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Luedji Luna
📷: Henrique Falci

Luedji Luna prepara-se para voos ainda mais altos com “BDMA DELUXE”

As ambições de Luedji Luna são grandes. Cada vez mais consolidada no Brasil, agora ela pretende expandir o raio de extensão do seu trabalho para horizontes ainda maiores. Entrar de vez no efervescente mercado norte-americano é um dos objetivos atuais. O flerte começou depois da resposta positiva de suas participações nas conceituadas séries de vídeos musicais Tiny Desk e Colors. 

Para colocar o plano em prática, a cantora baiana fez uma versão deluxe do segundo álbum Bom Mesmo É Estar Debaixo D’água” (BMDA). Mas o que geralmente é apenas complementar à ideia principal, tendo a inserção de algumas faixas, tornou-se nas mãos de Lueji algo arquitetado do zero, a partir de um desenho que não traz muitas lembranças do esboço inicial.

Isso fica evidente na quantidade de músicas inéditas (10), compostas pela própria e em parceria com Marissol Mwaba, François Muleka e Ravi Landim. Todas possuem na base a temática do amor, sob a perspectiva de mulheres negras, porém, a estética é construída com uma textura mais leve e, em alguns, momentos com um certo suingue. Dessa vez, o soul, o jazz e o R&B tomam a frente, deixando os elementos da música brasileira, como os tambores, em segundo plano. Logo no início, o neo-soul afetuoso e bem carregado de “Blue” já sinaliza o que os ouvidos podem aguardar nos minutos seguintes. “Salto” e “Pele” reafirmam esse rumo guiado por uma bússola muito bem calibrada.

Luedji Luna
Luedji Luna | 📷: Henrique Falci

O resultado é a soma de energias de Luedji com o queniano Kato Change, um dos expoentes do jazz e do blues africano contemporâneo, o brasileiro Theo Zagrae (YOÙN, Tássia Reis), Odissee, rapper e produtor musical estadunidense e John Key, baterista que também assina a produção do álbum “When I Get Home” da  Solange Knowles. Nesta conta ainda não estão Sango e Be-Atriz, responsáveis por dois dos três remixes presentes (“Bom Mesmo é Estar Debaixo D’água” e “Lençóis”, respectivamente).

Na construção da narrativa, Luna ainda tem a colaboração de YOÙN, Mereba, presente na trilha sonora do filme Queen & Slim (2019) e ganhadora do BET Award (2020), do já citado Oddisee, que também coloca suas rimas em “Sinais”, e da MC carioca N.I.N.A, um dos fenômenos do rap/grime do Brasil. Linn da Quebrada, Aza Njeri, Mayra Andrade e Winnie Bueno também contribuem dando suas visões particulares em “O que é o amor?’, introdução que segue o mesmo direcionamento da abertura feita no disco anterior por Lande Onawale em “Uanga”. 

Tudo está muito bem alinhado entre a voz doce e marcante de quem versa com a estrutura rítmica montada. Se é estratégia mercadológica ou não, o ar de inovação de “BDMA DELUXE” agradou o público. Tanto é que em menos de um mês ultrapassou um milhão de streamings no Spotify, e passados quase dois meses já bateu a marca de 100 milhões. 

Sem abandonar a essência, Luedji Luna fez uma obra intensa, moderna e envolvente. As características representam muito bem a pretensão de quem deseja “navegar por águas turbulentas”. Esse é apenas o início de um voo com todas as possibilidades de ser cada vez mais alto. 

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