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Raquel Lima | ©BANTUMEN
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Raquel Lima debate representatividades com estudantes em Maputo

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A poeta, performer e arte-educadora Raquel Lima deu uma palestra sobre Representatividade Negra e de Género nos Meios de Comunicação e Artístico aos estudantes de Jornalismo e Relações Públicas da Escola Superior de Jornalismo, em Maputo.

Raquel Lima, que se encontra em Maputo para participar do 14.º Congresso do Mundos de Mulheres, dedicou duas horas da sua agenda para discutir com os estudantes o papel dos comunicadores na construção de narrativas e discursos que possam destruir preconceitos e estereótipos que ao longo dos anos fazem parte da história dos países outrora colonizados, no que diz respeito ao corpo negro e feminino nos midia. 

“Foi gratificante fazer parte desta reflexão e direcionar os meus conhecimentos de forma assertiva para que os estudantes compreendam o papel deles, que é determinante para a construção da opinião pública e como a comunicação e o jornalismo têm um papel fundamental e deve estar articulado com os movimentos sociais, políticas públicas e a academia”, explicou Raquel Lima. 

Diversos temas foram discutimos no encontro, houve especial atenção para a perspetiva de criação de organizações de base para gerar mudança, sejam de jornalistas, RPs ou de artistas, e de como estes tipos de organizações podem incluir nas suas agendas de trabalho a temática representatividade negra e de género. 

“A palestra foi bastante interessante e didática. Pude perceber qual é a diferença entre racismo e racismo inverso. Também achei interessante a partilha de referências para a leitura. Fiquei curiosa e vou tentar adquirir a obra “Afrotopia” de Felwine Sarr, autor que descobri na palestra.  Outro aspeto que gostava de ressaltar, foi quando Raquel Lima falou das nossas raízes e disse que podemos ser pessoas livres”, disse Albertina Deve, estudante da Escola Superior de Jornalismo, e que assistiu à palestra.

“Aprendi que podemos enfrentar o racismo através de diversas maneiras como: quebrar o silêncio, reclamar pelos nossos direitos para acabar com a discriminação; respeitar as culturas; criar políticas para alterar o difícil acesso a determinados lugares para as pessoas negras”, sublinhou por sua vez Hortência Zito Azarate, também estudante de Jornalismo.

Muitas questões foram colocadas pelos estudantes, mas a criou maior impacto foi: “como erradicar o racismo?”, que, no fundo, é “uma pergunta chave sem uma resposta definitiva”, explica Raquel Lima. “Tive que fazer um panorama histórico. Refletindo sobre as continuidades históricas nas nossas estruturas, as leis do Estado que no fundo estão em conformidade com uma série de dinâmicas que foram impostas deste a primeira invasão dos povos europeus ao continente africano”, acrescentou.

A poeta e arte-educadora refletiu ainda sobre a importância de compreender o panorama social moçambicano sobre estas questões de identidade e raça, que “não se colocam da mesma forma como em Portugal, Brasil ou São Tomé, por exemplo. Perceber como se manifestam as tensões regionais, a questão do estado civil das mulheres e as questões linguísticas”, disse.

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