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Sib AVV
Sib AVV | ® A Film By DmhdVisuals

Sib AVV é a promessa que conflui no afroswing e dancehall

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Sib é uma abreviação do seu verdadeiro nome Shadrach Inu Benson e “AVV” estende-se para “All About the Vibe”. Metade Delta (Urohobo) metade Edo – as suas origens tribais – é cria do Benim, na Nigéria, com base em Londres. O artista de 26 anos, cuja arte oscila entre afroswing e dancehall regressa e desta vez é para deixar, permanentemente, a sua pegada musical das pistas de dança Marley às discotecas. 

Quatro anos depois de lançar os singles “Bad Gyal” e “Pull up”, aguardamos a chegada iminente de um novo EP. Em conversa com a BANTUMEN, Sib AVV explica que a vida per se é inspiração na sua música, mas que tudo depende do seu estado de espÍrito no momento e das inspecções que faz do mundo ao seu redor.

Sib AVV veio afiando o seu lápis ao longo dos anos e com ele tem escrito sobre experiências passadas. No entanto, uma memória que não chegou a viver perpassa a cronologia artística dele: a sua maior inspiração, o pai, que nunca conheceu, mas de quem sempre ouviu falar. 

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Sib AVV | ® A Film By DmhdVisuals

“A minha mãe contou-me muito sobre ele, inclusive que ele era músico. Quando suas músicas eram tocadas para mim, ficava muito orgulhoso. Acredito que isso despertou em mim o interesse por cantar e escrever músicas”, relembra o artista. 

A sua primeira performance data de uma festa de fim de ano na escola secundária, na Nigéria. Após participar numa audição de canto da escola, foi o escolhido para fazer um cover de uma música de “um cantor lendário nigeriano, Asà.” Diz ter ficado impressionado com a reação do público durante a sua apresentação e teve um boost de coragem e autoconfiança para avançar na carreira artística.

Embora crescer no Benim tenha sido “incrivelmente divertido”, o artista vivia num contexto sociopolítico e económico não muito favorável: “o padrão de vida não era o melhor e lembro-me de lutar para sobreviver financeiramente e até mesmo em termos de segurança. Era como um filme diário por parte do nosso Governo cheio de corrupção, sem apoio aos seus cidadãos. Era difícil de compreender na altura”, relata. 

Catapultando para anos mais tarde, o cronótopo é outro.  

Aos 18 anos, Shadrach Inu Benson migrou para Inglaterra. Já lá tinha a família estabelecida e a reunião com a mãe aconteceu pela primeira vez desde que esta o deixou na Nigéria ainda  criança. 

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Relembrando o primeiro dia em que pisou o solo inglês em comparação com o agora, muito mudou: “a minha mentalidade, a minha visão da vida, incluindo o meu conhecimento educacional.”

Não foi um grande choque cultural. Diz o artista que a adaptação ao novo território foi “uma experiência boa que veio com muitas limitações, porque tudo, inclusive o sistema, ainda era muito novo para mim. Lutei para entrar na faculdade, porque não tinha direito a nenhum benefício do governo. Não foi fácil saber que também precisava fazer novos amigos, não apenas novos amigos, mas bons e positivos para estarem presentes”, declara.

Quando o questionamos sobre a influência que o seu estatuto de imigrante teve na sua música, diz que a mudança o ajudou a moldar a sua visão da música e como esta opera globalmente. “Ao invés de fazer músicas com as quais apenas o meu povo nativo pode se relacionar, agora posso expressar-me de uma forma que o público por todo o mundo possa se relacionar”, acrescenta Shadrach.

A viver numa cidade “cheia de pessoas multiculturais, movimentada e cara”, Sib AVV confessa que a vida de artista é complicada na capital inglesa devido ao estilo de música que faz. Além disso, acrescenta que o grau de dificuldade aumentou pelo fato de não ser um nativo do Reino Unido: “Foi difícil para mim sentir-me aceite. Não ter conexões ou os melhores ideais sobre como a música funciona no país também não ajudou. Isso torno-meu mais anti-social na indústria musical do Reino Unido.”

A família tem-no apoiado desde o dia 1, mesmo se no começo – quando as idas ao estúdio se tornaram mais frequentes – houvesse naturalmente uma preocupação da mãe que testemunhava as chegadas tardias do filho a casa. “Chegou um momento em que ela criou algumas regras de tempo que tive de cumprir ou isso poderia tornar-se num problema para nós. Só tinha que mostrar-lhe que o filho era responsável e crescido o suficiente para cuidar de si mesmo”, relembra. 

