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Quem é Príncipe Ouro Negro, o kudurista que conquistou o Brasil?

De trejeitos e forma de falar muito peculiares, Príncipe Ouro Negro tem sido a sensação da Internet nos últimos tempos, sobretudo no Brasil. Até Matuê, rapper cantor e compositor mais ouvido no Brasil e Angola, de acordo com o Spotify, já demonstrou conhecer e apreciar Namayer, como também é conhecido, tendo inclusive entrado em vídeo em direto do artista angolano, levando o kudurista e fãs de ambos ao delírio.

O seu percurso público começou há praticamente duas década, juntamente com Presidente Gasolina, com quem forma o duo Os Namayer. Em 2007, foram convidados do programa “Janela Aberta” da TPA e, mais tarde em 2012, substituíram Sebem, um dos pioneiros do Kuduro, na liderança da emissão “Sempre a Subir”. Líderes de audiências, Os Namayer nunca geraram consenso. Ora chocavam pela sua irreverência, forma atípica de falar e apresentação excêntrica, ora eram apreciados exatamente pelas mesmas razões. Contudo, há um facto inegável sobre o conjunto. Ambos têm contribuído para alavancar a popularidade do kuduro que, de há uns anos para cá, parecia estar em declínio em solo angolano, dada a preferência da audiência pelas sonoridades urbanas globais como o rap, entre outras.

O nascimento do ouro bruto

Januário Joaquim Mujinga, nasceu na cidade do Huambo a 10 de outubro de 1988 e teve uma infância difícil, tendo de fugir da guerra civil, que na altura assolava Angola. Refugiou-se com um tio em Luanda, mudou-se para o bairro Rocha Pinto – ainda na capital – para casa de uma tia. Na altura, meados dos anos 90, o kuduro era uma “febre” nos musseques, com Tony Amado e Sebem no leme do estilo.

Em 1998, começou a gravar alguns covers. Contudo, essa jornada no kuduro começou de forma turbulenta. A família não aprovava a escolha artística de Januário, tendo-o proibido até de sair para comparecer em festas e eventos em que deveria atuar. Passado algum tempo e de muita insistência, o jovem conseguiu obter o apoio da família, que começava a ver que afinal aquele percurso poderia ser uma mais valia.

Mais tarde conheceu Presidente Gasolina, que já fazia furor nas escolas, com pequenas atuações entre os colegas e eventos de kuduro.

A popularidade

A primeira aparição da dupla na televisão ocorreu em 2007, tendo sido convidados para atuar no programa Janela Aberta, da TPA, à margem do campeonato africano de basquetebol, onde Angola sagrou-se campeã.

Em 2012 tomaram as rédeas do programa sobre o universo do kuduro “Sempre a Subir”, da TPA 2, substituindo o apresentador e também kudurista Sebem – que enfrentava problemas de saúde. Sem qualquer experiência televisiva, a dupla aumentou a audiência do programa e tornaram-se referência do canal televisivo.

O sucesso estrondoso do programa marcou a audiência com novos bordões, apresentação de kuduristas emergentes e momentos divertidos. Os Namayer acabaram por conquistar o público e começaram a somar os convites para shows, entrevistas e participações especiais.

I Love Kuduro, a plataforma internacional que visou a propagação da cultura do Kuduro criada e dirigida por Corean Dú, serviu de catapulta para a internacionalização da carreira da dupla, chegando até ao velho continente com shows em França e Portugal.

“Robocop”, “Da Mana Julia”, “Paralelepipedo”, “Eu Só Quero Amor” são alguns dos hits que bateram na banda e passaram vezes sem conta nos canais de música angolanas.

Ao todo, Príncipe Ouro Negro acumula 20 anos de carreira e agora está focado no trabalho a solo. O artista tem prometido ainda para este ano o EP Agora Acreditas no Maluco?, que vai contar com cinco músicas.

De meme a ícone da Internet

Se, inicialmente, a sua popularidade crescia através da ridicularização, a verdade é que a autenticidade de Ouro Negro acabou por conquistar os seus fãs, tornando-o num fenómeno da Internet e inspiração para outros kuduristas.

Recentemente, em fóruns de Internet, grupos de WhatsApp e caixas de comentários das redes sociais, uma rivalidade entre angolanos e brasileiros acabou por revelar-se numa brincadeira viral, com os angolanos a imitar o sotaque brasileiro, incidindo na gíria, linguajar e até em alguns estereótipos.

A “organização” dos africanos acabou por despertar o mesmo por parte dos internautas brasileiros, mas com conteúdo sobretudo discriminatório, com acusações de racismo por parte dos angolanos. Contudo, uma pessoa, sem nunca ter pensado no assunto, acabou por resfriar a situação: Príncipe Ouro Negro.

Vários vídeos do artista começaram a ganhar novo fôlego na Internet, com o aportuguezeire – a sua forma de falar português inventada que acabou por tornar-se na sua marca de registo – a ganhar cada vez mais adeptos brasileiros. Inclusive Matuê, o jovem rapper mais popular da atualidade no país de Vera Cruz. Depois de vários pedidos dos fãs, os dois finalmente “encontraram-se” num live levando os fãs, e o próprio Príncipe Ouro Negro, à loucura.

Pelo caminho, além da extravagância do artista, o maior responsável pela sua popularidade é o bom humor visível em cada vídeo e aparição. Numa altura em que as redes sociais e os medias tornaram-se num catalisador de angústia e medo, Namayer acaba por ser um escape e um causador de gargalhadas espontâneas.

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