“Sem Rumo” de Nayr Faquirá vem abrir o ano da cantora, que não lançava novas músicas desde que saiu o álbum Misturas, em 2021. A música e o clipe oficial já estão nas plataformas de streaming e YouTube, respetivamente. Para este ano, a artista que levar o seu trabalho a mais pessoas e trabalhar com mulheres da indústria musical.
Com uma batida que relembra o estilo reggaeton e a influência de outros ritmos também mexidos, “Sem Rumo” é uma lufada de ar fresco e completamente apropriado para num momento de descontração, em sintonia consigo próprio/a e com os auriculares ao ouvido.
“A música reflete tudo o que vivo e vejo. Acho importante, para mim, haver esta conexão artista-pessoa. O single ‘Sem Rumo’ foi escrito e produzido numa altura em que tentava voltar a ganhar rumo na minha vida. Passei por uma fase chata, como todos passamos de vez em quando, e sentia que estava desmotivada e perdida num misto de emoções”, explicou.
De forma terapêutica, Faquirá procurou colocar todas as inquietações que lhe ocorriam na alma. Quando começou a escrever, sentiu que respondia a si mesma, sendo esse percurso serviu-lhe, de certa forma, de terapia.
“A ‘Sem Rumo’ traz desta forma a narrativa de alguém que se relembra do quanto é uma dádiva estarmos vivos e prontos para o que aí vem, seja isso o que for. Independentemente de nunca virmos a ter a certeza de para onde caminhamos”, elucidou.
Sobre a sonoridade, “tento sempre trazer esta referência world music ao rnb e, a partir daí, deixo fluir. O produtor Alec Chassain é alguém com quem já trabalho há anos e temos imensa música. Achámos que, refletindo a letra, a música em si devia ser quase como uma viagem.
Em termos de vídeo, a produção foi toda feita pelo Bernardo Pavão, um artista incrível que também já conhecia há algum tempo. Tentámos neste ponto também pegar na questão das referências culturais da minha música e usámos alguns sítios em Sintra, onde cresci”, disse.
Alec Chassain, em termos sonoros, o seu ponto de partida teve inspiração nas sonoridades árabe e indiana, muito presentes durante o crescimento de Nayr.
Quantos aos visuais estiveram à responsabilidade de Bernardo Pavão e Beja Design (Patricia Beja) na parte gráfica.
Os mais atentos notaram que no ano passado, Nayr lançou o álbum Misturas. No seu ponto de vista, o material foi “super bem recebido” e não contava com “tanta partilha e carinho”, frisando que as participações também deram um “boost” para que o álbum chegasse a mais pessoas.
“O valete foi um mestre e amigo importante neste lançamento e estou-lhe eternamente grata por todos os conselhos e partilha”, relembrou.
Para este ano, Nayr quer perder os medos e explorar ainda mais a mistura de sons que tem criado com outras pessoas e manifestou dois desejos: “Adorava trabalhar com mais mulheres na indústria e tocar mais ao vivo”, desabafou.
Bruno Dinis
Carrego a cultura kimbundu nas minhas veias. Angolanidade está presente a cada palavra proferida por mim. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, por tanto, não seja recluso da ignorância.