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“Nua”, o grito de liberdade da artista santomense Sílvia Barros

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Sílvia Barros carrega em si a beleza de um tesouro à espera de ser descoberto. Na voz traz a doçura do cacau e o leve leve das duas ilhas de um país que é atravessado pela linha do equador.

Depois de ter lançado o seu primeiro EP, Nome, em 2019, Sílvia lança agora Nua, com cinco temas originais. O trabalho foi ganhando vida pouco a pouco, após uma conversa com o rapper, também santomense, Valete, que aconselhou Sílvia no início desta nova jornada.

Nua é algo sentido, é cru é puro” e nasce como um grito de liberdade após o renascer da Fénix. É a melhor forma de caracterizar esse projeto, que fez com que a artista voltasse a sentir prazer em fazer música, depois de a indústria musical a ter feito duvidar das suas capacidades, enquanto cantora e compositora.

“Foi a primeira vez em nove anos que fiz música só pelo prazer de fazer, sem over think (pensar demasiado). Fiz o que quis. Fiz sem pensar que isto era para o público masculino ou feminino e para que idades. Fiz para que todas as células do meu corpo vibrassem, para me curar do trauma que a indústria criou em mim. Há imenso tempo que ouço que não tenho o suficiente para ser uma artista, que a minha escrita não é boa e as minhas composições não soam a nada. Isso aos poucos foi me matando”, explicou-nos Sílvia.

A artista chegou a um ponto que não conseguia mais escrever ou compor, por realmente achar que não era boa no que fazia e que sozinha não era capaz, o que resultou num bloqueio mental, devido à ansiedade e ao stress. “Nada que escrevia ou fazia chegava, tu queres tanto uma coisa e depois vês que te é constantemente tirada por outros pessoas que só se aproveitam de ti. Felizmente tive pessoal fixe que realmente apoiou-me e apoia e vou guardá-los comigo sempre, mas tive muito mais a outra parte”, sublinha a artista em relação ao momento sombrio que atravessou.

O tema “Sa Foda”, a quarta faixa do EP, é um grito de liberdade para Sílvia, assim como todo o processo criativo, que aconteceu depois de perceber que tinha de levantar-se, deixar de lamentar e curar as feridas. Estava farta que a pusessem numa caixa e que a deitassem abaixo. “Limpei as minhas lágrimas sozinha. Estou cansada de ouvir que não chego. Então disse que ‘Sa Foda’ e não vou permitir que me ponham nessa posição. E fiz o EP”.

Apesar dos instrumentais serem da Internet, toda a escrita é de autoria da Sílvia, onde desabafa de várias maneiras, da forma mais sexy ou da forma mais triste. Tudo o que fez neste projeto teve um propósito. Foi um processo íntimo e que permitiu-lhe ser mais vulnerável e ao mesmo tempo mais forte.

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