PUB
Eduardo Mondlane | DW
Eduardo Mondlane | DW

Raízes Africanas: Eduardo Mondlane, o arquiteto da unidade nacional de Moçambique

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email

Eduardo Mondlane lutou para que Moçambique fosse um país livre, unido e independente. Embora tenha sido assassinado antes da independência do seu país, o legado do primeiro presidente da FRELIMO continua vivo.

Nascimento: Eduardo Chivambo Mondlane nasceu a 20 de junho de 1920, em Manjacaze, província de Gaza, no sul de Moçambique. Trabalhou como pastor até aos 10 anos de idade.

Educação: Mondlane frequentou uma escola primária na Missão Presbiteriana Suíça, perto de Manjacaze. Mais tarde estudou Antropologia e Sociologia na África do Sul e fez também uma passagem rápida por Portugal. Foi ali que conheceu outros líderes da luta anticolonialista africana, como Amílcar Cabral, que lutou pela independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde, e Agostinho Neto, de Angola.

Eduardo Mondlane completou os seus estudos nos Estados Unidos da América (EUA), onde obteve o seu doutoramento. Durante a sua estadia, Mondlane deu aulas na Universidade de Syracuse e integrou depois o Conselho de Curadoria das Nações Unidas, onde trabalhou como investigador de questões relacionadas com a independência dos países africanos. Entre outras coisas, Mondlane co-organizou o referendo dos Camarões britânicos, em 1961, que acabou depois por ditar a anexação de parte do território aos Camarões e outra parte à Nigéria.

Reconhecido por: ter sido eleito primeiro presidente e co-fundador da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) em Dar-es-Salam, na Tanzânia, em 1962. Foi este movimento que, após a morte de Mondlane, conseguiu a independência de Moçambique. Eduardo Mondlane foi um revolucionário pan-africanista, internacionalista e antropólogo e continua hoje a ser venerado por muitos por ter cultivado uma visão pragmática e unificadora de Moçambique.

O académico foi autor de vários livros, entre os quais “Lutar por Moçambique”, lançado pouco depois da sua morte. É considerado um documento muito importante do movimento nacionalista.  

Morte: 3 de fevereiro de 1969. Eduardo Mondlane foi assassinado em Dar-es-Salam quando abriu um pacote que continha uma bomba dentro. Alguns acusam os seus rivais na FRELIMO e a Polícia Internacional e de Defesa do Estado Português (PIDE) de serem responsáveis pela sua morte, mas, até hoje, o seu assassinato continua a ser um mistério.

Eduardo Mondlane conta com uma estátua em sua homenagem na capital moçambicana

Eduardo Mondlane não viveu para ver o seu país tornar-se independente. Apesar de ter perdido a vida muito cedo, a sua visão e ideologia para Moçambique mantém-se viva. Prova disso é que é frequentemente referido como o arquiteto da unidade nacional do país, como lembra em entrevista à DW o jornalista moçambicano Luís Nhachote. “Esse é o grande legado de Eduardo Mondlane, é um legado nacional. Hoje há resquícios de alguns fragmentos por causa do tribalismo, mas ele conseguiu isso”, assevera.

Também para o sociólogo Elísio Macamo é importante frisar o empenho que Eduardo Mondlane teve na busca pela união do seu país. É alias por isso, constata, que Mondlane vai continuar a ser lembrado. “A imagem que eu tenho dele é naturalmente a imagem de um politico muito pragmático, muito tolerante e um político verdadeiramente comprometido com o projeto nacional. Um aspeto muito importante em relação à sua maneira de fazer política é que ele viu o movimento de libertação como uma espécie de igreja ampla dentro da qual caberiam várias sensibilidades políticas e ideológicas”, diz.

Foi em 1957, quando começou a trabalhar nas Nações Unidas como investigador de assuntos relacionados com a independência dos países africanos, que o nacionalista moçambicano voltou a sua atenção para a opressão que crescia no seu país. “A unidade de Moçambique na concepção da Frente de Libertação de Moçambique deve-se a Mondlane. Ele era funcionário das Nações Unidas e deixou a organização para atender ao convite de alguns nacionalistas que queriam libertar Moçambique”, conta o jornalista Luis Nhachote.

Eduardo Mondlane muda-se então para a Tanzânia, onde, em 1962, se torna um dos fundadores da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). “Na [Tanzânia], ele encontrou três movimentos dispersos: o UDENAMO (União Democrática Nacional de Moçambique), a MANU (Mozambique African National Union) e a UNAMI (União Nacional Africana de Moçambique Independente). Sendo Eduardo Mondlane um antropólogo e sociólogo com grau de doutoramento nos Estados Unidos, percebeu que a maneira mais rápida da causa da luta ser justa e mais consistente era unir os três movimentos”, conta Luis Nachote.

Eduardo Mondlane | DW
No livro “Lutar por Moçambique”, Eduardo Mondlane descreve o que deveria ser feito para o desenvolvimento do país | DW

Para além de um legado incontornável, Eduardo Mondlane deixa também vários livros. Lançada um pouco depois da sua morte, a obra “Lutar por Moçambique” tornou-se rapidamente uma espécie de manifesto para o movimento de libertação.

“Moçambique é visto como o culminar de um processo e é um influenciado por todo o tipo de correntes. É influenciado pela cultura africana e pelo contacto que a cultura africana tem com outras culturas, mas sobretudo com ideias, portanto, a ideia da dignidade humana é muito importante e ela é bem descrita neste livro “Lutar por Moçambique”, diz Elísio Macamo.

A Universidade de Lourenço Marques, em Maputo, capital de Moçambique, cujo nome foi dado pela administração portuguesa, passou a chamar-se Universidade Eduardo Mondlane depois da independência do país, em 1975.

O parecer científico sobre este artigo foi dado pelo historiadores Lily Mafela, Ph.D., professor Doulaye Konaté e professor Christopher Ogbogbo. O projeto “Raízes Africanas” é financiado pela Fundação Gerda Henkel.

Relembramos-te que a BANTUMEN disponibiliza todo o tipo de conteúdos multimédia, através de várias plataformas online. Podes ouvir os nossos podcasts através do Soundcloud, Itunes ou Spotify e as entrevistas vídeo estão disponíveis através do nosso canal de YouTube.

Podes sugerir correções ou assuntos que gostarias de ler, ver ou ouvir na BANTUMEN através do email [email protected]

Subscreve a nossa newsletter e fica a par de tudo em primeira mão!

WP Post Author

PUB