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Shaddy fala-nos do EP “Apenas Eu”, onde conta a sua verdade

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Shaddy é uma artista de 25 anos que nasceu em Portugal e cresceu em França. Filha de pai angolano e mãe portuguesa, viveu em Loures, zona onde foi criada de “forma humilde” pelos avós e tias maternas.

Tanto dentro como fora da música, Cristina Ferreira – nome de registo – caracteriza-se como sendo tímida porém divertida e sobretudo, com um lado afetivo vincado. “Gosto sempre de saber que os meus estão bem, sou super agarrada à minha família do lado materno, porque foi com quem cresci e, mesmo longe, fazemos sempre questão de manter contato e passar horas ao telefone”, contou-nos.

Antes de estar envolvida no mundo da música, já estava ligada à arte. Segundo a artista, sempre foi uma criança muito “fascinada pela arte da música” e principalmente pela cultura africana, apesar de considerar a sua família como tipicamente portuguesa.

“Desde pequena senti que era importante para mim procurar as minhas origens e ao mesmo tempo acabava por ser automático. Na altura, a mãe de uma das minhas melhores amigas de infância ouvia bastante kizomba. Íamos para a praia e eu só por ouvir as músicas uma ou duas vezes acabava por decorá-las com uma certa rapidez. Lembro-me de ter o meu primeiro computador e passar grande parte do meu tempo livre a pesquisar músicas novas no YouTube e por norma eram sempre kizombas”, explicou Shaddy.

Na adolescência, o seu primeiro palco foi o quintal dos avós. “Tínhamos um quintal na parte de trás de casa e eu agarrava numa vassoura e ficava a cantar durante horas. Fingia nas minhas brincadeiras que ia a programas musicais e que dava concertos, mas o mais engraçado é que, em relação ao meu lado tímido, sempre que notava que alguém estava a ver-me ou ouvir, fingia que estava a fazer algo completamente diferente”, relembrou.

Com 14 anos mudou-se para França e permaneceu por lá por volta de cinco anos, a viver com o pai, que é de origem angolana. Entretanto, entrou para o mundo do desporto a praticar basquetebol. Shaddy tinha um espírito competitivo e estava disposta a “dar o litro” para sair vitoriosa de uma qualquer competição. É daí que surge a inspiração para o seu pseudónimo artístico, que acabou por pegar até hoje.

Ainda em terras francesas, Shaddy continuou a receber alguns estímulos do mundo da música, através do pai que considera um conhecedor. “[O meu pai] tem um grande conhecimento a nível musical, além do super bom gosto. Com ele aprendi a ouvir semba, a apreciar músicas antilhanas e isso contribuiu bastante para a minha cultura musical, mas sempre que falava sobre querer fazer musica ele ficava um pouco chateado e tentava fazer com que eu me interessasse por outras áreas. Eu passava horas a fio no quarto a simular que estava a estudar mas na verdade ficava a compor”, explicou.

Quando voltou para Portugal, a vida acabou por empurrá-la para o meio artístico. Em 2016, conheceu o músico e produtor Mr. Carly, que a convidou a criar a sua primeira música, “Toda Tua”, lançado em 2017, em parceria com a NK Entertainment.

“Não fazia ideia do que ia sair dali pois nunca tinha estado num estúdio antes nem tinha noção de como se gravava. Quando chegámos, ele [Mr. Carly] mostrou-me os projetos nos quais estava a trabalhar e perguntou-se se eu gostava de compor. Disse que sim. Quando dei por mim já estava a gravar. Estávamos super envolvidos na música, estava tudo a soar super bem, tão bem que acabámos de gravar de madrugada”, relembrou.

Estes primeiros passos acabaram por fluir de forma natural e a artista mal acreditava que, por causa da sua arte, já começava a ser reconhecida na rua e a ser convidada para concertos. “Toda Tua” abriu-lhe as portas e fez com que passasse a viver o seu sonho.

“Na primeira vez que subi ao palco para apresentar a música foi no ‘Lisboa Ao Vivo’, onde a capacidade do espaço era para duas mil pessoas. No camarim estava com grande parte das pessoas que cresci a ouvir como DJ Barata, Dynamo, Mika Mendes, entre outros. Lembrei-me de estar super nervosa antes de subir ao palco o Mika Mendes chega perto de mim, dá-me um abraço e conforta-me com palavras de muita força. Estava a viver um sonho”, relembrou.

No lançamentos, seguiu-se “Para sempre”, com Edgar Domingos, single que atualmente conta com um milhão de visualizações no YouTube.

As sonoridades das suas composições vagueiam entre o rnb e a kizomba, estilos que a identificam e que procura conciliar. “Não quero ser vista apenas como cantora de kizomba mas como uma artista que pode cantar noutros estilos”, esclareceu.

Atualmente, está prestes a lançar o EP Apenas Eu e, para promover o trabalho, a cantora soltou recentemente o single “Game Over”, onde assume a sua homossexualidade.

“O ‘Game Over’ é super especial para mim porque finalmente assumi a minha homossexualidade. Quis mostrar às pessoas que, independentemente das orientações sexuais de cada um, no final do dia somos todos iguais e não nos devemo privar de nada. Porque, durante muitos anos, fingi gostar de algo que não gostava só para agradar aos outros mas eu sofria com isso e hoje em dia sinto-me super bem a ser eu mesma e a viver da forma que quero, sem medos”, explicou.

Sobre o EP, a cantora explica que é projeto feito à sua medida e à sua maneira. Em Apenas Eu, Shaddy fala abertamente de coisas – direcionadas às mulheres – que “antes não tinha coragem” de dizer. “Para mim é uma grande conquista porque fui sincera em cada palavra que escrevi, no sentido de não ter alterado nada só para ficar bem aos olhos das pessoas que são contra eu ser lésbica, como por exemplo o meu pai”, exprimiu.

Este é um EP onde Shaddy oferece a sua essência e a sua honestidade sobre uma realidade na qual muitos jovens se revêem e têm de enfrentar.

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