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Sib AVV | ® A Film By DmhdVisuals

Uma das poucas amizades que guardou ao longo dos anos, desde que pisou as calçadas londrinas, é o produtor Mad P. “Ele tem sido um dos produtores com quem trabalhei desde que nos tornamos amigos. Aprendemos e fizemos muito juntos”, relata Sib AVV. 

“Bad Gyal” foi uma das aventuras dos dois companheiros. “Ele começou a batida e chamou-me para ouvir e, pronto, fui direto para casa dele e fiz tudo num dia.” Lançado um dia após o dia de São Valentim, em 2018, o primeiro single do artista, “Bad Gyal”, foi a expressão do estado da sua vida amorosa no momento. 

Já “Pull up” – single produzido por outras mãos e que veio ao mundo meses depois – embora também erga amor, foi executado com um estado de espírito mais apologético. 

“Tento apenas expressar-me, ou seja partilhando as minhas experiências e pensamentos para que outras pessoas, que se sentiram da mesma maneira ou que passaram por coisas semelhantes que eu passei, sintam-se mais confortáveis ​​enquanto ouvem ou cantam as minhas músicas”, sublinha. 

O princípio da existência, a vida, é inspiração para Sib. Diz não ter um, mas vários artistas favoritos, entre eles estão Asà, 2face, Passenger e Eminem. E não hesita em reafirmar que o pai o inspira. 

Houve momentos em que se sentiu sozinho naquilo que estava a fazer. Acreditou e desacreditou na sua arte, mas com o regresso sente-se mais confiante. Embora ainda não tenha vivido o seu momento “mom I made it” (mãe consegui, na tradução literal), está esperançoso de que somando “conquistas pessoais incomparáveis” – que é como Sib AVV mede o sucesso – esse momento chegará em breve. 

O melhor de mim está por vir

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Perfeccionista, diz estar sempre a tentar fazer melhor e sente que pode fazer ainda melhor. “Crio a minha arte no meu quarto e depois vou para o estúdio para produzir o beat ou para gravar os vocais. Eu provavelmente vou ao estúdio duas ou quatro vezes por mês. Isso pode mudar no futuro, mas, no momento, ainda estou a estudar, então tenho que criar tempo para outras coisas”, exalta o artista que neste momento estuda gestão de negócios internacionais na universidade. 

No Reino Unido, especialmente em Londres, há muitos artistas, todos eles têm sua própria maneira de fazer música. Darkoo e Jacob Banks são alguns dos artistas nigerianos imigrantes que têm moldado a indústria musical. Sade Adu, Skepta, Dave, Ms Banks e Tion Wayne nasceram de pais nigerianos, mas já no território inglês, e têm também espelhado um sentimento de orgulho pela diáspora.  

O Afroswing, também conhecido como Afrobashment, é um género musical desenvolvido no Reino Unido nos anos 2010 e puxa muito do dancehall e do afrobeat com influências no trap, hip-hop, RnB e grime. Já o dancehall é um género mais antigo que brotou da música popular jamaicana nos finais dos anos 70 do século passado. Embora geograficamente tenham raízes distantes, as batidas têm semelhanças não muito distantes e são compatíveis quando fundidas, já que são dois géneros “originados pelo mesmo tipo de pessoas”, explica o artista. A arte de Sib AVV é a confluência destes dois ritmos  

Com tantos talentos a soarem todos os dias nos mics, o músico nigeriano sente que antes, recém-chegado a terras da rainha Elizabeth II, havia talvez uma saturação na indústria musical. Depois, “percebi que há espaço ou público suficiente para o meu estilo de música. Especialmente pelo facto da música afrobeat agora ser mais aceite no Reino Unido e em muitas outras partes do mundo”, diz.

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Sib AVV não se sente apressado nem pressionado em seguir a cadência atual do Afro Swing e do dancehall naquele país. Neste momento, está a trabalhar no seu EP e, ainda sem data de lançamento, o foco do artista é o seu “som e estilo, porque todos os estilos de música que todos ouvimos hoje tiveram os seus próprios começos.”

Se pudesse mudar o game do Afro Swing com Dancehall, não mudaria muita coisa, mudaria “talvez a forma como alguns artistas com pouco conhecimento da música e cultura afro tentam forçar a entonação afro”, afirma o artista. 

Numa nota conclusiva, Sib AVV diz que o melhor conselho que recebeu foi o de “não levar a vida muito a sério, porque o amanhã não está prometido.” E para quem o segue desde o início, os que chegaram a meio e para a sua futura audiência, o artista avisa: “Fiquem de olho na minha arte iminente, o melhor de mim está por vir.”

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