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Nayr Faquirá | Fotografia : Sérgio Carmona
Nayr Faquirá | Fotografia : Sérgio Carmona

Nayr Faquirá canta o que é “Ser Mulher” numa sociedade patriarcal

Nayr Faquirá acaba de lançar nova música, onde reflete as suas próprias experiências que correram menos bem, na condição de “Ser Mulher” livre e nas suas consequências.

“Ser Mulher” tem a produção de Alec Chassain, com o apoio da cantora, e o vídeo oficial já disponível no YouTube tem a realização de Sérgio Carmona.

É no rnb que a música ganha forma, com influências das sonoridades tradicionais ciganas, do hip hop, entre outras vibes.

Segundo Nayr, o single nasceu dos dissabores que viveu nos últimos tempos, acoplados a experiências alheias. “Quase tudo o que escrevo vem dum lugar muito pessoal do meu coração. A ‘Ser Mulher’, na sequência, nasceu de experiências e vivências menos agradáveis pelas quais muitas de nós temos de passar sendo mulheres de ideologias fortes e que escolhem ser livres de amarras, com todas as consequências que isso traz”, explicou.

[Quero] tentar chegar a mulheres que ainda têm muito medo de expor as suas vontades por medo de serem julgadas

Nayr Faquirá

Na música, a cantora luso-moçambicana fala sobre os altos e baixos, como a opressão de uma sociedade profundamente enraizada no patriarcado. E é à volta deste detalhe que Nayr explica o seu posicionamento. “A música ‘Ser Mulher’ traz um olhar sem pudor nem medos sobre a indústria musical e o mundo machista em que vivemos no geral. É o abraçar a mensagem de que devemos e temos de fazer melhor sem medos”, expôs. Um outro tema que está exposto na canção é também a sexualização do corpo feminino na indústria da música. Um problema também vivido por si mas que prefere recordar vagamente através da sua arte.

A mensagem que Nayr pretende transmitir com este single além de ser profunda, é clara e objetiva. Nayr quer estimular a elevação da voz feminina entre as próprias mulheres.

“Com a ‘Ser Mulher’ pretendo dar voz a mais meninas e mulheres que se identifiquem com o que vivi/vivo/viverei. [Quero] tentar chegar a mulheres que ainda têm muito medo de expor as suas vontades por medo de serem julgadas ou chamadas de ‘malucas’ como inclusive digo na música. É um problema ainda muito comum na sociedade que não devia existir. Quero muito unir forças com esta música.”, disse.

Para Nayr Faquirá, “Ser Mulher é estar em constante transformação”, numa luta constante para superar dificuldades. “[Ser mulher] é estar sempre a quebrar barreiras e obstáculos, reaprender todos os dias a não ter medo de sermos quem somos e tentar acima de tudo lutar da maneira que melhor sei/sabemos por essa igualdade que ainda não existe na nossa sociedade. É um caos de uma beleza infinita”, atestou.

“Ser Mulher” vem acompanhado do seu respetivo videoclipe, que Nayr ajudou a produzir, desde a idealização do cenário ao guarda-roupa e não só. A coreografia foi criada pela bailaria Kay Isma. A realização do clipe é de Sérgio Carmona.

O artwork tem a assinatura de BejaDesign, uma artista com quem a cantora trabalha desde o seu primeiro projeto depois do The Voice Portugal.

“Tenho esta música na gaveta há meses e meses e só agora me senti pronta para falar dela porque no fundo, enquanto lutamos para falar do tema, há sempre um medo de não ser ouvida que nos quer calada”, começou Nayr.

“Digo sempre que és conveniente enquanto estiveres calada, és a artista certa enquanto seguires as normas do que deves ser e és o protótipo de mulher séria enquanto não confrontares certos protótipos que nos são impostos enquanto artistas no meio. Somos sempre valorizadas acima de tudo pela nossa imagem, pelo quanto agradamos ao homem nesse sentido e levadas a sério se não formos sexy demais mas sexy o suficiente”, continuou.

“É um tema vasto e uma situação que já vem de há tanto tempo, mas com o pouco que eu me conseguir impor enquanto pessoa numa indústria dominada pelo sexo oposto, eu hei de continuar. E enquanto não me tratarem pelo meu nome mas por nicknames diminutivos , há muita história para contar”, concluiu.

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