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Sou Quarteira
Foto: Miguel Roque / BANTUMEN

“Sou Quarteira”, mais do que um festival, um movimento social

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Já não bastava ser um festival com vários bons artistas, mas também a entrada era gratuita. “Sou Quarteira” aconteceu esta sexta-feira, naquela cidade do sul de Portugal e foi um sucesso. O evento foi organizado pela associação Beyond e teve como objetivo principal “mostrar ao mundo o que é realmente a Quarteira”. Além de ter sido um festival, teve como propósito ser um “movimento social da cidade”, ou seja, criar oportunidades para futuras gerações.

Mudar a perspetiva da cidade é o que também se pretendeu com o evento. Deixar que este local seja visto somente como “uma cidade de praia”, mas que também seja conhecido pela sua dimensão urbana, tanto a nível da dança, do hip hop e da cultura contemporância.

Para esta primeira edição, foram convidados o rapper Sacik Brow, Carlão, ex-Da Weasel e o DJ e produtor Branko. Apesar dos dois últimos não serem originários da cidade, conseguirem transmitir a ideia principal de “Eu sou Quarteira”.

As apresentações começaram com a atuação do habitante de Quarteira, Sacik. Para quem não conhecia o artista, rapidamente passou a conhecer através das músicas “A Morte do Artista” e “Histórias que Marcam” que relatam situações que enfrentou na vida e todo o sofrimento que vivenciou. Alguns identificaram-se com as palavras do cantor e outras partilharam a sua dor. Afinal de contas, o verdadeiro rap baseia-se mesmo nisso, transmitir realidades e o sofrimento que para muitos são desconhecidos.

Carlão foi o segundo artista que subiu em palco. Como seria de esperar, trouxe o ânimo e uma maior plateia fez-se notar. Bruno Ribeiro foi o Back Vocal de Carlão, um jovem cantor com um vozeirão que nos fazia arrepiar. Foi a combinação perfeita. O ex-Da Weasel dedicou a música “Krioula” a todas as mulheres crioulas “dentro e fora de Cabo verde”, citando que estas são “mulheres trabalhadoras” e que são seres do sexo feminino capazes de “aguentar o barco”. A atuação deu seguimento com algumas músicas conhecidas como “Agulha no Palheiro”, contudo, a canção reveladora deste concerto foi “Contigo” do seu novo álbum que será lançado em setembro de 2018.

Ainda neste concerto, Dj Glue, artista convidado, também teve o seu momento. Fez o público “abanar o esqueleto” como se não houvesse amanhã.

Por fim, como fecho desta atuação, Carlão não poderia deixar de convidar ao palco, Dino d’Santiago, membro da Beyond. Juntos fizeram um dueto e Dino, cantor de longa data, mostrou a todos os presentes um pouco do seu dom vocal.

Antes da atuação do último artista, Branko, foi feita uma homenagem a Bruno Floro, um amigo da organização da “Beyond”, que faleceu, mas que de acordo com Dino será lembrado por todos como “um jovem com sorriso fácil e que é com esse sorriso que o devemos eternizar”.

As batidas iam se expandido pelo recinto e as pessoas mostravam o seu feedback com uma energia infindável. Dificilmente alguém se encontrava parado, a junção de músicas de estilo tarraxinha e kizomba com o afro deep, era quase impossível ficar-se quieto. Sim, era DJ Branko, um dos fundadores dos Buraka Som sistema, que tomava conta do palco. Tocou e tocou até “cansar as pessoas” e foi exatamente num estado de cansaço que as pessoas abandonaram o pátio.

Esta foi a primeira edição e haverão muitas mais. Naomi, um dos membros da associação Beyond partilhou que para o próximo ano este festival não será apenas um evento de música, haverá também “arte envolvida e desporto”.

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