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muntu, uma marca angolana nos EUA, amiga do ambiente e virada para as raizes

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A muntu (a grafia correta é com m minúsculo) é uma marca de artigos de arte, de decoração para a casa e de moda, todos produzidos à mão e de inspiração africana. Aida José, angolana nascida e criada no enclave de Cabinda, é a fundadora da marca que tem conquistado o mercado norte-americano.

Desde muito cedo, através da família, Aida recebeu as primeiras bases artísticas – sobretudo ligadas ao artesanato – e os valores morais afrocentrados. “Cresci rodeada de várias formas de expressões culturais, aprendendo sobre valiosos artefactos históricos e sempre apreciei isso. Não fosse isso, provavelmente a muntu não existiria”, disse-nos em entrevista.

O pai é um dos seus principais mentores, que na altura era responsável de um dos mais influentes museus de arte e cultura de Angola, o Museu Regional de Cabinda. Desde a infância que Ainda teve assim contacto com obras de arte raras profundamente ligadas à cultura angolana e africana, no geral. Essa ligação moldou-lhe os interesses profissionais, criando em si o desejo de desenvolver uma marca, a pensar na diversidade cultural africana e na vertente da sustentabilidade ambiental. Po isso na muntu, as peças são manufacturadas, garantindo o fator qualidade, a sua produção tem como propósito impactar o menos possível o meio ambiente e cada uma delas conta uma história.

Back To Basis é o lema da marca, que significa voltar às raízes, numa tradução literal. Com vários designers, Aida trabalha para criar peças singulares, cada uma com a sua temporalidade e funcionalidade, além repescar algumas das suas memórias de infância mais queridas. Romeli Bag, por exemplo, é uma bolsa de palha inspirada pelas lembranças das idas ao mercado com a mãe. Era com essas sacolas que se transportava na altura a mercearia. “Sempre me entusiasmei com as cores, a versatilidade, a adaptabilidade e quando voltei a por os olhos nelas, depois de décadas, foi uma sensação maravilhosa”, completa.

Angola, Moçambique, África do Sul e a República do Congo são alguns dos países onde estão localizados os artesãos e artesãs que trabalham com a muntu, garantido não só a essência da arte africana do início ao fim da concepção de cada peça, como apoiando financeiramente as comunidades locais. O objetivo, a longo prazo, é aumentar o número de países envolvidos na cadeia de produção.

O compromisso atual do projeto é a sustentabilidade para alcançar o status green, com peças 100% ecológicas e únicas, que mostram autenticidade de manufaturação e as técnicas tradicionais, amigas do ambiente. “Queremos repensar a abordagem convencional da sustentabilidade com ênfase no baixo impacto ambiental e longevidade”, diz Aida. Cada artigo é feito com materiais reciclados e matérias primas locais que tenham por base a regeneração natural.

Para um futuro próximo, Aida eleva a fasquia e está a projetar embalagens reutilizáveis, compostáveis e, provavelmente, comestíveis. O objetivo é advogar pelo zero desperdício.

O compromisso com as causas sociais não se fica pelo ambiente. A muntu é pela igualdade social e, por isso, desde a sua fundação que 15% das suas receitas revertem para associações civis e organizações não-governamentais angolanas focadas sobretudo nas crianças e adolescentes em situação de risco.

Estes valores sociais, de empatia pelo próximo e respeito pela natureza, foram-lhe vincados pela família. “Esses princípios foram os pilares da minha educação e para mim [estas ações] são um ato puramente humanista, é um dever, uma necessidade e devo isso aos meus pais e serei eternamente grata”, completa.

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