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Miguel Vicente, um manager que constrói sucesso e deixa a “corda para o próximo”

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Todos nós, num dado momento das nossas vidas, acabamos por ter pelos menos uma epifania. A de Miguel Vicente aconteceu aos 11 anos, quando “fugiu” com um amigo para ir ver os GNR num concerto de passagem de fim de ano. “Um dia gostava de estar ali”, pensou sem nunca ter sequer sonhado em fazer parte do mundo da música. A energia em palco, a música e a emoção do público espoletaram uma sede de criar e potenciar momentos como o que viveu naquele dia.

Hoje, o acaso – e o facto de ser vizinho dos Da Weasel – levou-o a ser um manager de artistas, road e stage manager (gestor de digressões e de palco, em português) responsável por um dos grupos de maior sucesso em Portugal, os Wet Bed Gang, e não só.

Com praticamente 20 anos passados dentro da indústria da música, e apesar do sucesso, Vicente nunca quis estar nos holofotes, sendo esta a primeira vez que fala, em seu nome, para uma publicação. “Faço as coisas pelo amor que tenho à música e pelas coisas daquilo que vou compreendendo”, explica-nos neste podcast com Eddie Pipocas.

Essa humildade, latente na serenidade com que dialoga e na forma de estar, levou-o a conquistar a confiança de nomes como Buraka Som Sistema, Agir, Ana Malhoa e do grupo de Vialonga. “Eu sou uma pessoa que se tenho conhecimento transmito esse conhecimento. Porque a única forma que tenho para evoluir é transmitindo. Porque transmitindo, vais incentivar a pessoa a andar ainda mais para a frente e essa pessoa a quem transmitiste vai-te ensinar alguma coisa. A minha evolução foi muito assim. Puxar por pessoas, ensinar o que sei do pouco que sei. Interessa-me uma única coisa que é: conseguir chegar ao cume da montanha, escalando-a e deixando a corda para o próximo”, explicou-nos.

Esse sucesso pode ser uma feliz coincidência da independência que sempre teve mas é, sobretudo, por tornar-se praticamente família dos artistas. No caso dos Wet Bed Gang, “foram eles que me levaram para o management. Porque sempre lhes disse ajudo naquilo que eu puder, mas quando estiverem feitos… vou fazer a minha parte. E depois comecei a dar-me com os miúdos, o Gson, Zizzy, Zara, Kroa, Brizzy, o Paizinho… passaram a ser a minha família (…) e aí começo esta etapa de management“.

Miguel Vicente é um cabo-verdiano com nacionalidade portuguesa, como o próprio afirma, com um orgulho imenso nas suas origens. Nasceu em Portugal mas é em Cabo-Verde que a sua cultura está ancorada. Enquanto nos fala desse seu lado pessoal, exibe um quadro pendurado em casa. “É a minha avó. Foi a primeira mulher que conduziu um carro na cidade da Praia. É a minha rainha”, diz-nos da mulher que sempre o “obrigou” a ir passar férias ao arquipélago, provavelmente, para o manter conectado às raizes.

A sua história na música é também feita de dissabores. A pandemia arrasou-o. Profissionalmente, mas sobretudo mentalmente. “Já passámos por vários apertos mas, como isto, nunca vi. Eu peço a Deus para apagar isto da minha memória”, relatou esclarecendo a forma como os profissionais da indústria, os que não estão visíveis, foram esquecidos pelas medidas de apoio. “As pessoas não existem. O Estado não quis saber”, sublinhou.

Contudo, releva a necessidade de seguir em frente. “A realidade é que todas as feridas saram”, diz. Agora, é hora de olhar para a frente e continuar o caminho. “Tudo é possível. Portugal está feito, é a terra é a raiz é daquilo que fizemos mas temos mais raizes. África continuamos a trabalhar. Tem de se fazer mais, Angola, Moçambique, Guiné. Começar a olhar para o Brasil, não ter medo, América Latina e sonhar com os Estados Unidos. Sonhar é gratuito. Podes sonhar sentado no banco, é fixe, mas sonha a fazer”.

Ouve a cativante história de Miguel Vicente no player acima, ou diretamente através dos canais BANTUMEN nas plataformas de streaming de áudio, como SoundCloud, Spotify e Apple Podcast.

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