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Tèju Baba no Festival Njingiritana em outubro de 2021 | DR
Tèju Baba no Festival Njingiritana em outubro de 2021 | DR

Tèju Baba em Maputo: “Somos todos historiadores de África”

Encontramo-nos com Tèju Baba – autor do livro 50 African Pioneers, que retrata os feitos inéditos de 25 homens e 25 mulheres do continente africano – durante o Njingiritana, o festival da criança de Maputo, que aconteceu no início deste mês de outubro. Nascido no Benin, o apaixonado por História e produtor do podcast My African Clichés (em inglês e francês) falou-nos sobre africanidade, a necessidade de tomada de consciência sobre a História de África e sobre o lançamento do seu livro.

“Somos todos historiadores de África. Devemos todos contar as nossas histórias de uma forma ou de outra. Em diferentes perspetivas mas devemos contá-la. Esse foi o mote para a criação do meu podcast, My African Cliches, e mais tarde o da elaboração do livro 50 African Pioneers”, afirmou.

Médico de profissão, Tèju Baba sempre foi um entusiasta pela história de África. Graças ao seu trabalho, tem tido a oportunidade de viajar pelo mundo – conhece mais de 50 países, 27 deles africanos -, o que acabou por fomentar em si um conjunto crescente de questionamentos sobre africanidade.

Em 2019 começou a fazer podcasts de forma simples, lúdica e com variados temas sobre a história do continente, com o cuidado de não politizar os assuntos. Entretanto, surgiu o livro 50 African Pioneers, para criar visibilidade sobre aqueles que foram os primeiros africanos a destacarem-se em diferentes áreas e cujos nomes foram relegados ao esquecimento.

Filho de um historiador, cedo Tèju mergulhou num ambiente de livre acesso a literatura sobre História, sobretudo a do continente.

“A história de África é importante e muitas vezes foi apagada ou destruída para implantar a ideia do colono. Cresci num contexto onde estudei a versão do colonizador sobre nós e iniciei as minhas pesquisas para ouvir e conhecer a nossa história, feita e contada por nós”, contou-nos.

Atualmente, Tèju Baba reside em Harare, no Zimbabwe, e segue influenciando – através do debate sobre a identidade e africanidade – adolescentes e jovens. Em Maputo, o autor teve a oportunidade de fazer intercâmbios com artistas e pensadores africanos, no Festival Njingiritana, organizado pela Xiluva Artes Escola, sob a direção de Mel Matsinhe – uma plataforma desenvolvida para promover a educação artística através de performances, debates, oficinas infantis e muito mais.

O festival foi o primeiro evento escolhido para apresentar o livro 50 African Pioneers, que tem uma abordagem panafricanista. “Njingiritana é uma excelente iniciativa, porque estivemos reunidos em Maputo com pessoas que pensam o mesmo que nós, que discutem a nossa herança africana, mesmo estando em diferentes disciplinas e países. Foi uma oportunidade perfeita para apresentar a minha obra”, afirmou o autor.

O livro foi lançado com o apoio do público em geral, depois de 157 pessoas contribuirem financeiramente para a sua edição, através da plataforma Kickstarter, de maio a julho de 2021.

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