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Tesla vai usar Grafite moçambicano

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A maior fabricante de veículos elétricos do mundo, Tesla, fechou o ano com um acordo assinado com a Syrah Resources Limited, empresa australiana de minerais industriais e tecnologia ativa na exploração de grafite em Moçambique. 

É entre 106 quilómetros quadrados de terra batida de Balama, no maior depósito de grafite de alta qualidade no mundo, na província moçambicana de Cabo Delgado, que se situam as tecnologias de extração da empresa australiana.

O acordo anunciado a 23 de dezembro de 2021, afirma que o material designado Anódico Ativo (MAA) de grafite, vital na fabricação de baterias para veículos elétricos, será exportado para a fábrica da Syrah Resources Limited situada em solo norte-americano para, posteriormente, após produção, ser entrega à Tesla. 

A Grafite é um mineral condutor elétrico, flexível, compressível, atóxico e tem alta resistência ao calor. Natural ou sintético, o mineral é essencial em vários setores importantes da economia global, incluindo a metalurgia, o aço, a energia e a indústria automotiva. 

O país africano tem-se tornado um grande hotspot do setor mineiro desde as descobertas feitas pela empresa mineira australiana Triton Minerals, em 2013, do maior depósito mundial de grafite em solo nacional, em paralelo, nos últimos anos, com o forte crescimento da indústria de veículos elétricos.

Dados que remontam ao ano de 2016 indicam que Moçambique, sozinho, abriga cerca de 2,7 bilhões de toneladas de recursos, incluindo 124 milhões de toneladas de reservas comprovadas de grafite. Consequentemente, o país tem atraído grandes investimentos – predominantemente de empresas mineiras da Austrália.

Segundo a agência de notícias Bloomberg, atualmente, a China está em primeiro lugar na produção de grafite, tendo ela quase metade de todo o mineral usado na produção de materiais para ânodos e a procura do mesmo deverá aumentar cinco vezes até ao fim da próxima década. Recentemente, a Tesla fez um pedido ao Governo americano para que as tarifas na importação da grafite chinesa fossem eliminadas.

A Syrah Resources Limited que, desde maio do ano passado, detém uma fábrica ativa de produção de material anódico – única fábrica fora do solo chinês – em Vidalia, nos Estados Unidos, pretende adicionar 10.000 toneladas de produção por ano e deverá, segundo o acordo, transferir 8.000 toneladas de de grafite para a Tesla anualmente.

A Tesla irá extrair a maior parte da expansão inicial proposta da capacidade de produção de grafite moçambicano em Vidalia a um preço fixo por um período inicial de quatro anos, a partir da obtenção de uma taxa de produção comercial, sujeita à qualificação final. 

Note-se que ainda está prevista, para este mês, a tomada da decisão final de investimento para expandir a fábrica, assim como um acordo sobre as especificações do produto final.

Com a simbiose anglo-saxónica entre as duas empresas, a multinacional americana, detida pelo bilionário de origem sul-africana, Elon Musk, pretende usar o grafite moçambicano – considerado, no acordo, como um produto de importância estratégica para uso nas novas energias – para se desprender da produção hegemónica chinesa e para se tornar na primeira fonte de fornecimento, dentro dos Estados Unidos, de anódico de grafite para a indústria dos veículos eléctricos e de produção de baterias de lítio.

O acordo entre a empresa mineira australiana e a gigante americana Tesla poderá provocar um boom na produção de grafite em Balama, que, segundo a VOA, voltou ao ativo em Março de 2021 após uma interrupção em 2020 devido à pandemia da Covid-19, provocando uma redução de 65% da força de trabalho. No site oficial da empresa mineira, a Syrah Resources Limited acredita que a vida útil da mina de Balama, em expectativa, será de 50 anos.

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