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Tambla Almeida em Maputo, na presença de Paulina Chiziane | DR
Tambla Almeida em Maputo, na presença de Paulina Chiziane | DR

Cinema africano ganha nova parceria Cabo Verde-Moçambique

“Sempre ouvimos falar de Maputo como uma cidade multicultural, agitada e cosmopolita. Sempre quis cá vir e conhecer a arte moçambicana em particular na cidade de Maputo”, conta-nos entusiasmado Tambla Almeida, realizador e diretor do festival Oia em Cabo Verde, durante a sua curta viagem de um mês na cidade das acácias.

A passagem pela capital moçambicana durou um mês e o realizador cabo-verdiano teve a possibilidade de acompanhar a programação cultural da cidade, estabelecer parcerias profissionais e teve ainda a oportunidade de exibir a sua arte. 

A primeira exibição aconteceu no dia 11 de janeiro, na Associação dos Escritores Moçambicanos, onde foi exibido o filme Ulime, uma curta metragem de 14 minutos.

A segunda realizou-se no dia 12, a convite do Estúdio Olhar Artístico, no auditório do Instituto Nacional de Indústrias Culturais e Criativas, onde decorreu a mostra especial Curtir Curtas com Tambla. Na ocasião, os alunos do projeto Olhar Artístico exibiram a curta metragem O pão nosso de cada dia, dirigida pelos próprios.

Nos dois eventos, houve espaço para discussão à volta dos filmes exibidos e projetar uma cooperação artístico-cultural entre Cabo Verde e Moçambique.

Além de cineasta e realizador, Tambla Almeida é arte-educador e nas duas ocasiões enalteceu e partilhou a experiência de Cabo-Verde na inclusão da arte na educação. 

“Saúdo a turma de jovens do Olhar Artístico. Acredito que o investimento na juventude fará uma grande diferença nos próximos tempos. Em relação à cooperação, sem dúvida que há abertura para um intercâmbio que nos permita contribuir para a construção da nossa narrativa africana onde as fronteiras são imagéticas e a cultura sai a ganhar”, explicou Tambla Almeida.

Para Sérgio Libilo, especialista em cinema e televisão e fundador do Estúdio Olhar Artístico, “há inúmeras mais valias e semelhanças entre os nossos projetos, as formações de jovens no contexto das indústrias culturais e criativas, especialmente na área do cinema. Há também desafios, como por exemplo, a dificuldade na captação de financiamento para a execução de projetos mas, o amor à arte e ao trabalho que o Tambla demonstrou durante os encontros que tivemos, foi fundamental para criarmos sinergias e pensar numa futura cooperação entre os dois países”.

Cineastas, atores, escritores, jornalistas e amantes da arte, fizeram parte das sessões de exibição de filmes de Tambla Almeida, que foram também enriquecidas pela presença de membros da comunidade cabo-verdiana residente em Maputo, que aproveitaram os momentos para partilhar vivencias e aspetos culturais das suas origens.

Ednilson Ivane Silva Almeida, nome de registo de Tambla Almeida, nasceu a 24 de novembro de 1977, na cidade da Praia. É Mestre em Educação Artística pelo Instituto Politécnico de Viana de Castelo, Portugal, e tem como campos de pesquisa as Histórias de Vida, a Educação pela Imagem e com Imagem e a Educação Extracurricular. Tem trabalhado em Universidades cabo-verdianas como a Universidade Lusófona de Mindelo, a UNIMindelo e a UNICV. É mentor e diretor do Festival Nacional de Cinema e Audiovisual de Cabo Verde – Oiá e Docente da disciplina de Educação Artística, na Escola Secundária Jorge Barbosa – ilha de S.Vicente. Realizador audiovisual e de cinema e produtor cultural, tem trabalhos em videoarte, cinema poesia, vídeos institucionais, videoclipes, documentário e televisão. Como arte-educador, Tambla trabalha entre escolas e comunidades, onde desenvolve programas de capacitação audiovisual e de empoderamento da juventude. Muitos dos jovens que estão atualmente envolvidos com o sector audiovisual cabo-verdiano no país frequentaram projetos sob a sua coordenação.

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