano e com o crioulo na ponta da língua, Loony diz que, embora o público português já consuma mais da música dos PALOP do que nos anos 90, ainda “há muito caminho a ser percorrido” para que as músicas sejam valorizadas no mercado musical português. 

Sobre o álbum, após quase três anos de processo criativo, o artista – que se diz perfeccionista – avança que o álbum deveria ser lançado em 2020, mas que a pandemia acabou por permitir-lhe concretizar o trabalho de forma mais calma. Para já, faltam apenas alguns ajustes finais e a capa está em processo de produção.

Neste 2022, Loony já tem datas de apresentações ao vivo na agenda – vai participar no show de Nelson Freitas e de Djodje, nos Estados Unidos – mas o foco agora é a chegada do quarto álbum e o que advirá dele.

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